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Saúde Publicado em Por Stéfano Barcellos

Como Fazer Jejum na Quaresma: Guia Prático e Simples

Como Fazer Jejum na Quaresma: Guia Prático e Simples
Avaliado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Contextualizando o Tema

A Quaresma é um tempo litúrgico de preparação para a Páscoa, que dura quarenta dias e convida os fiéis à conversão, à oração e à penitência. Dentre as práticas tradicionais desse período, o jejum ocupa um lugar central, pois ajuda o cristão a se desapegar dos bens materiais e a se concentrar no essencial: o encontro com Deus. No entanto, muitas pessoas têm dúvidas sobre como fazer o jejum na Quaresma de maneira correta, quais são as regras oficiais da Igreja Católica e como adaptar essa prática à vida moderna.

Este artigo tem como objetivo esclarecer essas questões, apresentando um guia prático e simples baseado nas orientações canônicas mais recentes e na tradição católica. Ao longo do texto, você encontrará informações detalhadas sobre os dias obrigatórios de jejum e abstinência, as idades em que essas práticas são exigidas, exemplos de refeições permitidas, uma tabela comparativa e uma lista de passos para viver o jejum de forma espiritual e saudável. Prepare-se para compreender não apenas o que a Igreja pede, mas também como transformar esse gesto em uma oportunidade de renovação interior.

Por Dentro do Assunto

O que é o jejum na tradição católica?

Na Igreja Católica, o jejum quaresmal não é uma simples dieta ou regime alimentar. Ele é um ato de penitência e mortificação que visa fortalecer a vontade, purificar o espírito e unir o fiel ao sofrimento de Cristo. A prática do jejum está profundamente enraizada nas Escrituras — Moisés, Elias e o próprio Jesus jejuaram antes de momentos cruciais de sua missão. No contexto da Quaresma, o jejum é uma forma de participar da preparação de Jesus no deserto e de se dispor internamente para celebrar a Páscoa.

A Igreja distingue dois conceitos fundamentais: o jejum propriamente dito e a abstinência. O jejum refere-se à restrição da quantidade de alimentos ingeridos ao longo do dia. Já a abstinência diz respeito à qualidade dos alimentos, especificamente à proibição de comer carne de animais de sangue quente (bovinos, suínos, aves, etc.). Ambos podem ser praticados juntos ou separadamente, conforme o dia e a orientação local.

Regras canônicas vigentes para a Quaresma

De acordo com o Código de Direito Canônico e os documentos mais recentes da Igreja, as regras básicas para o jejum na Quaresma são as seguintes:

  • Dias de jejum e abstinência obrigatórios: Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa. Nesses dias, os fiéis que cumprem os requisitos de idade devem fazer jejum e também se abster de carne.
  • Sextas-feiras da Quaresma: todos os outros dias de sexta-feira durante o período quaresmal são dias de abstinência de carne, mas o jejum não é obrigatório (embora seja recomendado como prática devocional).
  • Idade canônica: o jejum é obrigatório para os fiéis entre 18 e 59 anos completos. A abstinência de carne é obrigatória para todos os que têm 14 anos ou mais.
  • Definição de jejum: consiste em fazer uma refeição completa ao longo do dia, podendo-se acrescentar duas refeições menores (por exemplo, um café da manhã leve e um lanche à tarde) que, juntas, não ultrapassem a quantidade de uma refeição completa. Beliscar entre as refeições não é permitido.
  • Líquidos: água, café, chá e sucos naturais são geralmente permitidos, desde que não sejam utilizados como substitutos de alimentos sólidos para burlar o jejum. Contudo, a tradição mais rigorosa recomenda evitar bebidas que contenham açúcar ou leite em excesso, deixando a critério da consciência de cada fiel.
Essas regras foram reafirmadas em diversos conteúdos publicados para o ano litúrgico de 2026, como os disponíveis no site Hallow e na Comunidade Shalom, que são referências confiáveis para os católicos brasileiros.

Como fazer o jejum na prática: orientações espirituais e alimentares

Viver o jejum quaresmal de forma autêntica requer planejamento e intenção espiritual. Não se trata apenas de seguir regras externas, mas de oferecer a Deus um gesto de amor e desapego. Abaixo estão algumas orientações práticas:

