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Saúde Publicado em Por Stéfano Barcellos

Ivermectina: Posologia Tabela e Como Usar Corretamente

Ivermectina: Posologia Tabela e Como Usar Corretamente
Auditado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Antes de Tudo

A ivermectina é um medicamento antiparasitário de amplo espectro, derivado das avermectinas, descoberto na década de 1970 e desde então utilizado mundialmente no tratamento de diversas parasitoses. No Brasil, a ivermectina é comercializada em comprimidos de 6 mg e sua administração deve ser rigorosamente baseada no peso corporal e na doença a ser tratada. Apesar de sua eficácia comprovada contra parasitas como o , o (causador da sarna) e o (piolho), seu uso sem critérios — especialmente em doses inadequadas — pode levar a falhas terapêuticas ou efeitos adversos desnecessários.

Nos últimos anos, a ivermectina ganhou grande notoriedade no contexto da pandemia de COVID-19, com discussões polarizadas sobre sua eficácia antiviral. Contudo, as principais agências reguladoras, como a ANVISA e a Organização Mundial da Saúde, reiteram que, até o momento, não há evidências científicas robustas que sustentem o uso da ivermectina para COVID-19 fora de estudos clínicos controlados. Portanto, a posologia tabelada que será apresentada neste artigo refere-se exclusivamente às indicações aprovadas e com respaldo científico.

O objetivo deste artigo é fornecer um guia completo, claro e atualizado sobre a posologia da ivermectina, organizado em tabelas de fácil consulta, lista de indicações, perguntas frequentes e recomendações baseadas em fontes oficiais. A automedicação deve ser evitada; a avaliação médica é indispensável para definir a dose correta, a necessidade de repetição e as contraindicações individuais.

Na Pratica

O que é a ivermectina e como age?

A ivermectina pertence à classe das lactonas macrocíclicas e atua abrindo canais de cloro mediados pelo ácido gama-aminobutírico (GABA) em células nervosas e musculares de invertebrados. Essa ação resulta em paralisia e morte dos parasitas. Em mamíferos, o GABA está restrito ao sistema nervoso central, e a ivermectina normalmente não atravessa a barreira hematoencefálica em doses terapêuticas, o que confere segurança relativa. Contudo, em doses elevadas ou em pacientes com alterações na barreira hematoencefálica (como em meningite), podem ocorrer efeitos neurológicos.

Indicações aprovadas no Brasil

As principais indicações registradas na ANVISA e recomendadas por protocolos clínicos incluem:

  • Estrongiloidíase (infecção por )
  • Escabiose (sarna comum)
  • Pediculose (infestação por piolhos)
  • Oncocercose (infecção por , endêmica em regiões da África e Américas)
  • Filariose linfática (em programas de controle da OMS)
  • Outras parasitoses como ascaridíase e tricuríase, embora com eficácia variável e não sendo tratamento de primeira linha para essas.

Principais fatores que influenciam a dose

A posologia da ivermectina é expressa em microgramas por quilograma de peso corporal (mcg/kg). Os comprimidos disponíveis no Brasil têm 6 mg (equivalente a 6.000 mcg). O cálculo é feito convertendo o peso do paciente em kg, multiplicando pela dose recomendada (geralmente 150 ou 200 mcg/kg) e dividindo pelo teor do comprimido para saber quantos comprimidos inteiros ou frações são necessários.

Os fatores que mais influenciam a dose são:

  1. Doença a ser tratada: diferentes parasitoses exigem doses distintas.
  2. Peso corporal: a dose deve ser ajustada individualmente; crianças e adultos com baixo peso requerem frações de comprimido.
  3. Forma farmacêutica: comprimidos de 6 mg são padrão, mas há formulações em gotas para uso pediátrico (concentração variável conforme fabricante).
  4. Idade e comorbidades: crianças menores de 5 anos, gestantes, lactantes e pessoas com insuficiência hepática necessitam de avaliação médica cuidadosa.

Cuidados essenciais

  • A ivermectina deve ser administrada em jejum ou com pouca alimentação para melhor absorção.
  • As doses repetidas — comuns na escabiose e pediculose — só devem ser feitas sob orientação médica, geralmente após 7 a 14 dias.
  • Efeitos adversos mais comuns incluem tontura, náusea, diarreia, prurido e febre, geralmente leves e autolimitados.
  • Não há antídoto específico; em caso de superdosagem, o tratamento é sintomático.
A seguir, apresentamos uma lista com as principais indicações e uma tabela detalhada de posologia.

Lista das principais indicações da ivermectina

  • Estrongiloidíase: infecção intestinal crônica que pode se tornar grave em imunossuprimidos. Dose única de 200 mcg/kg; em alguns casos, repetição após 7–14 dias.
  • Escabiose (sarna): infestação cutânea altamente contagiosa. Dose única de 200 mcg/kg, podendo repetir em 7–14 dias se persistirem lesões ou se houver reinfestação.
  • Pediculose (piolhos): infestação do couro cabeludo. Dose única de 200 mcg/kg; repetir após 7 dias se necessário.
  • Oncocercose: doença parasitária que afeta pele e olhos. Dose única de 150 mcg/kg, repetida semestralmente em programas de controle.
  • Filariose linfática: administrada em campanhas de massa com doses únicas anuais entre 150 e 200 mcg/kg, conforme protocolo da OMS.
  • Outras parasitoses intestinais (ascaridíase, tricuríase): pode ser utilizada, mas não é tratamento de primeira escolha; dose de 150–200 mcg/kg em dose única.

