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Saúde Publicado em Por Stéfano Barcellos

Sinal de Frank: como identificar e o que significa

Sinal de Frank: como identificar e o que significa
Avaliado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

O corpo humano, com frequência, oferece sinais que parecem discretos, mas que podem estar relacionados a condições internas mais profundas. Um desses sinais, que tem despertado crescente interesse tanto na comunidade médica quanto no público geral, é o chamado Sinal de Frank. Trata-se de uma prega diagonal localizada no lóbulo da orelha, cuja presença tem sido associada, desde a década de 1970, a um maior risco de doenças cardiovasculares, em especial a aterosclerose coronariana.

Nos últimos meses, o tema ganhou destaque no Brasil após a comoção causada pela morte do empresário e influenciador Henrique Maderite, em 2026. Em diversas reportagens, foi mencionada a possível presença dessa dobra em suas orelhas, o que reacendeu o debate público sobre se essa marca externa poderia ter sido um sinal precoce de problemas cardíacos. Embora o Sinal de Frank isoladamente não diagnostique doença alguma, compreender suas características, limitações e o contexto em que deve ser interpretado é essencial para que as pessoas possam buscar orientação médica adequada sem cair em alarmismo ou negligência.

Este artigo tem o objetivo de esclarecer, de maneira completa e fundamentada em fontes científicas recentes, como identificar o Sinal de Frank, qual a sua relevância clínica real, quando ele merece investigação aprofundada e, principalmente, o que fazer se você ou alguém próximo apresentar essa marca.

Detalhando o Assunto

Origem e definição

O Sinal de Frank foi descrito pela primeira vez em 1973 pelo Dr. Sanders T. Frank, um médico americano que observou uma correlação entre uma prega diagonal no lóbulo da orelha e a presença de doença arterial coronariana em seus pacientes. Desde então, centenas de estudos tentaram validar essa associação, obtendo resultados que, embora sugiram uma relação estatística significativa, ainda são cercados de controvérsias e limitações metodológicas.

A prega caracteriza-se por uma linha ou sulco que parte da região próxima ao canal auditivo (próximo ao tragus) e se estende diagonalmente até a borda inferior do lóbulo. Pode estar presente em uma ou ambas as orelhas e varia em profundidade e extensão. Não se trata de uma simples ruga da pele, mas de um vinco mais marcado, que muitas vezes persiste mesmo quando a orelha é esticada.

Mecanismos fisiopatológicos propostos

A razão exata pela qual o Sinal de Frank poderia estar associado a doenças cardiovasculares ainda não é completamente compreendida, mas existem algumas hipóteses:

  • Alterações na elastina: o lóbulo da orelha é rico em fibras elásticas. A aterosclerose, processo inflamatório e degenerativo das artérias, envolve também a degradação da elastina nas camadas vasculares. Acredita-se que alterações sistêmicas na elastina possam se manifestar tanto nas artérias coronárias quanto na pele do lóbulo, gerando a prega.
  • Microvasculatura: o lóbulo é irrigado por pequenos vasos sanguíneos. A doença microvascular, muitas vezes presente em pessoas com diabetes, hipertensão e dislipidemia, pode levar a alterações no tecido conjuntivo local, formando o vinco.
  • Fatores genéticos e ambientais: há evidências de que a predisposição à formação da dobra possa ter base hereditária, mas também pode ser influenciada por hábitos como tabagismo e exposição solar.
Nenhuma dessas hipóteses, no entanto, é conclusiva. O mais aceito atualmente é que o Sinal de Frank seja um marcador de risco não específico, ou seja, sua presença aumenta a suspeita de que o indivíduo possa ter aterosclerose subclínica, mas não a confirma.

Sensibilidade, especificidade e valor preditivo

Estudos de revisão sistemática mostram que o Sinal de Frank apresenta uma sensibilidade moderada — muitos pacientes com doença coronariana comprovada não possuem a dobra. Quanto ao valor preditivo positivo (a chance de que alguém com o sinal realmente tenha a doença), os números variam amplamente entre 63% e 90% em diferentes populações, dependendo da idade, sexo e presença de outros fatores de risco.

Isso significa que, embora a associação exista, não é forte o suficiente para que o sinal seja usado como teste diagnóstico isolado. Ele é mais útil quando combinado com outros indicadores clínicos e laboratoriais.

Eventos recentes e repercussão pública

A morte de Henrique Maderite, em fevereiro de 2026, trouxe o tema às manchetes. O influenciador, de 38 anos, faleceu subitamente devido a um infarto agudo do miocárdio. Em diversas matérias, como as publicadas pelo portal G1 Saúde, foi destacada a presença de uma dobra lobular compatível com o Sinal de Frank em fotografias do empresário. Esse fato gerou um pico de buscas na internet e consultas médicas preventivas.

