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Cultura Publicado em Por Stéfano Barcellos

O que não pode fazer na Quaresma: 7 regras essenciais

O que não pode fazer na Quaresma: 7 regras essenciais
Validado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Visao Geral

A Quaresma é um dos períodos mais significativos do calendário cristão, especialmente para a Igreja Católica. Iniciada na Quarta-feira de Cinzas e estendendo-se até a Quinta-feira Santa, antes da celebração da Páscoa, essa temporada de 40 dias convida os fiéis a um mergulho profundo na espiritualidade, na penitência e na preparação para a maior festa do cristianismo: a Ressurreição de Cristo. Mas o que exivamente muda na vida do católico durante esse período? Mais do que uma série de proibições arbitrárias, a Quaresma propõe um conjunto de práticas e renúncias que visam afastar o fiel do pecado e aproximá-lo de Deus.

Muitas pessoas, mesmo não sendo praticantes, conhecem a tradição de “não comer carne na sexta-feira” ou de “fazer jejum”. No entanto, o sentido teológico por trás desses gestos vai muito além de uma mera restrição alimentar. A Quaresma é um tempo de conversão, de revisão de vida e de solidariedade com o próximo. Por isso, entender o que não pode fazer na Quaresma é, na verdade, compreender o que a Igreja recomenda que se evite para viver mais plenamente a fé.

Neste artigo, vamos explorar as sete regras essenciais do que não se deve fazer durante a Quaresma, com base nas orientações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e de outros documentos eclesiásticos. Além disso, apresentaremos uma tabela comparativa entre o que é permitido e o que é proibido, responderemos às perguntas mais frequentes sobre o tema e forneceremos referências atualizadas. Ao final, você terá um guia completo para viver este tempo litúrgico com seriedade, respeito e conhecimento.

Desenvolvimento: o sentido da penitência quaresmal

A palavra “quaresma” vem do latim , que significa “quadragésimo”. Os 40 dias remetem a diversos episódios bíblicos: os 40 anos do povo de Israel no deserto, os 40 dias de Moisés no Monte Sinai e, principalmente, os 40 dias de Jesus no deserto, onde jejuou e foi tentado pelo demônio. A Igreja, ao propor esse período de preparação para a Páscoa, convida cada fiel a fazer sua própria travessia – deixar para trás o homem velho e renascer em Cristo.

Os três pilares da Quaresma, frequentemente reafirmados pela CNBB e pelos papas, são: jejum, oração e esmola (ou caridade). Jejum significa não apenas abster-se de alimentos, mas de tudo aquilo que nos afasta de Deus: o orgulho, a gula, o consumismo. Oração é o diálogo sincero com o Criador. Esmola é a partilha do que temos com quem tem menos. Nesse contexto, o que “não se pode fazer” ganha um sentido muito mais profundo do que uma lista de regras: são convites à libertação interior.

As proibições mais conhecidas, como a abstinência de carne vermelha às sextas-feiras, têm base no Código de Direito Canônico (cânones 1249-1253) e na tradição da Igreja. A carne vermelha, por ser um alimento mais nobre e caro, simboliza o luxo e o prazer excessivo. Ao abrir mão dela, o cristão pratica a mortificação voluntária e lembra-se do sacrifício de Cristo na cruz, que ocorreu numa sexta-feira. Além disso, a economia gerada (já que se deixa de comprar um alimento mais caro) pode ser destinada à caridade.

Nos últimos anos, matérias de veículos como a CNN Brasil e o Diário do Nordeste têm reforçado que a orientação mais difundida continua sendo a abstinência de carne nas sextas-feiras, mas que muitas dioceses permitem a substituição por outra penitência (como não comer doces ou não assistir televisão). A CNBB, em suas diretrizes, destaca que a Quaresma deve ser vivida como “disciplina espiritual”, com foco em reduzir excessos e práticas que desviem do sentido religioso do período.

Outro aspecto importante é que a Quaresma não é um período de tristeza, mas de alegria penitencial. O roxo das vestes litúrgicas simboliza penitência e luto, mas também realeza – o Rei dos reis que se entrega por amor. Por isso, evitar festas e entretenimentos excessivos não significa proibir qualquer tipo de alegria, mas sim redirecionar o coração para o essencial.

