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Educação Publicado em Por Stéfano Barcellos

Código da BNCC na Educação Infantil: Guia Completo

Código da BNCC na Educação Infantil: Guia Completo
Certificado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

O Que Esta em Jogo

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o documento normativo que define o conjunto de aprendizagens essenciais que todos os estudantes brasileiros devem desenvolver ao longo da Educação Básica. Instituída pela Resolução CNE/CP nº 2, de 22 de dezembro de 2017, a BNCC abrange desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, organizando o currículo escolar em etapas, áreas de conhecimento e campos de experiência. No segmento da Educação Infantil, que atende crianças de 0 a 5 anos, a BNCC propõe uma estrutura inovadora baseada em códigos alfanuméricos que identificam cada objetivo de aprendizagem e desenvolvimento. Esses códigos – como EI03CG02 – funcionam como uma linguagem padronizada que facilita o planejamento pedagógico, a elaboração de materiais didáticos e a avaliação dos progressos das crianças.

Compreender o código da BNCC na Educação Infantil é essencial para professores, coordenadores pedagógicos, gestores escolares e famílias que desejam alinhar suas práticas educativas às diretrizes nacionais. Este artigo apresenta um guia completo sobre a estrutura, a aplicação e a relevância desses códigos, oferecendo exemplos práticos, uma tabela comparativa dos campos de experiência e respostas às dúvidas mais frequentes. Ao final, o leitor estará apto a interpretar e utilizar os códigos da BNCC de forma autônoma e eficiente, contribuindo para uma Educação Infantil mais organizada, inclusiva e de qualidade.

Visao Detalhada

O que são os códigos alfanuméricos da BNCC na Educação Infantil?

Os códigos alfanuméricos são sequências padronizadas que identificam, de forma única, cada objetivo de aprendizagem e desenvolvimento previsto na BNCC para a Educação Infantil. Eles foram criados para tornar a consulta e a aplicação do currículo mais ágeis, especialmente em sistemas de planejamento digital, livros didáticos e registros pedagógicos. Cada código é composto por letras e números que indicam, nesta ordem:

  1. A etapa de ensino (Educação Infantil);
  2. O grupo etário (bebês, crianças bem pequenas ou crianças pequenas);
  3. O campo de experiência (um dos cinco campos que orientam as práticas pedagógicas);
  4. O número sequencial do objetivo dentro daquele campo e faixa etária.
Exemplo prático: EI03CG02
  • EI = Educação Infantil
  • 03 = Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses)
  • CG = Campo de experiência “Corpo, gestos e movimentos”
  • 02 = Segundo objetivo específico desse campo (controlar e adequar o uso do corpo em brincadeiras e jogos)
A estrutura segue uma lógica hierárquica que permite a qualquer profissional da educação identificar rapidamente a que se refere aquele objetivo, sem precisar ler descrições extensas. Além disso, os códigos facilitam a comunicação entre diferentes sistemas educacionais e a comparação de currículos de redes municipais e estaduais.

Faixas etárias na Educação Infantil

A BNCC divide a Educação Infantil em três grupos etários progressivos, cada um com uma numeração específica no código:

Código etárioFaixa etáriaDenominação
00 ou 0 (na prática, usa-se 01 para bebês)0 a 1 ano e 6 mesesBebês
021 ano e 7 meses a 3 anos e 11 mesesCrianças bem pequenas
034 anos a 5 anos e 11 mesesCrianças pequenas
Assim, um código que começa com EI01 refere-se a bebês, EI02 a crianças bem pequenas e EI03 a crianças pequenas. Essa segmentação respeita as especificidades do desenvolvimento infantil e orienta práticas pedagógicas adequadas a cada momento da primeira infância.

Os cinco campos de experiência

Os campos de experiência são eixos estruturantes do currículo na Educação Infantil. Eles substituem as tradicionais disciplinas e organizam os objetivos de aprendizagem em áreas integradas de vivência e conhecimento. Confira as siglas e seus significados:

  • EO – O eu, o outro e o nós: foco na construção da identidade, autonomia, relações interpessoais e valorização da diversidade.
  • CG – Corpo, gestos e movimentos: exploração do corpo, coordenação motora, expressão corporal e cuidados com a saúde.
  • TS – Traços, sons, cores e formas: expressão artística, musical, visual e criatividade.
  • EF – Escuta, fala, pensamento e imaginação: desenvolvimento da linguagem oral, comunicação, narrativas e pensamento simbólico.
  • ET – Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações: noções matemáticas, espaciais, temporais e de causalidade.
Cada campo de experiência desdobra-se em objetivos específicos para cada faixa etária. Por exemplo, o campo EF (Escuta, fala, pensamento e imaginação) possui códigos como EI03EF04 – “Recontar histórias ouvidas e planejar coletivamente roteiros de vídeos e de encenações”, voltado para crianças pequenas.

