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Educação Publicado em Por Stéfano Barcellos

Atividades de Artes 5º Ano: BNCC e Ideias Práticas

Atividades de Artes 5º Ano: BNCC e Ideias Práticas
Aprovado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Por Onde Comecar

O ensino de Arte nos anos iniciais do Ensino Fundamental desempenha um papel fundamental no desenvolvimento integral dos estudantes, promovendo não apenas a expressão criativa, mas também a percepção estética, a sensibilidade cultural e a capacidade de reflexão crítica. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento normativo que define as aprendizagens essenciais para todos os alunos brasileiros, organiza o componente Arte em quatro linguagens: Artes Visuais, Dança, Música e Teatro. No 5º ano, último ano do ciclo inicial, as atividades de artes devem consolidar conhecimentos anteriores e ampliar o repertório dos alunos, preparando-os para os desafios do 6º ano.

Este artigo tem como objetivo apresentar um panorama completo sobre as atividades de artes para o 5º ano alinhadas à BNCC, oferecendo subsídios práticos para professores, coordenadores pedagógicos e demais educadores. Serão abordados os fundamentos teóricos da BNCC, tendências atuais no ensino de Arte, exemplos de atividades práticas, uma tabela comparativa de habilidades e uma seção de perguntas frequentes. Ao final, o leitor contará com um guia robusto para planejar e executar aulas de Arte significativas e em conformidade com a legislação educacional brasileira.

A relevância desse tema se intensifica no contexto contemporâneo, em que a arte pode ser um poderoso instrumento de inclusão, expressão e cidadania. De acordo com a Base Nacional Comum Curricular, a competência específica de Arte para o Ensino Fundamental inclui “experienciar a ludicidade, a percepção, a expressividade e a imaginação, ressignificando espaços da escola e de fora dela no âmbito da Arte”. Portanto, as atividades propostas devem ir além da mera reprodução técnica, incentivando a autoria e a reflexão dos estudantes.

Aspectos Essenciais

O que a BNCC orienta para Artes no 5º ano

A BNCC estrutura o componente Arte a partir de seis dimensões do conhecimento: criação, crítica, estesia, expressão, fruição e reflexão. Para o 5º ano, inserido nos anos iniciais (1º ao 5º ano), o foco está no desenvolvimento progressivo das habilidades relacionadas às quatro linguagens artísticas. Em Artes Visuais, por exemplo, a habilidade (EF15AR01) propõe que o aluno “identificar e apreciar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas, cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório imagético”. Já a habilidade (EF15AR02) trata de “explorar e reconhecer elementos constitutivos das artes visuais (ponto, linha, forma, cor, espaço, textura etc.)”.

Além disso, a BNCC enfatiza a experimentação e a criação como eixos centrais. Não se espera que o aluno apenas copie modelos, mas que investigue materiais, técnicas e processos. No 5º ano, a progressão inclui a capacidade de planejar e executar projetos artísticos de forma mais autônoma, seja individual ou coletivamente. A apreciação e análise de obras também ganha destaque, com a introdução de vocabulário específico e a contextualização histórica e cultural das produções.

Outro ponto crucial é o repertório cultural. A BNCC orienta que os estudantes conheçam manifestações artísticas de diferentes culturas, incluindo a cultura popular brasileira, a arte indígena, a arte africana e afro-brasileira, além de movimentos artísticos ocidentais. Dessa forma, as atividades de artes para o 5º ano devem contemplar a diversidade, promovendo o respeito e a valorização das diferenças.

Tendências atuais em atividades de Artes para o 5º ano

Pesquisas recentes em sites educacionais e plataformas de planejamento indicam que as atividades mais buscadas e aplicadas para o 5º ano em Arte giram em torno de alguns eixos temáticos recorrentes. Entre eles, destacam-se:

  1. Mandalas com simetria e repetição de formas: excelente para trabalhar concentração, geometria e elementos visuais como equilíbrio e ritmo.
  2. Autorretrato e observação de características pessoais: promove autoconhecimento e expressão da identidade, alinhando-se à habilidade de reconhecer elementos visuais.
  3. Paisagem inspirada no entorno escolar ou comunitário: conecta a arte ao cotidiano do aluno, valorizando o espaço vivido.
  4. Colagem temática com materiais reutilizáveis: desenvolve a consciência ecológica e a criatividade com recursos acessíveis.
  5. Releitura de obra de arte com nova composição: exercita a análise crítica e a recriação, respeitando a autoria original.
  6. Criação inspirada em manifestações culturais brasileiras: como o frevo, o maracatu, o bumba meu boi ou a arte indígena, ampliando o repertório cultural.
  7. Pintura guiada para desenvolver atenção e coordenação: técnica que combina instruções verbais com execução prática, fortalecendo a escuta e a precisão.
Essas propostas aparecem com frequência porque permitem trabalhar tanto a criação quanto a leitura de imagem, em sintonia com a BNCC. Além disso, são atividades que exigem materiais simples e de baixo custo, facilitando a implementação em escolas com recursos limitados.

