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Saúde Publicado em Por Stéfano Barcellos

Código TUSS Ecocardiograma Bidimensional com Doppler

Código TUSS Ecocardiograma Bidimensional com Doppler
Revisado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Aqui está o artigo completo em Markdown, conforme solicitado.

Abrindo a Discussao

O ecocardiograma bidimensional com Doppler, também conhecido como ecodopplercardiograma transtorácico, é um dos exames cardiológicos mais solicitados na prática clínica. Ele permite a avaliação detalhada da anatomia e função cardíaca, do fluxo sanguíneo intracardíaco e das valvas, sendo essencial no diagnóstico de cardiopatias estruturais, funcionais e valvares.

Para que esse exame seja corretamente registrado, faturado e auditado no âmbito da saúde suplementar brasileira, é indispensável conhecer o código TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar) que o identifica. Cada procedimento possui um código numérico único padronizado pela ANS, e o uso correto desse código evita glosas, negações de pagamento e inconsistências nos prontuários eletrônicos.

Neste artigo, você encontrará tudo sobre o código TUSS do ecocardiograma bidimensional com Doppler, incluindo sua classificação, aplicações clínicas, dicas para faturamento, tabela comparativa com exames similares, perguntas frequentes e referências atualizadas. O conteúdo é direcionado a profissionais de saúde, gestores de clínicas, auditores, faturamento e convênios.

Pontos Importantes

1 O que é o ecocardiograma bidimensional com Doppler?

O ecocardiograma bidimensional (2D) utiliza ultrassom para gerar imagens em tempo real do coração em movimento, em cortes anatômicos (plano longitudinal, transversal, apical, etc.). O Doppler (pulsado, contínuo e colorido) é acoplado para analisar a direção e a velocidade do fluxo sanguíneo, identificando turbulências, regurgitações valvares, estenoses e shunts intracardíacos.

O exame é não invasivo, indolor, sem radiação ionizante e pode ser realizado em adultos, crianças e até em fetos (ecocardiografia fetal). Suas principais indicações incluem:

  • Avaliação de função sistólica e diastólica do ventrículo esquerdo
  • Detecção de hipertrofia ventricular, cardiomiopatias e miocardite
  • Diagnóstico e quantificação de lesões valvares (estenose, insuficiência)
  • Investigação de sopros cardíacos, dor torácica, dispneia de causa cardíaca
  • Avaliação de pericardite, derrame pericárdico e massas cardíacas
  • Estratificação de risco em pacientes com arritmias, síncope ou eventos cardioembólicos
  • Acompanhamento de pacientes com hipertensão arterial sistêmica e insuficiência cardíaca

2 O código TUSS: 40901106

Na Tabela TUSS (versão vigente, atualmente a 3.5), o código oficial é:

40901106 – Ecodopplercardiograma transtorácico

Esse código corresponde exatamente ao exame descrito como "ecocardiograma bidimensional com Doppler" (incluindo Doppler colorido). Ele abrange a realização do exame com os seguintes recursos:

  • Imagem bidimensional do coração em múltiplos cortes
  • Doppler pulsátil, contínuo e colorido
  • Mensurações quantitativas (diâmetros cavitários, espessura parietal, fração de ejeção, velocidades de fluxo)
Classificação hierárquica na TUSS:
  • Capítulo: Procedimentos diagnósticos e terapêuticos
  • Grupo: Métodos diagnósticos por imagem
  • Subgrupo: Ultrassonografia diagnóstica
De acordo com a Tabela TUSS disponível no site do SINDESPE-MG, o código 40901106 está ativo e é amplamente utilizado pelas operadoras de planos de saúde. Ele também está incluído no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS, o que garante cobertura obrigatória para os beneficiários, dentro das diretrizes de utilização estabelecidas.

3 Como usar o código para faturamento

Para faturar corretamente o ecocardiograma bidimensional com Doppler, siga estas orientações:

  1. Verifique a cobertura do plano: O exame está no Rol ANS, portanto, se houver indicação médica, o plano deve cobrir. Contudo, alguns planos podem solicitar autorização prévia (guia de autorização) ou exigir que o exame seja realizado em serviços credenciados.
  1. Informe o código 40901106 na guia de TISS (Troca de Informações na Saúde Suplementar): Utilize o código exato, sem variações, e preencha o campo de procedimento com a descrição "Ecodopplercardiograma transtorácico" ou "Ecocardiograma bidimensional com Doppler", conforme a preferência da operadora.
  1. Atente para a necessidade de glosa: Muitas glosas ocorrem quando se utiliza o código genérico de ultrassom cardíaco (ex.: 40901092 – Ecocardiograma bidimensional sem Doppler). Jamais substitua o código por outro de menor valor, pois isso pode caracterizar fraude ou erro de faturamento.
  1. Documentação adequada: Mantenha no prontuário o laudo médico assinado, as imagens armazenadas e a solicitação médica com a indicação clínica. Em auditoria, esses documentos são fundamentais para comprovar a realização do procedimento.