Especialistas, no entanto, alertam que é impossível afirmar que o sinal tenha sido a causa ou mesmo um preditor confiável no caso específico. O que se sabe é que a avaliação cardiológica completa, levando em conta todos os fatores de risco, teria sido mais importante do que a simples observação da dobra.

Lista: Fatores de Risco que, Combinados ao Sinal de Frank, Exigem Investigação Cardiológica

Se você identifica em si mesmo ou em outra pessoa uma prega diagonal no lóbulo da orelha, é importante avaliar o contexto geral de saúde. Os seguintes fatores, quando presentes em conjunto com o Sinal de Frank, tornam a consulta com um cardiologista ainda mais recomendada:

  1. Hipertensão arterial sistêmica (pressão acima de 140/90 mmHg ou uso contínuo de anti-hipertensivos).
  2. Dislipidemia (colesterol total elevado, LDL alto, HDL baixo ou triglicérides altos).
  3. Diabetes mellitus tipo 2 ou resistência à insulina.
  4. Tabagismo atual ou histórico de fumo.
  5. Histórico familiar de doença coronariana precoce (infarto em parentes de primeiro grau antes dos 55 anos em homens e 65 anos em mulheres).
  6. Sintomas sugestivos de doença cardíaca, como dor ou desconforto no peito (angina), falta de ar aos esforços, palpitações, cansaço excessivo ou inchaço nas pernas.
  7. Obesidade (índice de massa corporal acima de 30 kg/m²) ou sedentarismo.
  8. Idade avançada (acima de 45 anos para homens e 55 anos para mulheres).
A presença isolada de um ou dois desses itens, mesmo sem o Sinal de Frank, já justifica uma avaliação de risco cardiovascular. Quando a dobra está presente, ela funciona como um sinal visual adicional que pode motivar a realização de exames mais específicos, como a dosagem de lipoproteína(a), o escore de cálcio coronariano, o ecodoppler de carótidas e o perfil lipídico completo.

Tabela Comparativa: Classificação do Sinal de Frank e Ações Recomendadas

A seguir, apresentamos uma classificação visual da dobra lobular com base em sua profundidade e extensão, juntamente com orientações gerais sobre a conduta sugerida.

ClassificaçãoDescriçãoAção Recomendada
LevePrega sutil, com menos de 50% do comprimento do lóbulo, visível apenas com boa iluminação.Observação: manter acompanhamento clínico de rotina; se houver outros fatores de risco, considerar avaliação cardiológica.
ModeradoDobra que atravessa mais da metade do lóbulo, claramente perceptível a olho nu.Consulta médica: realizar exame clínico e exames laboratoriais (perfil lipídico, glicemia, pressão arterial); avaliar necessidade de exames de imagem cardíaca.
IntensoVinco profundo que percorre praticamente toda a extensão do lóbulo, podendo ser bilateral.Investigação prioritária: cardiologista deve ser consultado o quanto antes; recomenda-se escore de cálcio coronariano ou angiotomografia de coronárias, além de ecodoppler de carótidas.
Observação importante: essa tabela tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. O Sinal de Frank sempre deve ser interpretado dentro do contexto clínico individual.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que é exatamente o Sinal de Frank?

É uma prega ou vinco diagonal localizado no lóbulo da orelha, geralmente partindo da região próxima ao canal auditivo e indo em direção à borda inferior do lóbulo. Recebeu esse nome em homenagem ao médico Sanders T. Frank, que descreveu a possível associação com doenças cardíacas em 1973. Não se trata de uma ruga comum, mas de um sulco mais pronunciado, que pode estar presente em uma ou ambas as orelhas. A literatura médica o considera um sinal semiológico de alerta, não um diagnóstico.

Como posso identificar se tenho o Sinal de Frank?

Você pode fazer uma auto-observação em frente a um espelho com boa iluminação. Incline a cabeça levemente para o lado e observe a região do lóbulo da orelha. Procure por uma linha diagonal que cruze o lóbulo, formando um vinco perceptível. Se preferir, peça ajuda de outra pessoa. É importante distinguir de dobras causadas pelo hábito de dormir de lado ou pelo uso de fones de ouvido apertados, que tendem a ser menos definidas e desaparecem quando a orelha é esticada. O Sinal de Frank verdadeiro permanece visível mesmo após esticar suavemente a pele.

Ter o Sinal de Frank significa que vou ter um infarto?

Não. A presença da dobra não é uma sentença de infarto iminente. O Sinal de Frank é um marcador de risco, não um teste diagnóstico. Muitas pessoas que apresentam a dobra nunca desenvolverão doença cardíaca, e muitas que sofrem um infarto não têm a prega. O que a ciência indica é que, em populações com outros fatores de risco (hipertensão, diabetes, tabagismo, colesterol alto), a presença do sinal pode aumentar a probabilidade de aterosclerose coronariana. Portanto, a descoberta da dobra deve motivar uma avaliação cardiológica global, e não pânico.