Lista: 7 regras essenciais do que não pode fazer na Quaresma

Abaixo, compilamos as principais orientações da Igreja Católica sobre o que deve ser evitado durante a Quaresma. Essas regras não são meras imposições, mas meios de santificação.

  1. Não comer carne vermelha (ou carne de mamíferos e aves) às sextas-feiras – Essa é a regra mais conhecida. A abstinência é obrigatória para os fiéis a partir dos 14 anos. Em algumas regiões, a carne de frango também é incluída, mas o costume tradicional considera apenas a carne de animais de sangue quente. Peixes e frutos do mar são permitidos.
  1. Não quebrar o jejum na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa – O jejum eclesiástico consiste em fazer apenas uma refeição completa no dia, além de dois pequenos lanches (que juntos não equivalham a uma refeição). É obrigatório para católicos dos 18 aos 59 anos.
  1. Evitar excessos em geral – A Quaresma pede moderação em tudo: alimentação, bebidas alcoólicas, compras, consumo de redes sociais, tempo de tela. O foco é o desapego.
  1. Não praticar pecados graves ou veniais deliberadamente – Mais do que uma regra quaresmal, é um mandamento cristão. Mas o período convida a um exame de consciência mais rigoroso e à frequência ao sacramento da Confissão.
  1. Não se envolver em festas e eventos sociais que desviem do espírito penitencial – Bailes, carnavais fora de época, shows e festas noturnas devem ser evitados, especialmente se promoverem comportamentos contrários aos valores cristãos.
  1. Evitar fofocas, julgamentos e palavras ofensivas – A Quaresma é tempo de silêncio interior e de escuta. A oração e a caridade pedem que se evite toda comunicação que magoe ou divida.
  1. Não deixar de praticar a caridade – Embora não seja uma proibição, a omissão da esmola (ajuda ao próximo) é considerada uma falta grave durante a Quaresma. Quem pode dar, deve dar; quem não pode, deve doar tempo ou oração.

Tabela comparativa: o que pode e o que não pode na Quaresma

Para facilitar a visualização, organizei uma tabela com as principais práticas permitidas e proibidas ou desaconselhadas durante o período.

AspectoO que pode/permitidoO que não pode/desaconselhado
AlimentaçãoConsumir peixes, frutos do mar, ovos, laticínios, vegetais, grãosCarne vermelha e de aves às sextas-feiras; excessos em geral
Jejum e abstinênciaJejuar na Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa; escolher outras formas de penitência (não comer doces, não beber refrigerante)Quebrar o jejum obrigatório nos dias determinados; substituir a penitência sem motivo justo
Lazer e entretenimentoLeituras espirituais, filmes ou séries com temática cristã, passeios familiares em harmoniaFestas com bebedeira, shows noturnos, consumo excessivo de redes sociais, jogos de azar
Vida espiritualParticipar de missas, via-sacra, confissão, adoração ao Santíssimo, leitura da BíbliaNegligenciar a oração, não se confessar durante a Quaresma, deixar de participar da Eucaristia dominical
RelacionamentosPraticar a paciência, o perdão, a gentileza; fazer doações; visitar enfermos e presosFofocar, caluniar, discutir sem propósito, alimentar rancor ou vingança
Gastos e consumoGastar com prudência, destinar economia para caridade, comprar apenas o necessárioCompras impulsivas, dívidas desnecessárias, ostentação, desperdício de alimentos ou dinheiro
Essa tabela mostra que a Quaresma não é apenas um conjunto de “nãos”, mas um roteiro de “sins” – sim à vida com Deus, sim ao próximo, sim à própria transformação interior.

Perguntas Frequentes (FAQ) sobre o que não pode fazer na Quaresma

A seguir, respondemos às dúvidas mais comuns sobre as práticas e proibições quaresmais. As respostas baseiam-se nas orientações da Igreja Católica e em fontes atualizadas.

1. Posso comer frango na sexta-feira da Quaresma?

A tradição mais antiga da Igreja considera “carne” a de mamíferos e aves. O Código de Direito Canônico (cânon 1250) fala em “abstinência de carne”, mas não especifica quais animais. Na prática, a maioria das dioceses no Brasil orienta evitar também o frango, embora não seja tão rigoroso quanto a carne bovina ou suína. O peixe é a alternativa clássica. Se houver dúvida, consulte o padre de sua paróquia ou a orientação diocesana.