4 Importância do código correto na gestão de saúde

O uso preciso do código TUSS impacta diretamente a sustentabilidade financeira de clínicas e hospitais. Códigos errados geram:

  • Glosas administrativas: A operadora pode recusar o pagamento se o código não corresponder ao procedimento executado.
  • Retrabalho e atraso no fluxo de caixa: As correções demandam tempo e recursos.
  • Risco de auditoria e multas: Em casos de uso repetitivo de código incorreto, a ANS ou a operadora podem abrir procedimentos de auditoria.
Além disso, os dados agregados de utilização de códigos TUSS são utilizados pela ANS para definir políticas de reajuste de planos, cobertura e incorporação de novas tecnologias. Portanto, cada registro correto contribui para a transparência do sistema.

Lista: Principais indicações clínicas do ecocardiograma bidimensional com Doppler

A seguir, uma lista dos cenários clínicos mais frequentes em que o exame é solicitado:

  1. Suspeita de insuficiência cardíaca – avaliação da fração de ejeção, função diastólica e geometria ventricular.
  2. Sopros cardíacos – diagnóstico de lesões valvares, como estenose aórtica, insuficiência mitral e prolapso valvar.
  3. Dor torácica sem diagnóstico definitivo – para afastar causas cardíacas (isquemia, pericardite, dissecção aórtica incipiente).
  4. Hipertensão arterial sistêmica de difícil controle – avaliação de hipertrofia ventricular esquerda e função diastólica.
  5. Arritmias e síncope – descartar cardiopatia estrutural associada.
  6. Acompanhamento de cardiomiopatias – miocardiopatia dilatada, hipertrófica, restritiva e arritmogênica.
  7. Pré-operatório de cirurgias cardíacas e não cardíacas de alto risco – estratificação de risco.
  8. Pós-operatório de cirurgia valvar ou correção de cardiopatia congênita – avaliação de resultados e complicações.
  9. Evento cardioembólico (AVC, AIT) – investigação de fonte embólica cardíaca, como trombos intracavitários, forame oval patente e aneurisma de septo atrial.
  10. Pericardite e derrame pericárdico – quantificação e avaliação de sinais de tamponamento cardíaco.
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Tabela comparativa: Ecocardiograma bidimensional com Doppler vs. outras modalidades ecocardiográficas

Exame / Código TUSSDescrição ResumidaDiferenciaisIndicações específicas
40901106 – Ecodopplercardiograma transtorácicoEcocardiograma 2D com Doppler pulsado, contínuo e coloridoExame padrão-ouro para avaliação valvar e funcional; baixo custo e não invasivoAvaliação rotineira de cardiopatias, sopros, hipertensão, IC
40901092 – Ecocardiograma bidimensional (sem Doppler)Apenas imagem 2D, sem análise de fluxoMais barato, mas perde informações hemodinâmicasTriagem de massas, derrame pericárdico, cardiopatias congênitas simples
40901114 – Ecodopplercardiograma transesofágicoSonda esofágica, imagem de alta resoluçãoMelhor visualização da aorta torácica, valva mitral e próteses; necessidade de sedaçãoSuspeita de endocardite, trombos atriais, dissecção aórtica, próteses valvares
40901122 – Ecocardiograma com strain bidimensionalAnálise de deformação miocárdica (speckle tracking)Detecta disfunção subclínica (antes da queda da fração de ejeção)Cardiotoxicidade por quimioterapia, doença de Chagas, miocardiopatia hipertrófica
– Ecocardiograma fetal (código específico)Realizado no feto intraúteroImagens obtidas pela parede abdominal maternaCardiopatias congênitas pré-natais, hidropsia fetal
Observação: A codificação TUSS para exames fetais e com contraste (microbolhas) possui códigos próprios, que devem ser consultados na tabela vigente.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual é o código TUSS do ecocardiograma bidimensional com Doppler?

O código correto é 40901106 – Ecodopplercardiograma transtorácico. Esse código é padronizado pela ANS e está presente na Tabela TUSS versão 3.5 e seguintes. Ele abrange a realização do exame com imagens bidimensionais e Doppler colorido.

Posso usar o código 40901092 (ecocardiograma bidimensional sem Doppler) para faturar um exame com Doppler?

Não. O código 40901092 é específico para ecocardiograma bidimensional sem Doppler. Se o exame inclui Doppler colorido ou espectral, você deve obrigatoriamente utilizar o código 40901106. O uso do código errado pode gerar glosa e caracterizar irregularidade no faturamento.

O ecocardiograma com Doppler está no Rol de Procedimentos da ANS?

Sim. O ecodopplercardiograma transtorácico (40901106) está listado no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS, conforme a atualização mais recente. Isso significa que os planos de saúde são obrigados a cobrir o exame, respeitando as diretrizes de utilização (como necessidade de solicitação médica e carências contratuais).

Preciso de autorização prévia do convênio para realizar esse exame?

Depende do plano de saúde e do tipo de contrato. Muitas operadoras exigem autorização prévia (guia de autorização) para procedimentos de diagnóstico por imagem, mesmo estando no Rol ANS. Consulte o manual da operadora ou o sistema de autorização online. A falta de autorização pode levar à negativa de pagamento ou reembolso.

