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Educação Publicado em Por Stéfano Barcellos

Tabela na Norma ABNT: Como Fazer e Formatá-la Corretamente

Tabela na Norma ABNT: Como Fazer e Formatá-la Corretamente
Chancelado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Abrindo a Discussao

A elaboração de trabalhos acadêmicos, como TCCs, monografias, dissertações e artigos científicos, exige o cumprimento rigoroso de normas técnicas que garantem padronização, clareza e credibilidade à comunicação científica. No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a principal entidade responsável por estabelecer essas diretrizes. Entre os diversos elementos que compõem um trabalho acadêmico, as tabelas ocupam um lugar de destaque por sua capacidade de sintetizar dados quantitativos e estatísticos de forma organizada e visualmente acessível.

No entanto, muitos estudantes e pesquisadores enfrentam dificuldades ao aplicar as regras da ABNT especificamente para tabelas. Afinal, a formatação correta de títulos, numeração, fontes, bordas e a distinção entre tabelas, quadros e figuras são pontos que frequentemente geram dúvidas. Este artigo tem como objetivo esclarecer todas essas questões, apresentando as regras vigentes, exemplos práticos e respostas para as perguntas mais comuns sobre o tema. Ao final, o leitor estará apto a criar tabelas dentro das normas ABNT de maneira precisa e eficiente, utilizando ferramentas como Word, Google Docs e editores automáticos.

A importância de dominar a formatação de tabelas vai além da estética: uma tabela mal formatada pode comprometer a interpretação dos dados e até mesmo ser rejeitada por avaliadores. Portanto, conhecer a fundo as recomendações da ABNT, que se apoiam na Norma Tabular do IBGE, é essencial para a produção de um trabalho acadêmico de qualidade.

Na Pratica

O que são tabelas na ABNT e qual a sua finalidade?

De acordo com a ABNT, tabelas são representações gráficas de informações quantitativas ou estatísticas, organizadas em linhas e colunas, que permitem a comparação e a leitura rápida de dados. Diferentemente de quadros – que apresentam informações qualitativas, textuais ou descritivas –, as tabelas são utilizadas exclusivamente para dados numéricos, como valores percentuais, médias, frequências, dentre outros.

A principal referência normativa para a elaboração de tabelas em trabalhos acadêmicos brasileiros é a Norma Tabular do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), adotada pela ABNT em suas publicações. Embora a ABNT possua normas específicas para citações (NBR 10520, atualizada em 2023) e referências (NBR 6023), a padronização de tabelas é comumente orientada por guias institucionais de universidades e pela própria prática editorial.

Regras fundamentais de formatação

As diretrizes mais consolidadas para tabelas na ABNT incluem os seguintes aspectos:

  1. Numeração sequencial: Toda tabela deve receber um número ordinal (Tabela 1, Tabela 2, etc.) na ordem em que aparece no texto. A numeração é independente para cada tipo de elemento (tabelas, quadros, figuras).
  1. Título acima da tabela: O título deve ser posicionado acima da tabela, alinhado à esquerda, e conter informações claras e sucintas sobre o conteúdo. Exemplo: "Tabela 1 – Distribuição dos alunos por faixa etária".
  1. Fonte da tabela: Abaixo da tabela, deve constar a indicação da fonte dos dados. Caso a tabela seja de elaboração própria, escreve-se "Fonte: Elaborado pelo autor (2025)". Se os dados foram extraídos de outra obra, menciona-se a referência completa, conforme a NBR 6023. Exemplo: "Fonte: IBGE (2020, p. 45)".
  1. Bordas e linhas: A ABNT recomenda o uso de linhas horizontais apenas para separar o título do corpo, o cabeçalho das células e a última linha. Não devem ser utilizadas linhas verticais nas laterais da tabela. As bordas externas são geralmente suprimidas, mantendo apenas as divisórias internas necessárias.
  1. Tamanho da fonte: O corpo do texto da tabela geralmente utiliza tamanho de fonte menor do que o do texto principal. O mais comum é o tamanho 10, mas guias institucionais podem variar de 8 a 10 pontos. O importante é garantir a legibilidade.
  1. Alinhamento e margens: A tabela deve estar preferencialmente centralizada na página ou alinhada às margens do texto, sem ultrapassá-las. Caso a tabela seja muito larga, é permitido girar a página para orientação paisagem, mantendo a numeração e o título.
  1. Continuação em mais de uma página: Se a tabela ocupar mais de um página, deve-se repetir o título completo e o cabeçalho na página seguinte, acrescentando entre parênteses a palavra "continua" no final da primeira página e "conclusão" na última página da tabela.
  1. Chamada no texto: Antes de apresentar a tabela, o autor deve mencioná-la no corpo do texto. Exemplo: "Os dados coletados estão dispostos na Tabela 1, a seguir."

