Abrindo a Discussao
A genealogia, ciência que estuda a origem e a descendência das famílias, sempre despertou curiosidade nas pessoas. Saber quem foram nossos antepassados, quantas gerações nos separam deles e como nomear corretamente cada grau de parentesco é uma tarefa que pode gerar dúvidas, especialmente quando os termos se tornam mais distantes. Expressões como avô, bisavô, tataravô e depois – o que vem a seguir? – são fonte constante de consulta em dicionários, fóruns de genealogia e até mesmo em programas de rádio que tratam de língua portuguesa.
Este artigo tem como objetivo esclarecer de forma definitiva a nomenclatura das gerações ascendentes, desde o avô até além do tataravô, considerando tanto o uso popular quanto o uso técnico da genealogia. Além disso, abordaremos a variação semântica que cerca o termo tataravô, a sequência numérica de prefixos greco-latinos e a importância dos testes de DNA e das plataformas digitais na popularização do conhecimento sobre os ancestrais. Ao final, você encontrará uma lista organizada, uma tabela comparativa, perguntas frequentes respondidas e referências confiáveis para aprofundamento.
Aprofundando a Analise
O significado dos termos
A base da nomenclatura genealógica em português é relativamente simples. O avô é o pai do pai ou da mãe. Subindo uma geração, encontramos o bisavô, que é o pai do avô ou da avó. Mais uma geração acima, temos o trisavô (pai do bisavô ou da bisavó). Continuando, o tetravô é o pai do trisavô ou da trisavó. A partir daí, os genealogistas usam prefixos numéricos derivados do grego (penta, hexa, hepta, octa, nona, deca) para designar as gerações seguintes: pentavô, hexavô, heptavô, octavô, nonavô e decavô.
No entanto, a confusão surge com o termo tataravô. Na linguagem coloquial, muitas pessoas usam tataravô para se referir ao trisavô (terceiro avô). Em outras regiões, tataravô é empregado como sinônimo de tetravô (quarto avô). O Só Português registra essa ambiguidade e explica que, do ponto de vista lexicográfico rigoroso, tataravô equivale a tetravô. Já na prática genealógica, muitos estudiosos preferem usar os prefixos numéricos para evitar confusões.
Variações de uso: popular versus técnico
A principal divergência está entre o uso popular e o uso técnico. No dia a dia, as famílias raramente precisam ir além do bisavô ou do tataravô (que, para elas, é o pai do bisavô). Por isso, a sequência espontânea costuma ser: avô → bisavô → tataravô. Ao tentar nomear gerações ainda mais antigas, as pessoas ficam sem referência.
Em contrapartida, a genealogia técnica adota uma terminologia padronizada desde o século XIX, baseada nos prefixos latinos bis (duas vezes), tris (três vezes), tetris (quatro vezes) e assim por diante. Essa nomenclatura é utilizada em registros paroquiais, testamentos antigos e árvores genealógicas formais. Um exemplo disso pode ser encontrado no fórum Geneall.net, onde genealogistas debatem a melhor forma de designar o quinto avô.
Para quem está começando a pesquisar a própria ascendência, saber que tataravô pode ter dois significados é fundamental. Ao consultar um documento histórico, é preciso verificar o contexto para entender a que geração ele se refere. Já em sites de genealogia colaborativa, como FamilySearch e MyHeritage, os sistemas costumam usar a contagem numérica (bisavô = 2º avô, trisavô = 3º avô, tetravô = 4º avô), o que elimina a ambiguidade.
A sequência depois de tataravô
Depois do tataravô (seja ele o trisavô ou o tetravô), a lógica dos prefixos numéricos se aplica perfeitamente. A tabela abaixo mostra a sequência completa para as gerações masculinas e femininas, mas antes de apresentá-la em formato de tabela, convém listar os termos em ordem crescente.
Uma lista dos antepassados diretos (linha masculina)
- Pai – progenitor imediato.
- Avô – pai do pai ou da mãe.
- Bisavô – pai do avô ou da avó.
- Trisavô – pai do bisavô ou da bisavó.
- Tetravô – pai do trisavô ou da trisavó.
- Pentavô – pai do tetravô ou da tetravó.
- Hexavô – pai do pentavô ou da pentavó.
- Heptavô – pai do hexavô ou da hexavó.
- Octavô – pai do heptavô ou da heptavó.
- Nonavô – pai do octavô ou da octavó.
- Decavô – pai do nonavô ou da nonavó.
Uma tabela comparativa de dados relevantes
A tabela a seguir compara a nomenclatura masculina e feminina para cada geração ascendente, incluindo a contagem de gerações em relação ao indivíduo referencial (Ego). Também indica o uso popular mais comum.