  1. Defina o propósito espiritual: antes de começar o jejum, ore e peça a graça de se unir a Cristo. O jejum sem oração corre o risco de se tornar mero ritual. Procure associar cada momento de fome a uma intenção específica (por exemplo, pelos pobres, pela paz no mundo, pela própria conversão).
  1. Planeje as refeições do dia: opte por uma refeição principal no almoço (ou no jantar, conforme sua rotina). As duas refeições menores devem ser leves: uma fatia de pão integral com queijo branco e uma fruta, ou uma sopa rala, por exemplo. Evite alimentos gordurosos e muito calóricos, pois o jejum também é uma forma de disciplina corporal.
  1. Mantenha a abstinência de carne nas sextas-feiras: substitua a carne por peixe, ovos, laticínios, leguminosas ou vegetais. Muitas tradições locais permitem o consumo de frutos do mar e de carne de animais de sangue frio (peixes, crustáceos). Verifique as orientações de sua diocese.
  1. Adapte o jejum em caso de necessidade: pessoas doentes, gestantes, lactantes, idosos acima de 59 anos, trabalhadores que exercem atividades físicas intensas e aqueles com condições médicas específicas estão dispensados do jejum obrigatório. A Igreja recomenda que, nesses casos, se faça uma penitência alternativa (como uma oração extra, um ato de caridade ou a doação de alimentos).
  1. Não transforme o jejum em competição: a prática é pessoal e deve ser vivida com discrição. Jesus mesmo ensinou: “Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas” (Mateus 6,16). O jejum quaresmal não é para exibição, mas para o crescimento interior.
  1. Aproveite o jejum para fortalecer a oração e a esmola: a Quaresma é um tripé de oração, jejum e caridade. O que você economiza com a alimentação reduzida pode ser doado a quem precisa. Além disso, o tempo que você ganha ao não preparar grandes refeições pode ser dedicado à leitura da Bíblia ou à participação na via-sacra.

Uma lista: 7 passos práticos para o jejum quaresmal

Para facilitar a vivência do jejum, organizei uma lista com sete passos simples que podem ser seguidos por qualquer fiel:

  1. Escolha um dia de jejum: comece pela Quarta-feira de Cinzas e pela Sexta-feira Santa, que são obrigatórios. Depois, se desejar, acrescente outras sextas-feiras da Quaresma.
  2. Defina o horário da refeição principal: de preferência no almoço, para que você tenha energia para o trabalho ou estudo. A refeição deve ser balanceada, mas sem excessos.
  3. Prepare duas pequenas refeições: uma no café da manhã (por exemplo, uma xícara de café com leite e uma torrada) e outra no jantar (como uma salada com ovo cozido ou uma sopa de legumes). Lembre-se: a soma não deve equivaler a uma refeição completa.
  4. Evite beliscar: não consuma biscoitos, salgadinhos, doces ou frutas entre as refeições. Se sentir fome, beba água ou chá sem açúcar.
  5. Nas sextas-feiras, exclua carnes de sangue quente: substitua por peixe, ovos, queijo, grão-de-bico, lentilha ou tofu. Verifique se peixes como salmão, sardinha ou atum são permitidos — sim, são.
  6. Mantenha-se hidratado: beba bastante água ao longo do dia. Chás e café preto (sem açúcar) são permitidos, mas evite refrigerantes e bebidas açucaradas.
  7. Encerre o jejum com uma oração: agradeça a Deus pela força concedida e renove seu propósito de conversão. O jejum não termina na última refeição; ele continua como disposição interior.

Uma tabela comparativa: diferenças entre jejum e abstinência

A tabela a seguir resume as principais diferenças entre as duas práticas, ajudando a entender quando cada uma se aplica e como vivê-las corretamente.

AspectoJejumAbstinência
DefiniçãoRestrição da quantidade de alimentos ingeridos no diaProibição de comer carne de animais de sangue quente
O que é permitidoUma refeição completa + duas refeições menoresPeixes, ovos, laticínios, vegetais, leguminosas
O que é proibidoBeliscar entre as refeições; exceder o limite de uma refeição completaCarne bovina, suína, de frango, de cordeiro, etc.
Dias obrigatóriosQuarta-feira de Cinzas e Sexta-feira SantaTodas as sextas-feiras da Quaresma e também nesses dois dias
Idade mínima canônica18 anos completos até 59 anos completos14 anos completos em diante
Exceções comunsDoença, gravidez, lactação, trabalho pesado, idade fora da faixaDoença, alergia alimentar, necessidade médica, falta de recursos para obter alternativa
Objetivo espiritualDomínio do corpo, solidariedade com os pobres, união ao sofrimento de CristoRenúncia ao prazer da carne, memória da Paixão, penitência

Tire Suas Duvidas

Posso beber café ou chá durante o jejum?

Sim, em geral o café e o chá são permitidos durante o jejum quaresmal, desde que não sejam adoçados com açúcar ou mel em excesso, a ponto de se tornarem uma refeição. A tradição mais comum considera que líquidos sem valor calórico significativo (água, café preto, chá sem açúcar) não quebram o jejum. No entanto, algumas orientações mais rigorosas sugerem evitar qualquer tipo de caloria durante as refeições menores. O importante é agir com prudência e não usar bebidas para driblar o espírito de penitência.

O que fazer se eu estiver doente ou grávida?

