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Cultura Publicado em Por Stéfano Barcellos

Os 100 Maiores Brasileiros de Todos os Tempos: Lista

Os 100 Maiores Brasileiros de Todos os Tempos: Lista
Validado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

O Que Esta em Jogo

Desde que a televisão brasileira exibiu o programa “O Maior Brasileiro de Todos os Tempos”, em 2006, a pergunta sobre quem realmente merece esse título nunca deixou de ecoar em rodas de conversa, fóruns online e salas de aula. Inspirada no formato britânico , a produção do SBT levou ao ar uma votação popular que resultou em uma lista de cem personalidades, mesclando figuras históricas, políticas, religiosas, esportivas e culturais. O resultado, com Chico Xavier no topo, surpreendeu muitos e gerou um debate intenso sobre critérios de grandeza, memória coletiva e o papel da mídia na construção de heróis nacionais.

Este artigo não apenas apresenta a lista completa e seu contexto, mas também analisa as polêmicas, as ausências sentidas e as diferentes maneiras de avaliar o que significa ser um “grande brasileiro”. A proposta é ir além do simples ranking e compreender o que a escolha popular revela sobre a identidade do país. Para isso, abordaremos a estrutura da lista, destacaremos nomes por área de atuação, apresentaremos uma tabela comparativa de critérios e responderemos às perguntas mais frequentes sobre o tema.

Visao Detalhada

O contexto da lista de 2006

O programa “O Maior Brasileiro de Todos os Tempos” foi ao ar entre julho e agosto de 2006, no SBT, sob a apresentação de Carlos Nascimento. A dinâmica era semelhante à de outras versões internacionais: o público votava em seus nomes preferidos por telefone, SMS e internet, e a cada semana uma nova rodada eliminava candidatos até se chegar ao vencedor absoluto. A iniciativa fazia parte de uma onda global de rankings patrióticos que buscavam celebrar figuras nacionais, especialmente em países como Reino Unido, Canadá e Alemanha.

No Brasil, a lista final de 100 nomes misturou estadistas, cientistas, artistas, esportistas e líderes religiosos. O resultado foi amplamente criticado por historiadores e acadêmicos, que apontaram a falta de rigor histórico e a influência desproporcional da televisão e do apelo midiático. Figuras como Chico Xavier, Santos Dumont e Princesa Isabel lideraram, enquanto personalidades como Machado de Assis, Villa-Lobos e Cândido Portinari ficaram em posições mais baixas ou sequer entraram no topo.

Critérios subjetivos e a memória popular

A principal crítica à lista reside na ausência de critérios objetivos. Enquanto um ranking acadêmico poderia considerar a contribuição científica, artística ou política de cada indivíduo, a votação popular refletiu principalmente o reconhecimento imediato, a comoção emocional e a exposição midiática. Isso explica a presença de figuras vivas ou recentes, como Lula, José Serra e Roberto Marinho, e a relativa ausência de nomes do período colonial ou imperial.

Além disso, a lista revela um viés regional e social. Personalidades do Sudeste, especialmente de São Paulo e Rio de Janeiro, aparecem com muito mais frequência do que figuras do Norte, Nordeste ou Centro-Oeste. Da mesma forma, homens brancos e de classe média alta predominam, enquanto negros, indígenas e mulheres são sub-representados, com exceções notáveis como Pelé, Dandara (ausente da lista) e Princesa Isabel.

A influência da mídia e a polêmica contemporânea

Nos anos seguintes, a lista continuou a ser discutida em redes sociais, vídeos do YouTube e matérias jornalísticas. Muitos questionam por que Chico Xavier, um médium e escritor espiritualista, foi escolhido como o maior brasileiro, à frente de nomes como Santos Dumont e Pelé. A resposta provável está no forte apelo emocional do personagem, associado à caridade, à humildade e à espiritualidade, valores caros a grande parte da população brasileira.

Outro ponto polêmico foi a inclusão de políticos ainda em atividade na época, como Lula e José Serra, que geraram debates sobre a isenção do ranking. Críticos apontaram que a votação foi instrumentalizada por campanhas eleitorais e movimentos partidários, comprometendo a legitimidade do resultado.

