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Saúde Publicado em Por Stéfano Barcellos

CIAP 2 Tabela: Guia Completo e Atualizado

CIAP 2 Tabela: Guia Completo e Atualizado
Aprovado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Primeiros Passos

A Classificação Internacional de Atenção Primária, em sua segunda edição (CIAP-2), representa um dos pilares da documentação clínica na Atenção Primária à Saúde (APS). Diferentemente de classificações focadas exclusivamente em diagnósticos, a CIAP-2 foi desenvolvida para capturar a complexidade do cuidado primário, registrando não apenas os diagnósticos estabelecidos, mas também os motivos da consulta, os sintomas inespecíficos, os procedimentos realizados e as ações preventivas. Esse caráter abrangente a torna especialmente útil em cenários onde o paciente chega com queixas vagas ou em estágios iniciais de uma doença, algo extremamente comum no dia a dia das unidades básicas de saúde.

No Brasil, a CIAP-2 é adotada oficialmente no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente por meio do sistema e-SUS APS (Estratégia de Saúde da Família). Sua utilização permite padronizar os registros clínicos, facilitar a comunicação entre profissionais e serviços, e gerar dados epidemiológicos consistentes para o planejamento de ações de saúde pública.

Este artigo tem como objetivo fornecer um guia completo e atualizado sobre a tabela CIAP-2: sua estrutura, aplicação prática, vantagens, desafios e as melhores fontes de consulta. Além disso, apresentaremos exemplos concretos, uma tabela comparativa e uma seção de perguntas frequentes para esclarecer as dúvidas mais comuns entre profissionais da saúde, gestores e estudantes.

Entenda em Detalhes

1 O que é a CIAP-2?

A CIAP-2 foi desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com a WONCA (World Organization of Family Doctors). Ela substituiu a primeira versão (CIAP-1) e trouxe uma estrutura mais lógica e ampliada, com 17 capítulos representados por letras do alfabeto (A a Z, excluindo algumas letras), cobrindo desde problemas gerais e inespecíficos até condições específicas de cada sistema orgânico. Cada capítulo é subdividido em códigos numéricos de dois dígitos, criando assim uma nomenclatura alfanumérica de três caracteres (ex.: A03, K86, P76).

A classificação possui dois grandes blocos:

  • Componentes clínicos e problemas de saúde: englobam sintomas, queixas, diagnósticos, doenças crônicas e agudas. Exemplos: `A01` (dor generalizada), `D11` (diarreia), `R05` (tosse), `K86` (hipertensão não complicada).
  • Procedimentos e razões administrativas: representados por códigos que iniciam com um hífen seguido de dois dígitos. Exemplos: `-30` (exame médico/avaliação completa), `-44` (vacinação/medicação preventiva), `-62` (procedimento administrativo).

2 Estrutura da tabela CIAP-2

A tabela completa da CIAP-2 é organizada por capítulos (letras), conforme abaixo:

CapítuloDescriçãoExemplo de código
AProblemas gerais e inespecíficosA03 – Febre
BSangue, órgãos hematopoiéticos, linfáticos, baçoB80 – Anemia ferropriva
DAparelho digestivoD11 – Diarreia
FOlhos e anexosF71 – Conjuntivite alérgica
HOuvidosH72 – Otite média aguda
KAparelho circulatórioK86 – Hipertensão não complicada
LAparelho musculoesqueléticoL01 – Dor no pescoço
NSistema nervosoN01 – Cefaleia
PProblemas psicológicosP76 – Depressão
RAparelho respiratórioR05 – Tosse
SPele e fânerosS88 – Dermatite de contato
TAparelho endócrino, metabólico e nutricionalT90 – Diabetes mellitus tipo 2
UAparelho urinárioU71 – Cistite aguda
WGravidez, parto, puerpérioW72 – Pré-eclâmpsia
XAparelho genital femininoX84 – Vulvovaginite
YAparelho genital masculinoY75 – Prostatite
ZProblemas sociaisZ01 – Problemas de relacionamento familiar
Cada código numérico dentro de um capítulo pode representar um sintoma (ex.: `K01` – dor cardíaca), um diagnóstico confirmado (`K86`), um procedimento (`-44`) ou uma condição preventiva (`-58` – aconselhamento/discussão). Essa flexibilidade é essencial para a APS, onde o profissional muitas vezes precisa registrar uma queixa que ainda não se transformou em um diagnóstico definitivo.

