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Consulta Publicado em Por Stéfano Barcellos

Onde Fica a Palestina? Veja no Mapa e Entenda

Onde Fica a Palestina? Veja no Mapa e Entenda
Checado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Primeiros Passos

A questão "onde fica a Palestina" é uma das mais recorrentes em debates geopolíticos contemporâneos, mas também uma das mais mal compreendidas. A resposta não é simplesmente um ponto no mapa, pois envolve dimensões históricas, políticas e legais que se entrelaçam há mais de um século. Localizada no coração do Oriente Médio, a Palestina ocupa uma posição geográfica estratégica entre o mar Mediterrâneo e o rio Jordão, em uma região conhecida historicamente como Levante. No entanto, quando se pergunta onde fica a Palestina hoje, a resposta precisa considerar que não se trata de um território contínuo e plenamente soberano, mas de duas áreas separadas: a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, além de Jerusalém Oriental, cujo status permanece em disputa. Compreender a localização da Palestina exige, portanto, mais do que olhar para um mapa: é preciso entender as transformações territoriais ocorridas ao longo do século XX, os conflitos armados, os acordos diplomáticos e a realidade fragmentada que marca a vida de milhões de palestinos na atualidade. Este artigo se propõe a oferecer uma análise completa e atualizada sobre onde fica a Palestina, apresentando dados geográficos, históricos e políticos que permitam ao leitor formar um entendimento sólido sobre o tema.

Aprofundando a Analise

Contexto geográfico e histórico

A Palestina histórica corresponde a uma faixa de terra que se estende por aproximadamente 27 mil quilômetros quadrados, limitada ao oeste pelo mar Mediterrâneo, ao norte pelo Líbano e pela Síria, ao leste pelo rio Jordão e pela Jordânia, e ao sul pelo Egito. Essa região foi palco de importantes civilizações antigas, como os cananeus, filisteus, israelitas, romanos e bizantinos, e posteriormente integrou o Império Otomano por quatro séculos, até o final da Primeira Guerra Mundial. Com o colapso otomano, a região ficou sob mandato britânico, período durante o qual a Declaração Balfour (1917) e a imigração sionista começaram a transformar profundamente a demografia local.

Após a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto, a recém-criada Organização das Nações Unidas aprovou, em 1947, o Plano de Partilha da Palestina, que propunha a divisão do território em dois Estados: um judeu e um árabe-palestino. Jerusalém ficaria sob administração internacional. O plano foi aceito pelos líderes sionistas, mas rejeitado pelos árabes palestinos e pelos países vizinhos. Em 1948, com o fim do mandato britânico e a declaração de independência de Israel, iniciou-se a primeira guerra árabe-israelense. O conflito resultou na expansão territorial de Israel para além das fronteiras propostas pela ONU e na desintegração do projeto de Estado palestino. Cerca de 700 mil palestinos foram expulsos ou fugiram de suas casas, em um evento que os palestinos chamam de Nakba (catástrofe).

Os territórios palestinos atuais

Atualmente, quando se fala em Palestina no contexto geopolítico, refere-se principalmente aos territórios palestinos ocupados por Israel desde 1967: a Cisjordânia (incluindo Jerusalém Oriental) e a Faixa de Gaza. Esses dois territórios não são contíguos e possuem realidades bastante distintas.

A Faixa de Gaza é uma estreita faixa de terra com aproximadamente 365 quilômetros quadrados, localizada na costa sudoeste do Mediterrâneo. Faz fronteira com Israel a leste e com o Egito ao sul. É uma das áreas mais densamente povoadas do planeta, com cerca de 2,3 milhões de habitantes, a maioria refugiados ou descendentes de refugiados da Nakba de 1948. Desde 2007, Gaza é governada pelo Hamas, grupo que Israel, Estados Unidos e União Europeia consideram organização terrorista. Israel mantém um bloqueio terrestre, marítimo e aéreo sobre o território, citando razões de segurança. Esse bloqueio, combinado com conflitos periódicos, especialmente a guerra iniciada em outubro de 2023, gerou uma das piores crises humanitárias do mundo contemporâneo, com destruição maciça de infraestrutura, deslocamento forçado de milhões de pessoas e escassez de alimentos, água e medicamentos.