A lista completa dos 100 maiores brasileiros

A lista original do SBT é a seguinte (apenas os 20 primeiros são apresentados aqui para fins de destaque, mas o artigo considera a totalidade):

  1. Chico Xavier
  2. Santos Dumont
  3. Princesa Isabel
  4. Getúlio Vargas
  5. Tiradentes
  6. Ayrton Senna
  7. Oscar Niemeyer
  8. Lula
  9. Dom Pedro II
  10. Juscelino Kubitschek
  11. Pelé
  12. José Serra
  13. Paulo Freire
  14. Roberto Marinho
  15. Machado de Assis
  16. Padre Cícero
  17. Zumbi dos Palmares
  18. Dom Paulo Evaristo Arns
  19. Rui Barbosa
  20. Hebert de Souza (Betinho)
Os demais 80 nomes incluem figuras como Aleijadinho, Tom Jobim, Darcy Ribeiro, Cacique Raoni, Mário Quintana, Cândido Rondon, Ruth Cardoso, Glauber Rocha, Sérgio Vieira de Mello, entre outros. A lista completa pode ser consultada na Wikipédia em português.

Uma lista por áreas de atuação

Para facilitar a compreensão, organizamos os principais nomes da lista por áreas de destaque:

Política e liderança: Getúlio Vargas, Princesa Isabel, Lula, Juscelino Kubitschek, José Serra, Rui Barbosa, Dom Pedro II, Leonel Brizola, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves.

Ciência e tecnologia: Santos Dumont, César Lattes, Oswaldo Cruz, Vital Brazil, Adolfo Lutz, Maurício de Sousa (criação cultural, mas com influência educacional).

Esportes: Pelé, Ayrton Senna, Garrincha, Marta (presente em listas posteriores, mas não na original), Emerson Fittipaldi, Oscar Schmidt.

Cultura e artes: Oscar Niemeyer, Machado de Assis, Tom Jobim, Villa-Lobos, Aleijadinho, Tarsila do Amaral, Glauber Rocha, Di Cavalcanti, Portinari.

Religião e espiritualidade: Chico Xavier, Padre Cícero, Dom Paulo Evaristo Arns, Irmã Dulce, Dom Hélder Câmara.

Mídia e comunicação: Roberto Marinho, Assis Chateaubriand, Silvio Santos.

Ativismo social: Zumbi dos Palmares, Hebert de Souza (Betinho), Ruth Cardoso, Cacique Raoni.

Uma tabela comparativa de critérios

A tabela a seguir compara como diferentes critérios de “grandeza” posicionariam os mesmos nomes de maneiras distintas. Os valores são hipotéticos, baseados em análise qualitativa, e servem apenas para ilustrar a subjetividade do ranking.

NomeInfluência históricaImpacto culturalReconhecimento popularContribuição científicaNota ponderada (média)
Santos Dumont989109,0
Chico Xavier691026,8
Pelé791016,8
Machado de Assis810726,8
Getúlio Vargas107826,8
Ayrton Senna691016,5
Princesa Isabel86815,8
Observa-se que Santos Dumont, com contribuição científica inquestionável e enorme impacto popular, ocupa a primeira posição na média ponderada, enquanto Chico Xavier perde pontos justamente na contribuição científica. Já Machado de Assis, gênio da literatura, tem reconhecimento popular menor do que esportistas e religiosos.

O Que Todo Mundo Quer Saber

Por que Chico Xavier ficou em primeiro lugar na lista do SBT?

Chico Xavier venceu principalmente pelo forte apelo emocional e religioso. Ele é uma figura associada à caridade, à humildade e à espiritualidade, valores profundamente enraizados na cultura brasileira. Além disso, a votação popular favorece nomes que geram comoção e identificação imediata. A atuação do médium como escritor e filantropo também contribuiu para seu reconhecimento nacional.

A lista do SBT é considerada confiável por historiadores?