Tabela comparativa de posologia por indicação

CondiçãoDose usual (mcg/kg)Esquema posológicoObservações
Estrongiloidíase200Dose única. Em casos graves ou imunossupressão, repetir após 7–14 dias.Tratamento de escolha.
Escabiose (sarna)200Dose única; repetir após 7–14 dias se necessário.Associar a medidas de desinfestação de roupas e contatos próximos.
Pediculose (piolhos)200Dose única; repetir após 7 dias se houver sinais de atividade.Pode ser alternativa aos tratamentos tópicos.
Oncocercose150Dose única, repetida a cada 6–12 meses em programas de controle.Não mata vermes adultos, apenas microfilárias.
Filariose linfática150–200Dose única anual, em associação com outros medicamentos (albendazol, dietilcarbamazina).Parte de estratégias de eliminação da OMS.
Tabela prática de dose por faixa de peso (comprimidos de 6 mg) para dose de 200 mcg/kg
Faixa de peso (kg)Dose total (mg)Número de comprimidos de 6 mg
15–243,0–4,81/2 a 4/5 (geralmente 1/2 a 1 comprimido, dependendo da bula)
25–355,0–7,01 comprimido + 1/4 (na prática, 1 comprimido para até ~30 kg)
36–507,2–10,01 1/4 a 1 2/3 (frequentemente 1 1/2 comprimido)
51–6510,2–13,01 3/4 a 2 1/6 (frequentemente 2 comprimidos)
66–7913,2–15,82 1/6 a 2 2/3 (frequentemente 2 1/2 comprimidos)
≥8016,0 ou maisCalcular 200 mcg/kg; ex.: 80 kg = 16 mg = 2 2/3 comprimidos

Perguntas Frequentes (FAQ)

A ivermectina deve ser tomada em jejum ou com alimentos?

A ivermectina é melhor absorvida quando administrada em jejum ou com uma refeição leve e pobre em gorduras. A presença de alimentos gordurosos pode aumentar a absorção e potencializar efeitos adversos, embora nem todas as bulas exijam jejum estrito. Recomenda-se tomar pelo menos 2 horas após ou 1 hora antes de uma refeição.

Posso usar ivermectina para tratar vermes como lombriga ou solitária?

A ivermectina tem atividade contra Ascaris lumbricoides (lombriga) e Trichuris trichiura (tricuríase), mas não é o tratamento de primeira linha para essas parasitoses. Para tênia (solitária) e outros cestoides, a ivermectina não é eficaz. O médico deve indicar o antiparasitário específico para cada caso.

Crianças podem tomar ivermectina? A partir de qual idade?

Sim, crianças a partir de 15 kg (aproximadamente 5 anos) podem utilizar ivermectina, desde que sob prescrição médica. Para crianças menores, a segurança não está bem estabelecida e o uso deve ser criterioso. Existem formulações em gotas (solução oral) que facilitam a dosagem para os menores, mas a dose ainda é calculada por peso.

Qual o intervalo entre as doses quando há repetição do tratamento?

O intervalo recomendado varia conforme a doença. Para escabiose e pediculose, repete-se geralmente após 7 a 14 dias. Na estrongiloidíase, a repetição pode ser necessária em imunossuprimidos, também com 7 a 14 dias de intervalo. Na oncocercose, as repetições são semestrais. Nunca repita a dose sem orientação médica.

A ivermectina tem efeitos colaterais graves?

Em doses terapêuticas, os efeitos adversos são geralmente leves (tontura, náusea, diarreia, prurido). Reações graves são raras e incluem hepatotoxicidade, reações alérgicas intensas e efeitos neurológicos (confusão, ataxia) – estas últimas mais associadas a superdosagem ou pacientes com barreira hematoencefálica comprometida. Em caso de sintomas incomuns, interrompa o uso e procure atendimento médico.

Posso tomar ivermectina durante a gravidez ou amamentação?

A ivermectina é classificada como categoria C na gravidez (risco não pode ser descartado) e não é recomendada durante a gestação, a menos que o benefício potencial justifique o risco. Na lactação, pequenas quantidades são excretadas no leite; por isso, o uso deve ser avaliado pelo médico. A OMS, em programas de filariose, permite o uso em lactantes a partir de 7 dias pós-parto, mas isso depende de contexto epidemiológico.

A ivermectina age contra o coronavírus (COVID-19)?

Até a presente data, não há comprovação científica de eficácia da ivermectina para prevenção ou tratamento da COVID-19 em humanos. Ensaios clínicos controlados não demonstraram benefício significativo. Agências como ANVISA, FDA e OMS desaconselham seu uso para essa finalidade fora de pesquisas autorizadas.

Resumo Final

A ivermectina é um medicamento antiparasitário valioso, com eficácia comprovada em várias doenças infecciosas que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. Sua posologia deve ser rigorosamente individualizada, levando em conta o peso corporal e a condição clínica, conforme as tabelas e orientações apresentadas neste artigo. A automedicação, especialmente com doses inadequadas ou para indicações não aprovadas, pode trazer riscos desnecessários à saúde.

O uso da ivermectina para COVID-19, amplamente difundido em anos recentes, carece de embasamento científico e não é recomendado pelas autoridades sanitárias. Diante de qualquer suspeita de parasitose, o paciente deve buscar avaliação médica para diagnóstico preciso e prescrição adequada. A posologia tabelada serve como guia de consulta, mas nunca substitui o olhar clínico individualizado.

Lembre-se: a ivermectina é um medicamento sujeito a prescrição médica. Consulte sempre fontes oficiais como a ANVISA, o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde para informações atualizadas.

Fontes Consultadas

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu seu caminho num cruzamento pouco habitado: o que une tecnologia e linguagem. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de estrada, tornou-se referência na curadoria de conteúdo digital no Brasil — não por seguir fórmulas, mas por se recusar a tratar como coisas separadas o ato de programar sistemas e o ato de produzir sentido...

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