Existe tratamento para o Sinal de Frank?

Não há tratamento específico para a dobra em si. O Sinal de Frank é apenas uma manifestação cutânea e não requer intervenção estética ou médica por si só. O que deve ser tratado, se diagnosticado, é a condição cardiovascular subjacente (aterosclerose, hipertensão, dislipidemia, diabetes). O foco deve ser a prevenção e o controle dos fatores de risco por meio de mudanças no estilo de vida (alimentação saudável, atividade física, cessação do tabagismo) e, quando necessário, uso de medicamentos (estatinas, anti-hipertensivos, hipoglicemiantes).

Crianças podem apresentar o Sinal de Frank? Isso é preocupante?

Sim, crianças podem apresentar a dobra, mas a associação com doenças cardiovasculares nessa faixa etária é extremamente baixa e não está bem estabelecida. Na infância, o Sinal de Frank pode ser uma característica anatômica normal ou estar relacionado a condições genéticas raras, como a síndrome de Beckwith-Wiedemann ou outras síndromes de envelhecimento precoce. Em geral, não há motivo para alarme em crianças sem histórico familiar forte de doença cardíaca precoce. A recomendação é que o pediatra seja informado durante as consultas de rotina.

O Sinal de Frank pode desaparecer com o tempo?

Uma vez formado, o vinco tende a ser permanente. Ele não desaparece espontaneamente, pois está associado a alterações estruturais do tecido conjuntivo do lóbulo. No entanto, sua profundidade e visibilidade podem variar com fatores como ganho ou perda de peso, hidratação da pele e envelhecimento. O importante não é tentar removê-lo, mas entender seu significado potencial como sinal de alerta para a saúde cardiovascular.

Qual é a diferença entre o Sinal de Frank e uma simples ruga de idade?

Rugas de idade no lóbulo costumam ser múltiplas, finas e horizontais ou aleatórias, sem uma direção diagonal clara. Já o Sinal de Frank é geralmente uma única linha bem definida, com trajeto diagonal (inclinada em cerca de 45 graus) que atravessa o lóbulo. A distinção pode ser feita pelo aspecto e pela persistência: a dobra do Sinal de Frank é mais profunda e não se “desfaz” ao esticar a pele. Em pessoas idosas, é comum haver sobreposição, mas a avaliação de um médico experiente pode diferenciar.

Devo procurar um cardiologista mesmo que não tenha sintomas, apenas a dobra?

Se você tem o Sinal de Frank e nenhum outro fator de risco conhecido (é jovem, não fuma, tem pressão e colesterol normais, não tem diabetes, não tem histórico familiar de infarto), a probabilidade de doença cardíaca significativa é baixa. Ainda assim, muitos especialistas recomendam uma consulta de avaliação de risco cardiovascular para determinar se exames complementares são necessários. O próprio ato de identificar a prega pode ser um bom motivo para iniciar um acompanhamento preventivo. Se houver qualquer sintoma sugestivo (falta de ar, dor no peito), a procura deve ser imediata.

Reflexoes Finais

O Sinal de Frank é um fenômeno curioso e intrigante da semiologia médica. Sua presença, especialmente quando combinada a outros fatores de risco, pode indicar uma maior chance de aterosclerose subclínica e, portanto, merece atenção. No entanto, é fundamental que o público compreenda que essa dobra no lóbulo da orelha não é um teste diagnóstico, nem um oráculo de infarto. Ela é apenas um dos muitos sinais que o corpo pode nos dar, e seu valor aumenta quando interpretada por um profissional de saúde dentro de uma avaliação completa.

A recente repercussão em torno da morte de Henrique Maderite trouxe à tona a importância da prevenção cardiovascular, mas também deixou claro o perigo de simplificações excessivas. Em vez de se fixar na dobra da orelha, o mais prudente é adotar um estilo de vida saudável, realizar check-ups periódicos e, diante de qualquer sinal de alerta — seja ele uma prega no lóbulo, cansaço inexplicável ou desconforto no peito —, buscar orientação médica qualificada.

Lembre-se: a medicina não se faz com símbolos isolados, mas com a integração de dados clínicos, laboratoriais e de imagem. O Sinal de Frank pode ser o empurrão que falta para você marcar aquela consulta com o cardiologista. Aproveite esse estímulo e cuide do seu coração.

Materiais de Apoio

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu seu caminho num cruzamento pouco habitado: o que une tecnologia e linguagem. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de estrada, tornou-se referência na curadoria de conteúdo digital no Brasil — não por seguir fórmulas, mas por se recusar a tratar como coisas separadas o ato de programar sistemas e o ato de produzir sentido...

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