Não. A lista é vista como um termômetro de popularidade e memória coletiva, não como um ranking histórico objetivo. Historiadores apontam a falta de critérios claros, a influência da mídia e o viés regional. Muitos nomes de grande relevância acadêmica e científica, como César Lattes e Oswaldo Cruz, ficaram em posições baixas ou não entraram.

Quem foram os principais ausentes da lista?

Entre os ausentes notáveis estão Dandara, líder quilombola; Anita Garibaldi, heroína da Revolução Farroupilha; Mário de Andrade, modernista; Patativa do Assaré, poeta popular; e figuras indígenas como Sepé Tiaraju. A ausência de mulheres e negros é uma das críticas mais frequentes.

A lista original mudou ao longo do tempo?

A lista de 2006 permanece a mesma, mas versões posteriores de outros veículos e plataformas (como a do JetPunk) modificaram a ordem. Nenhuma delas, porém, tem o mesmo impacto midiático que a do SBT. O programa original também teve versões regionais e uma edição especial para eleger o maior brasileiro da história.

Por que figuras vivas como Lula e José Serra aparecem na lista?

A inclusão de políticos em atividade na época gerou polêmica. Isso ocorreu porque a votação foi aberta ao público sem restrições, permitindo campanhas organizadas para impulsionar candidatos. Além disso, a popularidade de Lula, que havia sido reeleito presidente meses antes, e de José Serra, então governador de São Paulo, influenciou diretamente o resultado.

Qual a diferença entre a lista do SBT e outros rankings como o da BBC?

Enquanto a lista do SBT se baseou exclusivamente em votação popular aberta, rankings da BBC e de outras instituições costumam combinar votação popular com avaliação de especialistas. A BBC, por exemplo, no programa “100 Greatest Britons”, teve um painel de historiadores que validaram os nomes. A ausência de curadoria acadêmica na versão brasileira é a principal diferença.

A lista pode ser considerada um reflexo da identidade brasileira?

Sim, em parte. Ela revela os valores que a sociedade brasileira mais admira: espiritualidade, superação, caridade e sucesso esportivo. Por outro lado, a sub-representação de minorias e de intelectuais mostra que a memória popular ainda é fortemente moldada pela mídia e por narrativas hegemônicas.

Existe uma versão atualizada ou revisada da lista?

Várias plataformas online, como o JetPunk e o Ranker, criaram suas próprias versões com votação aberta. Contudo, nenhuma delas obteve a mesma repercussão da original. Em 2020, o canal History Channel Brasil produziu uma série documental sobre os “100 Maiores Brasileiros”, mas com abordagem histórica e não por votação popular.

Reflexoes Finais

A lista dos 100 maiores brasileiros de todos os tempos não é, e nunca pretendeu ser, um documento histórico definitivo. Ela funciona, antes de tudo, como um espelho da memória coletiva e da cultura midiática de um país. Ao colocar Chico Xavier no topo, a votação popular revelou que, para muitos brasileiros, a grandeza está associada à bondade, à espiritualidade e à capacidade de ajudar ao próximo. Ao mesmo tempo, a lista expõe fragilidades: a ausência de nomes fundamentais da ciência, da literatura e da luta social indica que o reconhecimento popular muitas vezes ignora contribuições silenciosas e de longo prazo.

O debate gerado pelo ranking é, em si, mais valioso do que a ordem final. Ele nos convida a refletir sobre quem celebramos, por que celebramos e quais valores estamos perpetuando. Afinal, a grandeza de uma nação não está apenas em seus heróis mais populares, mas também naqueles que, sem grande alarde, constroem o conhecimento, a arte e a justiça social.

Portanto, ao consultar a lista, vale lembrar que ela é um retrato de um momento específico, influenciado pela televisão, pela política e pelas emoções coletivas. Cabe a cada brasileiro buscar suas próprias referências e construir um entendimento mais amplo do que significa ser verdadeiramente grande.

Embasamento e Leituras

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu seu caminho num cruzamento pouco habitado: o que une tecnologia e linguagem. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de estrada, tornou-se referência na curadoria de conteúdo digital no Brasil — não por seguir fórmulas, mas por se recusar a tratar como coisas separadas o ato de programar sistemas e o ato de produzir sentido...

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