Diferença entre tabela, quadro e figura

Um dos erros mais comuns entre estudantes é confundir tabelas com quadros ou figuras. A ABNT estabelece distinções claras:

  • Tabela: apresenta dados quantitativos, numéricos, com foco em estatísticas e comparações de valores.
  • Quadro: organiza informações qualitativas, textuais, descritivas ou categorias. Exemplo: cronogramas, comparativos de conceitos.
  • Figura: abrange gráficos, diagramas, fotografias, mapas, esquemas, fluxogramas, dentre outros elementos visuais que não se enquadram como tabela nem quadro.
Cada um desses elementos possui numeração independente e título em posições diferentes: nas figuras, o título fica abaixo; nas tabelas e quadros, acima.

Atualizações recentes e contexto

A mais recente atualização da NBR 10520, publicada em 2023, trouxe mudanças significativas para citações, mas não alterou as diretrizes básicas de formatação de tabelas. Dessa forma, os guias publicados por universidades entre 2024 e 2026 continuam baseados na padronização do IBGE. Além disso, o uso de editores de texto como Microsoft Word e Google Docs tem facilitado a aplicação dessas regras, graças a templates e estilos pré-formatados.

Muitas instituições de ensino, como a UNESP, a ESPM e o IFPR, disponibilizam manuais atualizados com exemplos práticos. É recomendável consultar o guia específico da sua universidade, pois algumas instituições adotam pequenas variações em relação ao padrão geral.

Lista: etapas práticas para formatar uma tabela na ABNT

A seguir, apresento um passo a passo simplificado para criar uma tabela conforme as normas ABNT:

  1. Defina o conteúdo da tabela: certifique-se de que os dados são numéricos/quantitativos; evite textos longos.
  2. Crie a estrutura no editor: insira uma tabela com o número adequado de linhas e colunas.
  3. Remova as bordas desnecessárias: elimine todas as linhas verticais externas e internas, mantendo apenas as horizontais que separam título, cabeçalho e corpo.
  4. Ajuste o tamanho da fonte: reduza a fonte do conteúdo da tabela para tamanho 10 (ou conforme orientação institucional).
  5. Adicione o título acima: escreva "Tabela X – Título descritivo" alinhado à esquerda, sem ponto final.
  6. Insira a fonte abaixo: escreva "Fonte: ..." alinhada à esquerda, também sem ponto final.
  7. Vincule a chamada no texto: certifique-se de que o texto principal menciona a tabela antes dela aparecer.
  8. Verifique a continuidade: se a tabela ultrapassar uma página, repita cabeçalho e título com indicação de "continua"/"conclusão".
  9. Revise o alinhamento: a tabela deve estar centralizada ou alinhada às margens do texto.
  10. Salve e teste a impressão: confira se a formatação se mantém estável em diferentes dispositivos e na versão impressa.

Tabela comparativa: tabela × quadro × figura

CaracterísticaTabelaQuadroFigura
Tipo de dadoQuantitativo / numéricoQualitativo / descritivoVisual / gráfico / fotográfico
Posição do títuloAcimaAcimaAbaixo
Exemplo de conteúdoIdades, frequências, percentuaisConceitos, cronogramas, categoriasGráfico de barras, organograma, foto
NumeraçãoIndependente (Tabela 1...)Independente (Quadro 1...)Independente (Figura 1...)
FonteAbaixo da tabelaAbaixo do quadroAbaixo da figura
Bordas comunsApenas linhas horizontais essenciaisPode conter linhas verticais e horizontaisSem bordas (moldura opcional)
Tamanho de fonteMenor (geralmente 10 pt)Menor (geralmente 10 pt)Título e legenda em tamanho padrão
Continuação em páginasSim, com repetição de cabeçalhoSim, com repetição de cabeçalhoNão se aplica (figura é elemento único)

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual a diferença entre tabela e quadro na ABNT?

Na norma ABNT, a tabela destina-se exclusivamente a dados numéricos e estatísticos, enquanto o quadro é utilizado para informações qualitativas, textuais ou descritivas. Ambos possuem título acima, mas a estrutura de bordas e o tipo de conteúdo são distintos. A confusão entre os dois é uma das falhas mais corrigidas em avaliações de trabalhos acadêmicos.

O título da tabela deve conter ponto final?

Não. De acordo com os guias mais recentes, o título da tabela não deve terminar com ponto final. A formatação padrão é: "Tabela 1 – Nome descritivo" (sem ponto). Essa regra vale também para a indicação da fonte e para o título de quadros.