Como usar os códigos no planejamento pedagógico

Na prática, o professor de Educação Infantil utiliza os códigos da BNCC para:

  1. Selecionar objetivos compatíveis com a faixa etária da turma e com o tema do projeto pedagógico.
  2. Organizar sequências didáticas que contemplem múltiplos campos de experiência de forma integrada.
  3. Registrar avaliações associando cada atividade a um ou mais códigos, facilitando o acompanhamento do desenvolvimento da criança.
  4. Elaborar planos de aula alinhados à BNCC, garantindo que todos os direitos de aprendizagem sejam contemplados ao longo do ano letivo.
Os direitos de aprendizagem na Educação Infantil – conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se – são a base que sustenta os campos de experiência e os códigos. Portanto, um bom planejamento não se limita a listar códigos, mas integram-nos a propostas significativas que respeitem o protagonismo infantil.

Uma lista: 10 exemplos de códigos da BNCC para crianças pequenas (EI03)

Para ilustrar a diversidade de objetivos, segue uma lista com códigos do grupo etário crianças pequenas (4 a 5 anos), organizados por campo de experiência:

  1. EI03EO01 – Demonstrar empatia pelos outros, percebendo que as pessoas têm diferentes sentimentos, necessidades e pontos de vista.
  2. EI03EO02 – Agir de maneira independente, com confiança em suas capacidades, reconhecendo suas conquistas e limitações.
  3. EI03CG01 – Criar com o corpo formas diversificadas de expressão de sentimentos, sensações e emoções.
  4. EI03CG02 – Demonstrar controle e adequação do uso de seu corpo em brincadeiras e jogos.
  5. EI03CG04 – Adotar hábitos de autocuidado relacionados a higiene, alimentação, conforto e aparência.
  6. EI03TS02 – Expressar-se livremente por meio de desenho, pintura, colagem, dobradura e escultura, criando produções bidimensionais e tridimensionais.
  7. EI03EF01 – Expressar ideias, desejos e sentimentos sobre suas vivências, por meio da linguagem oral e escrita (escrita espontânea), de fotos, desenhos e outras formas de expressão.
  8. EI03EF04 – Recontar histórias ouvidas e planejar coletivamente roteiros de vídeos e de encenações.
  9. EI03ET01 – Estabelecer relações de comparação entre objetos, observando suas propriedades (tamanho, peso, cor, forma, textura).
  10. EI03ET05 – Classificar objetos e figuras de acordo com atributos (cor, forma, tamanho, uso) em situações de brincadeira e exploração.
Esses exemplos evidenciam como a BNCC valoriza experiências concretas, lúdicas e contextualizadas, em vez de conteúdos fragmentados e desvinculados da realidade infantil.

Uma tabela comparativa: Campos de experiência e principais objetivos por faixa etária

A tabela a seguir apresenta, de forma sintética, a relação entre os campos de experiência e os principais focos dos objetivos para cada faixa etária. Ela serve como referência rápida para professores que precisam planejar atividades alinhadas à BNCC.

Campo de experiênciaBebês (EI01) – 0 a 1 ano e 6 mesesCrianças bem pequenas (EI02) – 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 mesesCrianças pequenas (EI03) – 4 a 5 anos e 11 meses
EO – O eu, o outro e o nósInteração com adultos e pares; reconhecimento do próprio nome e de pessoas próximas.Construção de vínculos afetivos; expressão de sentimentos; participação em brincadeiras coletivas.Empatia, autonomia, respeito às diferenças; participação em decisões do grupo.
CG – Corpo, gestos e movimentosMovimentos reflexos e voluntários; exploração sensorial; deslocamento (engatinhar, andar).Coordenação motora ampla e fina; jogos de imitação; cuidados básicos com o corpo.Controle motor, expressão corporal, hábitos de autocuidado, habilidades manuais.
TS – Traços, sons, cores e formasExploração de materiais e objetos; sons e ritmos; contato com cores e texturas.Produção de marcas gráficas; imitação de sons e ritmos; exploração de materiais artísticos.Criação artística (desenho, pintura, modelagem); apreciação musical; uso de diversos suportes.
EF – Escuta, fala, pensamento e imaginaçãoAtenção a sons da fala; balbucio; compreensão de gestos e expressões faciais.Ampliação do vocabulário; relato de experiências; participação em rodas de conversa.Narrativas orais e escritas; recontagem de histórias; planejamento coletivo.
ET – Espaços, tempos, quantidades, relações e transformaçõesPercepção de espaços e objetos; exploração de texturas e sons da natureza.Noções de dentro/fora, em cima/embaixo; exploração de coleções e quantidades.Classificação, seriação, comparação de grandezas; registro de fenômenos naturais.
A tabela demonstra que, à medida que a criança avança na faixa etária, os objetivos se tornam mais complexos e exigem maior autonomia e capacidade de abstração.

Perguntas e Respostas

O que significa a sigla "EI" no código da BNCC?