Pessoas doentes, gestantes, lactantes, idosos acima de 59 anos e aqueles que exercem trabalho físico intenso estão dispensados do jejum obrigatório. A Igreja entende que a saúde e o bem-estar são prioridades. Nesses casos, recomenda-se substituir o jejum por outra forma de penitência, como rezar um terço a mais, visitar um enfermo, ajudar em uma obra de caridade ou fazer uma abstinência simbólica (por exemplo, evitar redes sociais ou doces). Consulte seu médico e seu diretor espiritual para decidir a melhor forma de viver a Quaresma nessas condições.

Crianças e adolescentes precisam jejuar?

Não. O jejum canônico é obrigatório apenas para maiores de 18 anos e até os 59 anos completos. Crianças estão naturalmente dispensadas. Já a abstinência de carne é obrigatória a partir dos 14 anos. No entanto, é muito positivo que os pais ensinem os filhos, de forma gradual e adequada à idade, o significado do jejum e da penitência. Crianças pequenas podem fazer pequenos sacrifícios, como abrir mão de um doce ou de um brinquedo por um dia, sem comprometer a alimentação.

Posso comer peixe ou frutos do mar nas sextas-feiras da Quaresma?

Sim, peixe e frutos do mar são permitidos nos dias de abstinência de carne. A regra geral é que não se pode comer carne de animais de sangue quente (mamíferos e aves). Peixes, crustáceos, moluscos e outros animais de sangue frio são considerados alimentos magros e, portanto, liberados. O mesmo vale para ovos, leite e derivados. Essa tradição é seguida em todo o mundo católico, com pequenas variações regionais (em alguns lugares, também se evita carne de animais de sangue frio em sinal de penitência mais rigorosa, mas isso é opcional).

Qual a diferença entre jejum e abstinência? Preciso fazer os dois?

Jejum é a redução da quantidade de comida; abstinência é a escolha de não comer certos alimentos (carne). Nos dias de Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa, a Igreja pede que os fiéis pratiquem ambos: fazer jejum (uma refeição completa + duas pequenas) e também se abster de carne. Nas demais sextas-feiras da Quaresma, o pedido é apenas de abstinência de carne, embora o jejum seja recomendado como prática espiritual adicional. Portanto, você não precisa jejuar toda sexta-feira, mas deve se abster de carne.

Posso fazer jejum de outra forma (como só pão e água) em vez de seguir as regras oficiais?

Sim, é possível. A Igreja permite que os fiéis adotem formas devocionais mais exigentes de jejum, como o jejum a pão e água, o jejum completo (sem alimentos sólidos) ou o jejum intermitente. No entanto, essas práticas são opcionais e não substituem a obrigação mínima estabelecida pela disciplina canônica. Se você optar por um jejum mais rigoroso, faça-o com discernimento e, de preferência, sob orientação de um diretor espiritual. Lembre-se de que o essencial não é a quantidade de sofrimento, mas a disposição interior de conversão e amor a Deus.

O que acontece se eu quebrar o jejum por acidente ou distração?

O jejum quaresmal é um ato de penitência livre e consciente. Se você quebrar o jejum sem intenção (por exemplo, comeu um biscoito por engano), não há pecado grave. A Igreja não deseja que os fiéis fiquem angustiados com mínimos deslizes. O mais importante é manter o propósito interior. Se você perceber que falhou, retome o jejum no dia seguinte ou na próxima oportunidade. Caso a quebra tenha sido deliberada e sem justificativa (por desleixo ou preguiça), vale a pena refletir sobre o compromisso com a Quaresma e, se sentir necessidade, recorrer ao sacramento da confissão para renovar as forças.

Reflexoes Finais

O jejum na Quaresma é muito mais do que uma obrigação religiosa: é um convite à interioridade, à simplicidade e à solidariedade. Ao reduzir a quantidade de alimentos e ao escolher não comer carne, o fiel se coloca em estado de despojamento, lembrando-se de sua dependência de Deus e abrindo espaço para a oração e a partilha. As regras canônicas — jejum para maiores de 18 anos até 59 anos, abstinência a partir dos 14, e dias específicos — são o piso mínimo que a Igreja propõe, mas cada pessoa pode ir além, de acordo com sua saúde e seu discernimento espiritual.

Mais do que cumprir um calendário, viver o jejum quaresmal é uma oportunidade de transformar o corpo e a alma. Ao sentir a fome, podemos nos lembrar dos que passam necessidade e agir em favor deles. Ao renunciar a um alimento, podemos nos concentrar no que realmente alimenta: a Palavra de Deus e o amor ao próximo. Que este guia prático e simples ajude você a fazer da Quaresma um tempo de verdadeira renovação. Não deixe de consultar as fontes oficiais da Igreja e de buscar o aconselhamento de sua paróquia para uma vivência plena e autêntica desse período santo.

Para Saber Mais

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu seu caminho num cruzamento pouco habitado: o que une tecnologia e linguagem. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de estrada, tornou-se referência na curadoria de conteúdo digital no Brasil — não por seguir fórmulas, mas por se recusar a tratar como coisas separadas o ato de programar sistemas e o ato de produzir sentido...

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