3 Uso atual no Brasil

A CIAP-2 é amplamente utilizada na Atenção Primária brasileira, especialmente por meio do sistema e-SUS APS (Prontuário Eletrônico do Cidadão). O Ministério da Saúde recomenda o uso da classificação para:

  • Registro do motivo da consulta (o que o paciente relata).
  • Registro do diagnóstico ou problema de saúde identificado.
  • Registro de procedimentos realizados (consultas, vacinas, exames, encaminhamentos).
Além disso, diversas secretarias estaduais e municipais disponibilizam tabelas de apoio e sumários da CIAP-2, como a Secretaria da Saúde da Bahia e a Atenção Primária do Rio Grande do Sul. Esses materiais são fundamentais para treinamentos e consultas rápidas no cotidiano clínico.

Outro ponto importante é a integração da CIAP-2 com a CID-10. Muitas instituições mantêm tabelas de correspondência (mapeamento) para permitir que os registros feitos em CIAP-2 possam ser convertidos para CID-10 em análises epidemiológicas ou em sistemas que exigem essa codificação. Um exemplo é a tabela de relação CIAP-2 e CID-10 disponibilizada pela UFSC para o e-SUS APS.

4 Vantagens da CIAP-2 na APS

  1. Captura de queixas inespecíficas: Diferente da CID-10, que exige um diagnóstico estabelecido, a CIAP-2 permite registrar sintomas como “fadiga”, “febre” ou “dor generalizada”, que são muito comuns na atenção primária.
  2. Padronização dos registros: O uso de uma classificação única facilita a comparabilidade entre diferentes equipes, municípios e estados.
  3. Melhoria na comunicação entre profissionais: Médicos, enfermeiros, dentistas e outros especialistas podem usar a mesma linguagem clínica.
  4. Apoio à gestão e planejamento: Os dados agregados permitem identificar os problemas de saúde mais prevalentes em um território, orientando a alocação de recursos e a criação de programas específicos.
  5. Integração com sistemas de informação: A CIAP-2 é nativa no e-SUS APS, sendo de fácil inserção nos prontuários eletrônicos.

5 Desafios e limitações

Apesar de seus benefícios, a CIAP-2 enfrenta alguns desafios:

  • Curva de aprendizado: Profissionais acostumados com a CID-10 podem estranhar a estrutura por capítulos e a ênfase em sintomas.
  • Limitação de códigos para procedimentos: O bloco de procedimentos (`-30` a `-69`) é relativamente enxuto, podendo não cobrir todas as ações realizadas na APS.
  • Necessidade de atualização constante: Embora a CIAP-2 seja estável, novas condições de saúde (como a COVID-19) exigiram adaptações e orientações específicas.
  • Inconsistência no mapeamento CID-10: Nem sempre há uma correspondência exata entre um código CIAP-2 e um CID-10, o que pode gerar perda de informação em conversões automáticas.

Lista de códigos CIAP-2 mais comuns na APS brasileira

A seguir, uma lista com alguns dos códigos mais frequentemente utilizados por profissionais da atenção primária, organizados por capítulo e com breve descrição:

  • A03 – Febre
  • A04 – Fadiga/debilidade geral
  • A11 – Dor torácica não cardíaca
  • B80 – Anemia ferropriva
  • D11 – Diarreia
  • D87 – Dispepsia/indigestão
  • F71 – Conjuntivite alérgica
  • K86 – Hipertensão arterial não complicada
  • K87 – Hipertensão com complicações
  • L01 – Dor no pescoço
  • L02 – Dor nas costas
  • L03 – Dor na região lombar
  • N01 – Cefaleia
  • P76 – Depressão
  • R05 – Tosse
  • R74 – Infecção respiratória aguda
  • S88 – Dermatite de contato
  • T90 – Diabetes mellitus tipo 2
  • U71 – Cistite aguda
  • Z01 – Problemas de relacionamento familiar
  • -44 – Vacinação/medicação preventiva
  • -58 – Aconselhamento/discussão
  • -62 – Procedimento administrativo

Tabela comparativa: CIAP-2 vs CID-10 para Atenção Primária

AspectoCIAP-2CID-10
FocoAtenção primária, sintomas e procedimentosDiagnósticos médicos (todos os níveis)
Estrutura17 capítulos (letras) + códigos numéricos de 2 dígitos22 capítulos (numéricos romanos) + códigos alfanuméricos
Registro de sintomasSim, códigos específicos para queixas inespecíficasLimitado; exige diagnóstico ou sintoma codificado de forma genérica
Registro de procedimentosSim, bloco `-30` a `-69`Não possui campo específico; procedimentos são registrados em outros sistemas
Facilidade de uso na APSAlta (criada para esse fim)Média (mais detalhada, mas menos intuitiva para queixas vagas)
Integração com e-SUS APSNativa e obrigatóriaUtilizada em complemento (conversão)
AtualizaçãoVersão estável desde 1999; adaptações pontuaisRevisões periódicas (CID-11 já disponível)
Reconhecimento internacionalAmplamente usado em países com APS forteUniversalmente aceito para estatísticas de mortalidade e morbidade

Principais Duvidas

O que é a CIAP-2 e qual sua principal finalidade?