Lista de atividades práticas alinhadas à BNCC para o 5º ano

A seguir, apresento uma lista detalhada de atividades que podem ser aplicadas em sala de aula, cada uma com indicação de habilidades BNCC correspondentes.

  1. Mandalas com simetria radial
  • Habilidades: (EF15AR01), (EF15AR02), (EF15AR04)
  • Descrição: os alunos desenham círculos concêntricos e preenchem com formas repetitivas, explorando ponto, linha, cor e simetria. Podem usar lápis de cor, giz de cera ou tinta.
  1. Autorretrato em técnica mista
  • Habilidades: (EF15AR01), (EF15AR02), (EF15AR05)
  • Descrição: após observação no espelho, cada estudante cria seu autorretrato combinando desenho, colagem e pintura. Discute-se a identidade e a autoimagem.
  1. Paisagem sonora e visual
  • Habilidades: (EF15AR01), (EF15AR08), (EF15AR14)
  • Descrição: interdisciplinar com Música, os alunos registram visualmente uma paisagem e, em seguida, criam uma composição sonora que represente o mesmo ambiente (sons da natureza, da cidade).
  1. Colagem de releitura de Tarsila do Amaral
  • Habilidades: (EF15AR01), (EF15AR03), (EF15AR06)
  • Descrição: apresentar obras como “O Vendedor de Frutas” ou “Operários”. Os alunos recriam a cena usando revistas, papéis coloridos e tecidos, discutindo a arte modernista brasileira.
  1. Teatro de sombras com recortes
  • Habilidades: (EF15AR01), (EF15AR09), (EF15AR10)
  • Descrição: em grupos, os alunos criam personagens recortados em cartolina e montam uma cena de sombra com luz e tela. Incentiva a narrativa e o trabalho coletivo.
  1. Dança das formas geométricas
  • Habilidades: (EF15AR01), (EF15AR11), (EF15AR12)
  • Descrição: relacionando Artes Visuais e Dança, os alunos desenham formas geométricas no chão com giz e depois criam movimentos que percorram essas formas, explorando direções e ritmos.
  1. Criação de instrumento musical reciclado
  • Habilidades: (EF15AR01), (EF15AR13), (EF15AR14)
  • Descrição: utilizando garrafas, latas, elásticos e grãos, cada aluno constrói um instrumento e depois participa de uma roda de experimentação sonora.

Tabela comparativa: atividades e habilidades BNCC

A tabela a seguir relaciona cada atividade sugerida com as habilidades específicas da BNCC para o 5º ano (códigos dos anos iniciais), facilitando o planejamento docente.

AtividadeHabilidades BNCC (Códigos)Linguagem predominante
Mandalas com simetria radial(EF15AR01), (EF15AR02), (EF15AR04)Artes Visuais
Autorretrato em técnica mista(EF15AR01), (EF15AR02), (EF15AR05)Artes Visuais
Paisagem sonora e visual(EF15AR01), (EF15AR08), (EF15AR14)Artes Visuais e Música
Colagem de releitura de Tarsila(EF15AR01), (EF15AR03), (EF15AR06)Artes Visuais
Teatro de sombras com recortes(EF15AR01), (EF15AR09), (EF15AR10)Teatro
Dança das formas geométricas(EF15AR01), (EF15AR11), (EF15AR12)Dança
Criação de instrumento reciclado(EF15AR01), (EF15AR13), (EF15AR14)Música
Fonte: adaptado da BNCC (2018). As habilidades listadas são do conjunto dos anos iniciais (1º ao 5º ano) e podem ser consultadas na íntegra no site oficial do MEC.

É importante observar que várias habilidades transversais aparecem em todas as atividades, como (EF15AR01) – “identificar e apreciar formas distintas das artes visuais, da música, da dança e do teatro” –, demonstrando a integração prevista pela BNCC entre as diferentes linguagens.