Qual a diferença entre ecocardiograma bidimensional com Doppler e o ecocardiograma com strain?

O ecocardiograma bidimensional com Doppler (40901106) avalia a morfologia cardíaca e o fluxo sanguíneo. Já o ecocardiograma com strain (análise de deformação miocárdica) é uma técnica avançada que permite detectar alterações sutis na contratilidade do músculo cardíaco, antes mesmo da redução da fração de ejeção. O strain geralmente é um complemento ao exame convencional, mas possui código TUSS próprio (não incluso no 40901106).

O código 40901106 pode ser usado para ecocardiograma fetal?

Não. O ecocardiograma fetal possui códigos TUSS específicos, como 40901173 (Ecocardiografia fetal) ou similares, dependendo da versão da tabela. O código 40901106 é reservado para exames transtorácicos realizados no paciente após o nascimento. Consulte a tabela TUSS atualizada para o código correto.

Como saber se o código TUSS que estou usando está desatualizado?

A ANS publica periodicamente atualizações da Tabela TUSS. A versão mais recente é a 3.5 (vigente desde 2022, com atualizações pontuais). Você pode consultar o site da ANS ou plataformas como a iClinic para verificar a situação de cada código. É recomendável que clínicas e operadoras mantenham um sistema de atualização automática.

Existe diferença no valor de reembolso entre o código 40901106 e o 40901092?

Sim. Como o código 40901106 inclui o Doppler, ele geralmente possui valor de reembolso ou de tabela de honorários maior do que o código sem Doppler (40901092). As operadoras estabelecem valores de referência próprios, mas a tendência é de que o exame mais completo seja mais bem remunerado.

Posso faturar como ecocardiograma bidimensional com Doppler um exame que foi realizado apenas com Doppler contínuo?

Não. O código 40901106 exige que o exame contenha os componentes mínimos: imagem bidimensional em pelo menos dois cortes e análise Doppler com pelo menos modalidade espectral (pulsátil/ contínuo) e colorido. Se apenas o Doppler contínuo for utilizado sem imagem 2D, o procedimento não se enquadra nesse código. Consulte as diretrizes técnicas da Sociedade Brasileira de Cardiologia e as regras de cada operadora.

O que fazer se o plano de saúde recusar o pagamento com base no código?

Primeiro, verifique se o código está correto e se a guia de solicitação está de acordo. Em caso de negativa, solicite o motivo formal por escrito. Se o exame estiver coberto pelo Rol ANS e a recusa for indevida, você pode recorrer à ANS por meio do portal de reclamações, ou buscar orientação jurídica. A documentação do prontuário e do laudo são fundamentais.

Fechando a Analise

O código TUSS 40901106 – Ecodopplercardiograma transtorácico é a referência oficial para o ecocardiograma bidimensional com Doppler no Brasil. Conhecer esse código e utilizá-lo corretamente no faturamento é essencial para evitar glosas, garantir o recebimento justo pelo procedimento e manter a conformidade com as regras da ANS.

O exame continua sendo uma ferramenta indispensável na cardiologia moderna, sendo capaz de fornecer, de forma rápida e não invasiva, informações fundamentais para o diagnóstico e acompanhamento de doenças cardíacas. A padronização proporcionada pela TUSS permite que clínicas, hospitais e operadoras de saúde operem com transparência e eficiência.

Profissionais da área de faturamento e auditoria devem manter-se atualizados sobre as versões da Tabela TUSS e as orientações da ANS. Além disso, é recomendável consultar fontes oficiais e plataformas especializadas sempre que houver dúvida sobre a codificação de procedimentos.

Embasamento e Leituras

Para aprofundamento e verificação dos dados apresentados, consulte as seguintes fontes confiáveis:

  1. TUSS de Ecodopplercardiograma transtorácico - iClinic – Base de consulta de códigos TUSS com informações atualizadas.
  1. Tabela TUSS em PDF - SINDESPE-MG – Documento oficial da Terminologia Unificada da Saúde Suplementar, versão 3.5.
  1. Ecocardiograma Bidimensional com Doppler Colorido - Medcor Cardiologia – Descrição do exame pelo serviço de cardiologia, incluindo indicações clínicas.
  1. ANS - Ecocardiograma Transtorácico com Strain Bidimensional (documento técnico) – Documento da Agência Nacional de Saúde Suplementar que contextualiza a evolução da ecocardiografia.
  1. Tabela TUSS 3.5 - Unimed – Versão da tabela TUSS disponibilizada pela Unimed do Brasil.
  1. Código TUSS do eletrocardiograma - Telemedicina Morsch – Artigo complementar sobre codificação TUSS em exames cardiológicos.
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Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu seu caminho num cruzamento pouco habitado: o que une tecnologia e linguagem. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de estrada, tornou-se referência na curadoria de conteúdo digital no Brasil — não por seguir fórmulas, mas por se recusar a tratar como coisas separadas o ato de programar sistemas e o ato de produzir sentido...

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