Posso usar tabela para apresentar apenas texto?

Não é recomendado. A ABNT orienta que tabelas sejam empregadas para dados quantitativos. Se a intenção é listar conceitos, categorias ou informações textuais, o correto é utilizar um quadro. Usar tabela para texto pode caracterizar erro de categorização e prejudicar a compreensão do leitor.

É obrigatório informar a fonte dos dados na tabela?

Sim. A fonte deve constar abaixo da tabela, indicando a origem dos dados. Se a tabela é de autoria própria, escreve-se "Fonte: Elaborado pelo autor (ano)". Se os dados foram extraídos de outra obra, é necessário citar a referência conforme a NBR 6023, incluindo página quando possível.

Como proceder quando a tabela ultrapassa uma página?

Quando a tabela não cabe em uma única página, deve-se repetir o título completo e o cabeçalho na página seguinte. No final da primeira página, acrescenta-se entre parênteses a palavra "continua", e na última página, a palavra "conclusão". Essa prática garante a continuidade da leitura e a identificação correta dos dados.

Quais ferramentas facilitam a formatação de tabelas na ABNT?

Os editores de texto mais comuns (Microsoft Word, Google Docs) oferecem recursos como "Inserir tabela", "Bordas e sombreamento" e estilos predefinidos. Existem também templates prontos para TCC e monografias que já incluem a formatação de tabelas. Além disso, geradores automáticos de normas ABNT, como os disponíveis em alguns sites acadêmicos, podem auxiliar na padronização, mas é essencial revisar manualmente o resultado.

O tamanho da fonte da tabela precisa ser menor que o texto principal?

Sim. A prática recomendada é utilizar fonte de tamanho 8 a 10 pontos para o conteúdo da tabela, enquanto o texto principal geralmente usa tamanho 12. Essa redução permite que a tabela se encaixe melhor nas margens e facilite a visualização de muitos dados em um espaço restrito.

Posso usar cores ou fundo colorido na tabela?

A ABNT não proíbe o uso de cores, mas recomenda moderação e clareza. Em geral, para trabalhos acadêmicos impressos em preto e branco, é preferível evitar cores ou utilizar tons de cinza. Se a tabela for publicada digitalmente, cores podem ser empregadas desde que não prejudiquem a legibilidade e a interpretação dos dados.

Como referenciar uma tabela de outra fonte no texto?

Quando você reproduz uma tabela de outro autor, deve indicar a fonte abaixo da tabela e também incluir a referência completa nas Referências do trabalho. No corpo do texto, basta mencionar a tabela pelo número, por exemplo: "Conforme apresentado na Tabela 3, extraída de IBGE (2020), observa-se que..."

Existe uma norma ABNT específica para tabelas?

Não há uma norma ABNT exclusiva para tabelas. A padronização adotada no Brasil é baseada na Norma Tabular do IBGE, que é incorporada pela ABNT em suas publicações técnicas. As instituições de ensino frequentemente criam guias próprios que sintetizam essas regras, como os disponíveis nas bibliotecas da UNESP, ESPM e IFPR.

Conclusoes Importantes

A formatação correta de tabelas segundo a ABNT é uma habilidade indispensável para qualquer estudante ou pesquisador que deseje produzir trabalhos acadêmicos de qualidade. Embora as regras possam parecer detalhadas, elas visam essencialmente à clareza, à padronização e à credibilidade da comunicação científica. Ao seguir as orientações apresentadas neste artigo – como o uso de numeração sequencial, título acima, fonte abaixo, bordas mínimas e distinção entre tabela, quadro e figura –, o autor evita erros comuns e atende aos critérios exigidos pela maioria das instituições de ensino.

Além disso, é importante manter-se atualizado sobre possíveis alterações normativas. A última atualização da NBR 10520, em 2023, não impactou diretamente as tabelas, mas demonstra a necessidade de consultar fontes confiáveis periodicamente. Recomenda-se verificar o guia de normas da sua universidade e utilizar ferramentas de edição que facilitem a aplicação das regras.

Dominar a formatação de tabelas é um passo significativo para a excelência acadêmica. Com prática e atenção aos detalhes, qualquer pesquisador pode incorporar esse conhecimento ao seu repertório, tornando seus trabalhos mais profissionais e eficazes na transmissão de informações.

Embasamento e Leituras

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu seu caminho num cruzamento pouco habitado: o que une tecnologia e linguagem. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de estrada, tornou-se referência na curadoria de conteúdo digital no Brasil — não por seguir fórmulas, mas por se recusar a tratar como coisas separadas o ato de programar sistemas e o ato de produzir sentido...

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