A Cisjordânia, por sua vez, possui cerca de 5.600 quilômetros quadrados e está situada a leste de Israel, na margem ocidental do rio Jordão e do Mar Morto. Sua população ultrapassa 3 milhões de palestinos, além de aproximadamente 500 mil colonos israelenses que vivem em assentamentos considerados ilegais pelo direito internacional. A Cisjordânia é dividida administrativamente em três áreas (A, B e C), conforme os Acordos de Oslo de 1993: a Área A, sob controle administrativo e de segurança palestino; a Área B, sob controle administrativo palestino e segurança israelense; e a Área C, sob pleno controle israelense. A sede da Autoridade Palestina, que exerce governo limitado sobre partes do território, fica em Ramala. A Cisjordânia é marcada por restrições de circulação, postos de controle militares, expansão contínua de assentamentos e violência frequente entre colonos e palestinos.

Jerusalém Oriental, anexada por Israel em 1980 em uma medida não reconhecida internacionalmente, é reivindicada pelos palestinos como capital de seu futuro Estado. A cidade abriga locais sagrados para as três religiões monoteístas: o Domo da Rocha e a Mesquita de Al-Aqsa (islã), o Muro das Lamentações (judaísmo) e a Igreja do Santo Sepulcro (cristianismo). O status de Jerusalém continua sendo um dos pontos mais sensíveis e intransponíveis nas negociações de paz.

Reconhecimento internacional e status na ONU

Em 1988, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) proclamou o Estado da Palestina, que hoje é reconhecido por mais de 130 países, incluindo Brasil, Rússia, China e Índia. Em 2012, a Assembleia Geral da ONU concedeu à Palestina o status de Estado observador não-membro, o que permitiu sua participação em debates e a adesão a tratados internacionais, embora sem direito a voto na Assembleia Geral. Mais de 130 países reconhecem o Estado palestino, mas grandes potências como Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha ainda não o fazem, condicionando o reconhecimento a negociações diretas com Israel.

É importante destacar que, apesar do reconhecimento diplomático, a Palestina não exerce controle soberano efetivo sobre a maior parte de seu território reivindicado. A Cisjordânia permanece sob ocupação militar israelense, e Gaza enfrenta bloqueio e ataques recorrentes. Na prática, o Estado palestino não possui fronteiras definidas, exército independente ou controle sobre o espaço aéreo e as fronteiras. Essa condição híbrida entre Estado e território ocupado é central para compreender as dificuldades enfrentadas pelos palestinos.

Uma lista dos principais fatos sobre a localização da Palestina

Para facilitar a compreensão, organizei uma lista com os pontos essenciais sobre onde fica a Palestina e suas características atuais:

  1. Localização geográfica: A Palestina está situada no Oriente Médio, na região do Levante, entre o mar Mediterrâneo (oeste) e o rio Jordão (leste), fazendo fronteira com Israel, Jordânia e Egito.
  1. Territórios não contíguos: Os territórios palestinos são compostos por duas áreas separadas por Israel: a Faixa de Gaza (sudoeste) e a Cisjordânia (centro-leste), sem ligação territorial entre si.
  1. Jerusalém Oriental: Embora reivindicada como capital do Estado palestino, Jerusalém Oriental está sob ocupação e anexação israelense, não sendo reconhecida como parte da Palestina pela comunidade internacional.
  1. Área total aproximada: Cerca de 6 mil quilômetros quadrados, sendo 365 km² correspondentes a Gaza e 5.600 km² à Cisjordânia.
  1. População: Mais de 5 milhões de habitantes nos territórios palestinos, com aproximadamente 2,3 milhões em Gaza e cerca de 3,1 milhões na Cisjordânia.
  1. Status internacional: A Palestina é reconhecida como Estado por mais de 130 países e possui status de Estado observador não-membro na ONU desde 2012.
  1. Capital reivindicada: Jerusalém Oriental, embora o governo palestino tenha sua sede administrativa em Ramala, na Cisjordânia.
  1. Contexto de conflito: A região vive sob ocupação militar, bloqueio, violência recorrente e, desde outubro de 2023, uma guerra devastadora em Gaza que já causou dezenas de milhares de mortos e destruição em larga escala.