A Classificação Internacional de Atenção Primária – 2ª edição (CIAP-2) é um sistema de codificação desenvolvido pela OMS e pela WONCA para registrar os motivos de consulta, os problemas de saúde, os diagnósticos e os procedimentos realizados no âmbito da Atenção Primária à Saúde. Sua principal finalidade é padronizar os registros clínicos na APS, permitindo a coleta de dados epidemiológicos consistentes e a melhoria da comunicação entre os profissionais.

Qual a diferença entre CIAP-2 e CID-10?

A CID-10 é focada em diagnósticos médicos estabelecidos, sendo amplamente utilizada para estatísticas de mortalidade e morbidade hospitalar. Já a CIAP-2 é desenhada especificamente para a atenção primária, permitindo registrar sintomas inespecíficos, queixas iniciais e procedimentos. Enquanto a CID-10 possui mais de 12.000 códigos, a CIAP-2 possui cerca de 700 códigos, tornando-a mais prática para o dia a dia das unidades básicas de saúde.

Como consultar a tabela completa da CIAP-2?

A tabela completa está disponível em diversos sites oficiais. Recomendamos a consulta ao PDF disponibilizado pela Secretaria de Saúde da Bahia (acesse aqui) e ao sumário da Atenção Primária do Rio Grande do Sul (acesse aqui). Ambos contêm a lista completa de códigos, descrições e orientações de uso.

A CIAP-2 é obrigatória nos sistemas de saúde no Brasil?

Sim, o Ministério da Saúde estabeleceu a CIAP-2 como classificação padrão para registro clínico no âmbito do e-SUS APS (Estratégia de Saúde da Família). Embora não substitua completamente a CID-10 para fins de declaração de óbito ou registros hospitalares, seu uso é obrigatório para o registro de atendimentos ambulatoriais na APS pública.

Como faço para converter um código CIAP-2 para CID-10?

Existem tabelas de correspondência oficiais desenvolvidas pela UFSC para o e-SUS APS. Você pode consultar a relação completa em Relação CIAP-2 e CID-10. Essa ferramenta é útil para integrações com sistemas que exigem a codificação CID-10, garantindo a interoperabilidade dos dados.

Quais são os códigos de procedimento mais utilizados na CIAP-2?

Os códigos de procedimento são identificados por um hífen seguido de dois dígitos. Os mais comuns são: -30 (exame médico/avaliação completa), -44 (vacinação/medicação preventiva), -50 (curativo/tratamento local), -58 (aconselhamento/discussão) e -62 (procedimento administrativo). Cada um deles possui uma descrição padronizada.

A CIAP-2 cobre problemas de saúde mental?

Sim. O capítulo P (Problemas psicológicos) inclui códigos para transtornos comuns na APS, como depressão (P76), ansiedade (P74), insônia (P06), estresse (P02) e uso abusivo de álcool (P15). É uma das áreas mais utilizadas da classificação, dado o grande volume de queixas emocionais na atenção primária.

Fechando a Analise

A CIAP-2 é uma ferramenta indispensável para a qualificação do registro clínico na Atenção Primária à Saúde. Sua estrutura simplificada, porém abrangente, permite capturar a complexidade do cuidado no primeiro nível de atenção, valorizando tanto os diagnósticos estabelecidos quanto as queixas iniciais e os procedimentos preventivos. No Brasil, a adoção da CIAP-2 por meio do e-SUS APS representa um avanço significativo na padronização dos dados de saúde, contribuindo para a transparência, a comparabilidade e a gestão baseada em evidências.

Para os profissionais que atuam na APS, dominar a tabela CIAP-2 é mais do que uma exigência técnica; é uma competência que facilita o dia a dia, melhora a comunicação entre equipes e garante que cada atendimento seja registrado de forma precisa e útil. As fontes oficiais citadas neste artigo – como a tabela da Secretaria da Bahia e o sumário do Rio Grande do Sul – são referências seguras para consulta e treinamento.

Incentivamos todos os profissionais, gestores e estudantes a se aprofundarem no uso da CIAP-2, explorando suas potencialidades e contribuindo para a consolidação de uma APS mais eficiente, integrada e centrada no paciente.

Embasamento e Leituras

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu seu caminho num cruzamento pouco habitado: o que une tecnologia e linguagem. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de estrada, tornou-se referência na curadoria de conteúdo digital no Brasil — não por seguir fórmulas, mas por se recusar a tratar como coisas separadas o ato de programar sistemas e o ato de produzir sentido...

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