2. Crianças e idosos precisam seguir o jejum e a abstinência?

Não. O jejum eclesiástico (uma refeição completa) é obrigatório apenas para maiores de 18 anos e menores de 60. A abstinência de carne é obrigatória a partir dos 14 anos. Abaixo dessas idades, os pais podem incentivar alguma forma de penitência adaptada, como não comer doces ou não jogar videogame por um dia, mas não há obrigação moral.

3. O que fazer se eu precisar comer carne por motivo de saúde?

A Igreja sempre considera a saúde em primeiro lugar. Se uma pessoa tem anemia, está em recuperação de cirurgia ou tem restrições alimentares que exigem proteína animal, ela está dispensada da abstinência. Nesse caso, pode-se substituir a penitência por outra obra de caridade ou oração extra. O importante é não perder o espírito quaresmal.

4. Posso fazer festa de aniversário ou casamento durante a Quaresma?

Sim, é permitido. A Igreja não proíbe celebrações familiares. No entanto, recomenda-se que sejam eventos sóbrios, sem excessos de comida, bebida ou música que desrespeitem o clima penitencial. Muitos casais optam por realizar as bodas em período pascal, mas não há impedimento canônico para a Quaresma. O bom senso e a orientação pastoral local devem prevalecer.

5. Existe carne proibida na Quarta-feira de Cinzas?

Sim, a Quarta-feira de Cinzas é dia de jejum e abstinência. Portanto, além de fazer apenas uma refeição completa, o fiel também deve evitar carne vermelha e de aves. É o início oficial do período quaresmal, e a Igreja recomenda que se comece com seriedade.

6. O que diz a Igreja sobre o consumo de bebida alcoólica na Quaresma?

Não há uma proibição explícita nas normas canônicas, mas a CNBB e muitos bispos incentivam a renúncia ao álcool como penitência voluntária. O espírito quaresmal pede moderação em tudo o que possa causar embriaguez ou dependência. Quem tem dificuldade com o álcool pode usar esse período para buscar ajuda e praticar o autocontrole.

7. Posso ir à academia ou fazer exercícios físicos durante a Quaresma?

Sim, atividades físicas não são proibidas. A Quaresma não é um tempo de imobilismo nem de depreciação do corpo, que é templo do Espírito Santo. O que se desaconselha é o excesso de vaidade, a obsessão pelo corpo e o consumo de suplementos ou dietas que comprometam a saúde espiritual. O exercício moderado é saudável e pode ser oferecido como oração.

8. O que não pode fazer na Quaresma em relação ao uso de redes sociais?

A Igreja não proíbe o uso de redes sociais, mas recomenda evitar o consumo excessivo, a exposição a conteúdos impróprios (fofocas, pornografia, discursos de ódio) e a perda de tempo que poderia ser dedicado à oração ou à família. Muitos fiéis fazem “jejum digital” durante a Quaresma, desativando perfis ou limitando o uso a momentos específicos.

Reflexoes Finais

A Quaresma não é um fardo, mas uma ponte. As regras do que não pode fazer durante esses 40 dias existem não para limitar a liberdade, mas para redirecioná-la ao bem maior: a comunhão com Deus e com o próximo. A abstinência de carne, o jejum, a renúncia a festas e excessos são práticas que, quando vividas com fé e consciência, transformam o coração.

Como vimos, as orientações da CNBB e da Igreja Católica são claras, mas também flexíveis. Cada fiel é convidado a assumir penitências adequadas à sua realidade, sempre com espírito de oração e caridade. O mais importante não é a observância mecânica de uma lista, mas a disposição interior de conversão. O que não pode fazer na Quaresma, em última análise, é permanecer indiferente ao amor de Deus.

Ao encerrar este artigo, convidamos você a refletir sobre qual renúncia pode assumir neste ano. Seja deixar o refrigerante, reduzir o tempo de tela, doar roupas ou simplesmente passar mais tempo em silêncio, cada pequeno gesto conta. Afinal, a Páscoa só tem sentido se atravessarmos com Cristo o deserto da Quaresma.

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Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu seu caminho num cruzamento pouco habitado: o que une tecnologia e linguagem. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de estrada, tornou-se referência na curadoria de conteúdo digital no Brasil — não por seguir fórmulas, mas por se recusar a tratar como coisas separadas o ato de programar sistemas e o ato de produzir sentido...

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