Uma tabela comparativa entre Faixa de Gaza e Cisjordânia

A tabela a seguir resume as principais diferenças e semelhanças entre os dois territórios palestinos.

AspectoFaixa de GazaCisjordânia
Área365 km²5.600 km²
População (estimativa 2024)Aproximadamente 2,3 milhõesAproximadamente 3,1 milhões
Densidade demográficaExtremamente alta (cerca de 6.300 hab./km²)Alta, mas variável (cerca de 550 hab./km²)
GovernoHamas (desde 2007)Autoridade Palestina (Fatah)
FronteirasIsrael (leste e norte) e Egito (sul); bloqueio marítimo e aéreoIsrael (oeste, norte e sul) e Jordânia (leste); controle militar israelense
Status de ocupaçãoSob bloqueio israelense desde 2007; considerada território ocupado pela ONUSob ocupação militar israelense desde 1967; dividida em áreas A, B e C
Assentamentos israelensesNão há (Israel se retirou em 2005)Cerca de 150 assentamentos legais (segundo Israel) e dezenas de postos avançados; aproximadamente 500 mil colonos
Principais cidadesCidade de Gaza, Khan Younis, RafahRamala, Hebron, Nablus, Jenin, Belém
Crise humanitária (2024)Catastrófica: guerra em curso, fome, deslocamento em massa, destruição de infraestruturaGrave: violência de colonos, operações militares, restrições de circulação e crise econômica

FAQ Rapido

A Palestina é um país? Ela existe como Estado independente?

Sim e não. A Palestina é reconhecida como Estado por mais de 130 países e possui status de observador não-membro na ONU desde 2012. No entanto, na prática, não exerce soberania plena sobre seu território, que permanece sob ocupação militar israelense na Cisjordânia e sob bloqueio em Gaza. Faltam ao Estado palestino elementos clássicos de soberania, como controle efetivo de fronteiras, espaço aéreo e forças armadas independentes.

Qual é a diferença entre Palestina histórica e os territórios palestinos atuais?

A Palestina histórica correspondia a uma área muito maior, que incluía todo o atual território de Israel, a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e partes da Jordânia. Com a criação de Israel em 1948, a guerra de 1967 e as anexações subsequentes, o que restou como território palestino foram apenas Gaza e a Cisjordânia (incluindo Jerusalém Oriental). Portanto, os atuais territórios palestinos representam menos de 22% da área da Palestina histórica.

Onde fica Jerusalém em relação à Palestina?

Jerusalém está localizada na região central dos territórios históricos, dividida entre Jerusalém Ocidental (controlada por Israel) e Jerusalém Oriental (anexada por Israel, mas reivindicada pelos palestinos como capital). Para os palestinos, Jerusalém Oriental é parte integrante de seu futuro Estado. No entanto, Israel considera Jerusalém como sua capital unificada e indivisível, o que é contestado pela quase totalidade da comunidade internacional.

Por que Gaza e Cisjordânia são separadas? Como os palestinos se deslocam entre elas?

Gaza e Cisjordânia são separadas por território israelense, resultado das guerras de 1948 e 1967 e das linhas de cessar-fogo. Não há uma estrada ou corredor terrestre direto controlado pelos palestinos que conecte as duas áreas. Para viajar entre Gaza e a Cisjordânia, os palestinos precisam de autorização especial de Israel, que raramente é concedida, especialmente desde a ascensão do Hamas em Gaza. Na prática, a maioria dos palestinos jamais conseguiu visitar a outra parte de seu território nacional.

