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Economia Publicado em Por Stéfano Barcellos

Tabela de Preço de Alqueire de Terra Atualizada 2026

Tabela de Preço de Alqueire de Terra Atualizada 2026
Atestado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Contextualizando o Tema

O mercado de terras rurais no Brasil tem sido palco de intensa valorização nos últimos anos, impulsionado por fatores como o crescimento do agronegócio, a demanda por alimentos, a expansão de fronteiras agrícolas e a busca por ativos reais como proteção contra a inflação. Nesse contexto, entender o preço do alqueire de terra tornou-se essencial para investidores, produtores rurais, corretores imobiliários e profissionais do setor fundiário. No entanto, o valor não é uniforme: varia significativamente entre regiões, estados e até mesmo municípios, influenciado por características como solo, infraestrutura, vocação agrícola e proximidade de centros consumidores.

Este artigo apresenta uma tabela de preço de alqueire de terra atualizada com base em levantamentos recentes do Atlas do Mercado de Terras 2025, do INCRA e de fontes estaduais. Além disso, discutimos os principais fatores que determinam o valor, fornecemos uma lista de itens a considerar na avaliação, respondemos às perguntas mais frequentes e oferecemos referências confiáveis para consulta. O objetivo é oferecer um guia prático e informativo para quem deseja comprar, vender ou avaliar imóveis rurais no Brasil.

Como Funciona na Pratica

O cenário recente do mercado de terras

De acordo com o Atlas do Mercado de Terras 2025, publicado em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os preços das terras rurais no Brasil variaram entre R$ 50 mil e mais de R$ 250 mil por hectare entre 2022 e 2024, a depender da região e do uso da terra. O valor médio nacional atingiu R$ 22.951,94 por hectare em 2024, representando uma alta de 28,36% em relação ao levantamento anterior. As terras voltadas para pecuária registraram o maior incremento, com valorização de 31,24% no mesmo período, enquanto as terras agrícolas subiram cerca de 12%.

A região Sul lidera os maiores preços médios por hectare, ultrapassando R$ 112.040 em algumas localidades. Já no Sudeste, os valores também são elevados, especialmente em áreas de grande produtividade, como o oeste paulista e o Triângulo Mineiro. No Centro-Oeste, a expansão da fronteira agrícola mantém os preços em patamares intermediários, enquanto o Norte e o Nordeste apresentam os menores valores unitários, mas com grande heterogeneidade.

Para o produtor ou investidor, no entanto, a unidade de medida mais tradicional no Brasil rural é o alqueire. As principais medidas regionais são:

  • Alqueire paulista: 24.200 m² = 2,42 hectares
  • Alqueire mineiro: 48.400 m² = 4,84 hectares
  • Alqueire do Norte/Nordeste: 27.225 m² = 2,7225 hectares (aproximadamente)
  • Alqueire goiano: 48.400 m² (equivalente ao mineiro)
Este artigo focará principalmente no alqueire paulista, por ser o mais utilizado em negociações no Sudeste e em grande parte do Brasil Central, mas apresentaremos também conversões para outras medidas quando pertinente.

Como calcular o preço do alqueire a partir do valor por hectare

A fórmula básica é:

Preço do alqueire paulista = Preço por hectare × 2,42

Por exemplo, se uma terra é negociada a R$ 20.000 por hectare, o valor do alqueire paulista será de aproximadamente R$ 48.400. Essa conversão permite comparar anúncios e avaliações que usam diferentes unidades.

É importante distinguir o Valor da Terra Nua (VTN) do Valor Total do Imóvel (VTI). O VTN considera apenas o solo, excluindo benfeitorias como cercas, construções, pastagens cultivadas, sistemas de irrigação etc. Já o VTI inclui todos os melhoramentos. Em anúncios comerciais, muitas vezes o valor divulgado é o VTI, o que pode inflacionar a referência para quem deseja adquirir apenas a terra.