A sigla "EI" significa "Educação Infantil". Ela indica que o objetivo de aprendizagem pertence à primeira etapa da Educação Básica, que atende crianças de 0 a 5 anos. Todos os códigos da BNCC para essa etapa começam com EI, seguidos de dois números que indicam a faixa etária e dois caracteres para o campo de experiência.

Como interpretar um código como EI02TS03?

O código EI02TS03 se lê: Educação Infantil (EI), faixa etária 02 (crianças bem pequenas – 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses), campo de experiência TS (Traços, sons, cores e formas) e terceiro objetivo específico desse campo. Esse objetivo, por exemplo, pode ser "Utilizar diferentes fontes sonoras disponíveis no ambiente para produzir sons e músicas".

Os códigos da BNCC substituem os objetivos pedagógicos dos professores?

Não. Os códigos são uma ferramenta de organização e referência, mas não substituem a prática pedagógica reflexiva e contextualizada. O professor deve interpretar cada código à luz da realidade da sua turma, escolhendo atividades que promovam o desenvolvimento integral da criança. A BNCC é um guia, não um currículo fechado.

Como usar o código da BNCC no diário de classe ou no plano de aula?

No planejamento, o professor pode listar os códigos dos objetivos que serão trabalhados em cada atividade. Por exemplo, ao planejar uma brincadeira de roda, pode incluir EI03CG02 (controle do corpo) e EI03EO01 (empatia). No diário de classe, o registro pode indicar os códigos correspondentes às observações feitas sobre o desenvolvimento da criança.

Existe um código diferente para cada turma (maternal, jardim I, etc.)?

Sim e não. A BNCC não nomeia turmas como "maternal" ou "jardim", mas sim faixas etárias. Assim, para uma turma de crianças de 2 a 3 anos (maternal II), os códigos aplicáveis são os de EI02. Já para crianças de 4 a 5 anos (pré-escola), usam-se os códigos EI03. Cada rede de ensino pode adaptar essas faixas, mas a lógica dos grupos etários da BNCC deve ser respeitada.

Onde encontro a lista completa de todos os códigos da BNCC para Educação Infantil?

A lista completa está disponível no documento oficial da BNCC, publicado pelo Ministério da Educação. Também existem sites educacionais que compilam os códigos de forma organizada, como o Acessaber e o Pré-escola.com.br. Além disso, o PDF oficial da BNCC (link nas referências) traz todos os objetivos detalhados.

Os códigos mudaram com a atualização da BNCC?

Até o momento desta publicação (2025), a estrutura dos códigos da BNCC para Educação Infantil permanece a mesma definida em 2017. Não houve alterações oficiais. Redes municipais e estaduais, no entanto, podem criar desdobramentos locais (como adicionar numerações internas), mas a codificação base continua sendo a nacional.

Como explicar o código da BNCC para as famílias?

As famílias podem compreender os códigos de forma simplificada: cada código representa uma habilidade ou aprendizado que a criança está desenvolvendo. Por exemplo, ao ver em um relatório "EI03CG04 – hábitos de autocuidado", os pais podem saber que a escola está trabalhando temas como escovar os dentes, lavar as mãos e vestir-se sozinha. Uma comunicação clara fortalece a parceria escola-família.

Conclusoes Importantes

O código da BNCC na Educação Infantil é muito mais do que uma sequência de letras e números: ele representa um compromisso com uma educação intencional, organizada e centrada no desenvolvimento integral da criança. Ao decodificar siglas como EI03CG02 ou EI02TS03, professores e gestores ganham uma ferramenta poderosa para planejar, registrar e avaliar as experiências oferecidas aos pequenos, garantindo que todos os direitos de aprendizagem sejam contemplados.

A estrutura alfanumérica facilita a comunicação entre diferentes atores educacionais e promove a padronização curricular em todo o Brasil, sem desrespeitar a diversidade regional e cultural. No entanto, é importante lembrar que os códigos não são um fim em si mesmos: eles devem estar a serviço de práticas pedagógicas lúdicas, afetivas e significativas, que respeitem o tempo e a singularidade de cada criança.

Este guia procurou esclarecer os principais aspectos sobre o código da BNCC, desde a sua composição até a aplicação prática. Com a tabela comparativa, a lista de exemplos e as perguntas frequentes, o leitor tem agora um material de consulta rápido e confiável. Espera-se que, ao compreender e utilizar esses códigos, educadores e educadoras possam contribuir ainda mais para uma Educação Infantil de excelência, alinhada às melhores práticas nacionais e internacionais.

Embasamento e Leituras

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Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu seu caminho num cruzamento pouco habitado: o que une tecnologia e linguagem. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de estrada, tornou-se referência na curadoria de conteúdo digital no Brasil — não por seguir fórmulas, mas por se recusar a tratar como coisas separadas o ato de programar sistemas e o ato de produzir sentido...

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