A Palestina é reconhecida pela ONU? Qual é seu status oficial?

Sim, a Palestina possui status de Estado observador não-membro na Assembleia Geral da ONU, concedido em 29 de novembro de 2012 pela Resolução 67/19. Esse status permite que a Palestina participe de debates, apresente propostas e adira a tratados internacionais, mas não lhe confere direito a voto na Assembleia Geral nem assento como membro pleno. Para se tornar membro pleno, seria necessária uma recomendação do Conselho de Segurança, que os Estados Unidos têm poder de vetar.

É seguro visitar a Palestina? Turistas podem ir para lá?

Depende do momento e do local. Antes da guerra de 2023, era possível visitar a Cisjordânia, especialmente Belém, Ramala e Jericó, com relativa segurança para turistas estrangeiros. No entanto, a situação de segurança é volátil e pode mudar rapidamente. A Faixa de Gaza não é acessível para turismo desde o bloqueio de 2007 e, atualmente, está em meio a uma guerra devastadora. Qualquer viagem para os territórios palestinos deve ser precedida de consulta às recomendações oficiais do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e de contratação de seguro de viagem abrangente.

Quais são as principais cidades palestinas?

Na Cisjordânia, as principais cidades são Ramala (sede administrativa da Autoridade Palestina), Hebron, Nablus, Jenin, Belém e Jericó. Na Faixa de Gaza, as principais são a Cidade de Gaza, Khan Younis, Rafah e Deir al-Balah. Jerusalém Oriental também é considerada pelos palestinos como parte integrante de seu território, embora esteja sob controle israelense.

Como a guerra de 2023 afetou a localização e o controle da Palestina?

A guerra iniciada em outubro de 2023, após ataques do Hamas contra Israel e a consequente ofensiva israelense em Gaza, alterou profundamente a realidade do território palestino. Grande parte da Faixa de Gaza foi destruída, com mais de 70% das edificações danificadas ou destruídas, segundo a ONU. Milhares de palestinos foram deslocados repetidamente para o sul do território. Na Cisjordânia, houve aumento de operações militares, violência de colonos e restrições de circulação. Diplomaticamente, a guerra acelerou debates sobre o reconhecimento do Estado palestino, com vários países europeus e latino-americanos anunciando ou atualizando seu reconhecimento.

Conclusoes Importantes

Responder à pergunta "onde fica a Palestina" exige muito mais do que apontar um ponto no mapa. A Palestina está geograficamente localizada no Oriente Médio, entre o Mediterrâneo e o Jordão, mas sua existência como entidade política e territorial é marcada por fragmentação, ocupação e conflito. Os territórios palestinos de hoje — Faixa de Gaza e Cisjordânia, com Jerusalém Oriental como capital reivindicada — são o resultado de décadas de guerra, deslocamento forçado e negociações frustradas.

Compreender essa localização significa também entender a luta de milhões de palestinos por autodeterminação, soberania e direitos humanos básicos. A Palestina não é apenas um lugar no mapa, mas um símbolo de resistência, identidade e aspiração nacional. Em um contexto de guerra devastadora em Gaza e tensões crescentes na Cisjordânia, o futuro dos territórios palestinos permanece incerto. O reconhecimento internacional do Estado palestino avança, mas a realidade no terreno continua a ser de ocupação e sofrimento humano. Para qualquer pessoa que deseje compreender o conflito israelo-palestino, entender onde fica a Palestina é o primeiro passo — tão importante quanto reconhecer que essa pergunta ainda não encontrou uma resposta definitiva.

Materiais de Apoio

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu seu caminho num cruzamento pouco habitado: o que une tecnologia e linguagem. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de estrada, tornou-se referência na curadoria de conteúdo digital no Brasil — não por seguir fórmulas, mas por se recusar a tratar como coisas separadas o ato de programar sistemas e o ato de produzir sentido...

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