| Geração | Nome masculino | Nome feminino | Grau de parentesco (distância) | Uso popular típico |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Pai | Mãe | 1ª geração ascendente | Pai / Mãe |
| 2 | Avô | Avó | 2ª geração ascendente | Avô / Avó |
| 3 | Bisavô | Bisavó | 3ª geração ascendente | Bisavô / Bisavó |
| 4 | Trisavô | Trisavó | 4ª geração ascendente | Tataravô / Tataravó (equivocado) |
| 5 | Tetravô | Tetravó | 5ª geração ascendente | Tataravô (em algumas regiões) |
| 6 | Pentavô | Pentavó | 6ª geração ascendente | “Quinto avô” (raro) |
| 7 | Hexavô | Hexavó | 7ª geração ascendente | “Sexto avô” |
| 8 | Heptavô | Heptavó | 8ª geração ascendente | “Sétimo avô” |
| 9 | Octavô | Octavó | 9ª geração ascendente | “Oitavo avô” |
| 10 | Nonavô | Nonavó | 10ª geração ascendente | “Nono avô” |
| 11 | Decavô | Decavó | 11ª geração ascendente | “Décimo avô” |
Genealogia digital e a popularização do conhecimento
O tema “avô, bisavô, tataravô e depois” ganhou novo fôlego com o advento das plataformas de árvore familiar online e dos testes de DNA. Serviços como Ancestry, MyHeritage e FamilySearch permitem que qualquer pessoa monte sua árvore genealógica com informações fornecidas por parentes e documentos digitalizados. Isso faz com que muitos usuários se deparem com a necessidade de nomear gerações além do tataravô.
Além disso, os testes de DNA autossômico revelam parentescos com pessoas que compartilham segmentos de DNA herdados de antepassados comuns. Ao tentar interpretar esses resultados, os usuários frequentemente buscam entender quantas gerações os separam de um ancestral em comum. A nomenclatura precisa, portanto, torna-se uma ferramenta prática.
Programas de rádio e colunas de consultório linguístico, como o CBN Globo, também abordam a confusão entre tataravô e trisavô, ajudando a esclarecer o público leigo. Esses conteúdos educativos são importantes para padronizar o uso e evitar equívocos em documentos familiares.
O Que Todo Mundo Quer Saber
Afinal, tataravô é o mesmo que trisavô?
Não necessariamente. No uso popular, muitas pessoas chamam o pai do bisavô de tataravô, o que corresponde ao trisavô (3º avô). No entanto, em obras lexicográficas e na genealogia técnica, tataravô é considerado sinônimo de tetravô (4º avô). Por isso, é sempre bom verificar o contexto ou optar pelos termos numéricos (trisavô, tetravô) para evitar ambiguidades.
Qual a sequência correta depois do tataravô?
Se você adotar tataravô como tetravô, depois vêm pentavô, hexavô, heptavô, octavô, nonavô e decavô. Caso use tataravô como trisavô, o termo seguinte seria tetravô. Em ambos os casos, muitos genealogistas preferem a forma descritiva “quinto avô”, “sexto avô” etc., que é de compreensão imediata.
Existe uma diferença entre “trisavô” e “bisavô do bisavô”?
Sim. O trisavô é o pai do bisavô. Já “bisavô do bisavô” seria o pai do bisavô do seu bisavô, o que corresponderia a uma geração ainda mais distante (pentavô, por exemplo). A expressão “bisavô do bisavô” é ambígua e deve ser evitada; é melhor usar a nomenclatura padronizada.
Como chama a geração imediatamente anterior ao avô?
A geração imediatamente anterior ao avô é o bisavô. No caso da avó, é a bisavó. O bisavô é o pai do avô ou da avó; a bisavó é a mãe do avô ou da avó.
Os termos femininos seguem a mesma lógica?
Sim. Para cada termo masculino há o correspondente feminino: avó, bisavó, trisavó, tetravó, pentavó, hexavó, heptavó, octavó, nonavó, decavó. O mesmo cuidado com “tataravó” se aplica – ele pode ser usado como trisavó ou tetravó, dependendo da região.
Por que existem duas formas de nomear a mesma geração?
Isso ocorre porque a língua portuguesa não possui uma padronização oficial única para além do bisavô. O termo “tataravô” entrou no vocabulário popular de forma espontânea, e seu significado se deslocou ao longo do tempo. A forma técnica, com prefixos numéricos (trisavô, tetravô etc.), foi desenvolvida por genealogistas e registrada em dicionários, mas nem sempre é difundida fora do meio especializado. Essa coexistência gera a confusão que vemos hoje.
Em testes de DNA, como é calculado o grau de parentesco com um tataravô?
Testes de DNA autossômico comparam a quantidade de DNA compartilhado. Um trisavô (4ª geração) compartilha em média cerca de 0,78% do DNA com um descendente. Um tetravô (5ª geração) compartilha aproximadamente 0,39%. Os valores são aproximados, pois o DNA é herdado de forma aleatória. Plataformas como MyHeritage e Ancestry usam a nomenclatura numérica para exibir esses parentescos.
Reflexoes Finais
Navegar pelas gerações ascendentes da nossa árvore genealógica é um exercício fascinante que une linguagem, história e ciência. Como vimos, a nomenclatura de avô, bisavô, tataravô e depois não é tão simples quanto parece, principalmente pela ambiguidade do termo tataravô. A melhor forma de evitar confusões é adotar os prefixos numéricos (trisavô, tetravô, pentavô…) ou a forma descritiva (quarto avô, quinto avô, etc.), especialmente quando se lida com documentos genealógicos ou plataformas digitais.
A genealogia moderna, impulsionada por testes de DNA e árvores colaborativas, torna esse conhecimento cada vez mais acessível e necessário. Saber nomear corretamente nossos antepassados não é apenas uma questão de linguagem, mas também de respeito à memória familiar. Ao consultar fontes confiáveis, como dicionários especializados e fóruns de genealogia, podemos nos aprofundar nesse universo e, quem sabe, descobrir histórias incríveis que dormem em registros centenários.