Lista: Fatores que influenciam o preço do alqueire

Abaixo, listamos os principais elementos que impactam o valor de um alqueire de terra. Cada fator pode elevar ou reduzir o preço em dezenas de milhares de reais:

  • Localização e acesso a centros consumidores: Terras próximas a grandes cidades, portos, aeroportos e rodovias pavimentadas tendem a valer mais devido ao menor custo logístico e à maior demanda por especulação imobiliária.
  • Qualidade e fertilidade do solo: Solos de alta fertilidade, como os de terra roxa ou latossolos bem manejados, são mais valorizados para agricultura. Já solos arenosos ou com restrições (pedregosos, salinos) têm preços menores.
  • Disponibilidade e qualidade da água: A presença de rios perenes, nascentes, poços artesianos ou acesso a sistemas de irrigação é crucial para a produtividade agrícola e pecuária.
  • Topografia: Terrenos planos ou suavemente ondulados facilitam a mecanização e o manejo, enquanto áreas muito declivosas, sujeitas a erosão ou de difícil acesso, têm valor reduzido.
  • Vocação produtiva: Terras com aptidão para cultivos de alto valor agregado (soja, milho, café, cana-de-açúcar, citros) valem mais do que aquelas destinadas exclusivamente à pecuária extensiva ou à preservação.
  • Infraestrutura e benfeitorias: Cercas em bom estado, currais, galpões, casas, silos, rede elétrica, estradas internas, sistemas de irrigação e outras melhorias agregam valor.
  • Pressão imobiliária e fundiária: Regiões com forte expansão urbana, turismo rural ou demanda por terras para reforma agrária (como acampamentos e assentamentos) podem sofrer valorização ou desvalorização atípica.
  • Regularidade fundiária e documentação: Imóveis com documentação completa, registro em cartório, certificação de georreferenciamento e ausência de passivos ambientais ou trabalhistas são mais fáceis de financiar e negociar, portanto, mais valorizados.
  • Clima e riscos ambientais: Áreas sujeitas a secas frequentes, geadas, enchentes, incêndios ou restrições ambientais (APP, reserva legal, unidades de conservação) tendem a ter preços menores.

Tabela comparativa: Preço estimado do alqueire paulista por região (2024-2025)

A tabela abaixo compila dados do Atlas do Mercado de Terras 2025, de relatórios do INCRA e de fontes estaduais, convertendo os valores médios por hectare para alqueire paulista. Os valores são aproximados e servem como referência; cada negociação deve considerar as características específicas do imóvel.

Região / EstadoValor médio por hectare (R$)Valor estimado por alqueire paulista (R$)Observações
Sul (PR, SC, RS)80.000 a 112.040193.600 a 271.136Maiores valores do país; destaque para áreas de soja, milho e pecuária intensiva no Paraná e no Rio Grande do Sul.
Sudeste (SP, MG, RJ, ES)40.000 a 90.00096.800 a 217.800Oeste paulista e Triângulo Mineiro com preços elevados; Vale do Paraíba e sul de Minas com valores intermediários.
Centro-Oeste (MT, MS, GO, DF)25.000 a 60.00060.500 a 145.200Fronteira agrícola ativa; terras mais baratas em áreas de cerrado nativo ou pastagens degradadas.
Nordeste (BA, MA, PI, PE, etc.)10.000 a 35.00024.200 a 84.700Grande variação; Matopiba (MA, PI, BA, TO) tem atraído investimentos e elevado preços.
Norte (PA, RO, AC, AM, etc.)5.000 a 25.00012.100 a 60.500Menores valores absolutos; risco de conflitos fundiários e restrições ambientais.

Nota importante: Os valores acima representam médias regionais. Em municípios específicos, o preço pode ser consideravelmente maior ou menor. Por exemplo, um alqueire paulista em uma área altamente produtiva no oeste do Paraná pode ultrapassar R$ 300.000, enquanto no norte do Maranhão pode ficar abaixo de R$ 20.000.

Perguntas e Respostas

O que é um alqueire e quais são suas variações regionais?

O alqueire é uma medida agrária tradicional no Brasil, mas seu valor em metros quadrados varia conforme a região. O alqueire paulista (24.200 m²) é o mais usado em São Paulo, Paraná e partes de Minas Gerais. O alqueire mineiro (48.400 m²) é comum em Minas Gerais, Goiás e no Distrito Federal. Já o alqueire do Norte/Nordeste equivale a 27.225 m². Ao negociar, é fundamental confirmar qual medida está sendo utilizada.

Como calcular o preço do alqueire a partir do valor do hectare?

Basta multiplicar o valor do hectare pelo número de hectares equivalentes a um alqueire. Para o alqueire paulista, multiplique por 2,42. Para o mineiro, multiplique por 4,84. Exemplo: se o hectare custa R$ 30.000, um alqueire paulista vale R$ 72.600 e um mineiro vale R$ 145.200.

Qual a diferença entre Valor da Terra Nua (VTN) e Valor Total do Imóvel (VTI)?

O VTN refere-se apenas ao solo, sem benfeitorias. É utilizado para cálculo de impostos como o ITR (Imposto Territorial Rural). O VTI inclui construções, cercas, pastagens, sistemas de irrigação, silos, entre outros. Em anúncios comerciais, o VTI costuma ser divulgado. Para comparar corretamente, pergunte qual dos dois valores está sendo apresentado.

Por que os preços das terras no Sul do Brasil são tão altos?

Isso se deve a fatores como alta fertilidade dos solos (especialmente as terras roxas do Paraná), clima favorável, infraestrutura logística, proximidade de portos, tradição agrícola e elevada produtividade de culturas como soja, milho, trigo e feijão. Além disso, a demanda por terras para investimento é forte, inclusive de fundos estrangeiros.

Como a qualidade do solo afeta o preço do alqueire?

A fertilidade natural, a capacidade de retenção de água, a profundidade e a ausência de impedimentos químicos ou físicos são determinantes. Solos classificados como de alta aptidão agrícola podem valer de 30% a 100% a mais que solos de baixa fertilidade na mesma região. Análises de solo e mapas de aptidão agrícola são essenciais antes de comprar.

O que é o Relatório de Análise de Mercados de Terras do INCRA e como consultá-lo?

O INCRA publica periodicamente relatórios com preços referenciais de terras rurais por região e por estado, baseados em transações efetivas e em avaliações técnicas. Esses documentos auxiliam na desapropriação, no ITR e em negociações. Você pode acessá-los no site do INCRA: Relatórios de análise de mercados de terras.

É possível financiar a compra de um alqueire de terra?

Sim. Existem linhas de crédito rural como as do Pronaf (para agricultura familiar), Pronamp (para médios produtores) e crédito fundiário do Banco da Terra, além de financiamentos imobiliários rurais. É necessário apresentar projeto técnico, documentação do imóvel e cumprir exigências de regularidade fundiária e ambiental.

O valor do alqueire pode cair com a crise do agronegócio?

Sim. Como qualquer ativo real, o preço das terras está sujeito a flutuações de oferta e demanda, custos de produção, variação cambial, políticas governamentais e condições climáticas. Em períodos de queda nos preços das commodities, as terras podem sofrer desvalorização temporária, especialmente aquelas com baixa produtividade ou dependentes de subsídios.

Conclusoes Importantes

O preço do alqueire de terra no Brasil reflete um mosaico de fatores que vão desde a fertilidade do solo até a dinâmica dos mercados regionais e globais. As informações apresentadas neste artigo, baseadas em fontes oficiais e em análises recentes, mostram que o valor médio nacional gira em torno de R$ 22,9 mil por hectare, o que equivale a aproximadamente R$ 55,4 mil por alqueire paulista. No entanto, essa média esconde realidades muito distintas: enquanto um alqueire no Sul pode ultrapassar R$ 270 mil, no Norte ele pode ser negociado por menos de R$ 15 mil.

Para quem deseja investir em terras rurais, a recomendação é sempre realizar uma due diligence completa, envolvendo análise de documentos, vistoria técnica, levantamento de passivos ambientais e consulta a órgãos como INCRA e secretarias estaduais de agricultura. A tabela de preço de alqueire oferecida neste artigo serve como ponto de partida, mas cada negociação deve ser avaliada individualmente.

Por fim, o mercado de terras continua aquecido, impulsionado pela demanda por alimentos e pela busca de ativos reais. Manter-se informado sobre as tendências de preços e sobre as particularidades das regiões é o primeiro passo para tomar decisões acertadas.

Para Saber Mais

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu seu caminho num cruzamento pouco habitado: o que une tecnologia e linguagem. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de estrada, tornou-se referência na curadoria de conteúdo digital no Brasil — não por seguir fórmulas, mas por se recusar a tratar como coisas separadas o ato de programar sistemas e o ato de produzir sentido...

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