Orientações para o planejamento anual

Para organizar as atividades de artes do 5º ano ao longo do período letivo, recomenda-se seguir uma progressão que contemple:

  • Primeiro bimestre: foco em Artes Visuais, com ênfase em elementos básicos (linha, forma, cor) e produção de autorretratos e mandalas.
  • Segundo bimestre: introdução à Música, com construção de instrumentos e paisagens sonoras, além de continuidade com releituras de obras.
  • Terceiro bimestre: exploração do Teatro, com teatro de sombras e improvisação, integrando elementos visuais e sonoros.
  • Quarto bimestre: abordagem da Dança e projetos integradores que reúnam as quatro linguagens, valorizando manifestações culturais brasileiras.
Esse planejamento pode ser ajustado conforme a realidade da escola e o ritmo da turma, mas mantém a coerência com as habilidades previstas. Materiais como planos de aula da Toda Matéria e atividades do Tudo Sala de Aula oferecem suporte complementar.

FAQ Rapido

Quais são as principais diferenças entre as atividades de artes para o 5º ano e para o 4º ano de acordo com a BNCC?

No 4º ano, as atividades focam mais na exploração livre de materiais e na identificação básica de elementos visuais. Para o 5º ano, a BNCC prevê um aprofundamento: os alunos devem ser capazes de planejar suas produções, analisar criticamente obras e articular diferentes linguagens artísticas. Enquanto no 4º ano o autorretrato pode ser um desenho simples, no 5º ano espera-se que o estudante inclua detalhes expressivos e reflita sobre a própria imagem.

Como adaptar as atividades de artes para alunos com deficiência no 5º ano?

A BNCC defende a educação inclusiva, e as atividades podem ser adaptadas com recursos como texturas diferenciadas (para deficiência visual), estímulos sonoros ampliados (para deficiência auditiva) e uso de tecnologias assistivas. Por exemplo, na atividade de mandala, alunos com baixa visão podem trabalhar com argila ou massa de modelar em relevo. O importante é garantir a participação plena, valorizando o processo criativo de cada um.

As atividades de artes do 5º ano precisam ser obrigatoriamente interdisciplinares?

Não obrigatoriamente, mas a BNCC incentiva a interdisciplinaridade como forma de enriquecer a aprendizagem. Atividades que integram Arte com Língua Portuguesa (produção de textos sobre obras), Matemática (simetria nas mandalas) ou Ciências (cores e luz) são muito bem-vindas e ajudam a consolidar os conhecimentos. O professor pode planejar projetos temáticos que perpassem várias disciplinas ao longo do ano.

Como avaliar as produções artísticas dos alunos do 5º ano?

A avaliação em Arte deve ser processual e formativa. Não se trata de atribuir notas apenas ao produto final, mas de observar o desenvolvimento do aluno em relação às habilidades previstas. Instrumentos como portfólios, autoavaliação, registros de observação e rodas de conversa são adequados. A BNCC sugere que o professor considere a capacidade de experimentação, a expressividade e a reflexão crítica, e não apenas o resultado estético.

Quais materiais são essenciais para realizar as atividades de artes propostas?

Os materiais básicos incluem: lápis de cor, giz de cera, tinta guache, pincéis, papéis diversos (sulfite, cartolina, papel kraft), cola, tesoura, revistas para colagem, argila ou massa de modelar, espelhos, tecidos, materiais recicláveis (garrafas, latas, caixas). Escolas com recursos limitados podem improvisar com sucata e elementos naturais (folhas, sementes, areia). O essencial é garantir a diversidade de texturas, cores e possibilidades de manipulação.

O que fazer se a turma do 5º ano tiver muitos alunos e pouco espaço para atividades de artes?

Atividades em grupo podem ser uma solução eficaz. Por exemplo, na produção de uma colagem coletiva ou na montagem de um teatro de sombras, a turma se organiza em rodízio. Também é possível usar o pátio ou áreas externas da escola para ampliar o espaço. Outra estratégia é propor atividades que exijam pouca área física, como o desenho individual em mesas compartilhadas. O planejamento prévio da disposição da sala ajuda a otimizar o ambiente.

Como a tecnologia pode ser integrada às atividades de artes do 5º ano?

A tecnologia pode enriquecer as aulas de arte por meio de aplicativos de desenho digital, softwares de edição de imagens simples e plataformas de criação musical. Vídeos de obras e apresentações culturais também ampliam o repertório. No entanto, a BNCC enfatiza a experimentação concreta com materiais, de modo que a tecnologia deve ser um complemento, não o centro. O professor pode, por exemplo, exibir uma obra no projetor e, em seguida, propor a releitura manual.

Onde encontrar planos de aula prontos e alinhados à BNCC para o 5º ano?

Diversos sites oferecem materiais gratuitos. Recomendo consultar o Tudo Sala de Aula, que disponibiliza atividades com habilidades explícitas, e o Click Escolar, com propostas variadas. Outra fonte confiável são os documentos disponíveis em sites de prefeituras, como o PDF de habilidades essenciais da Prefeitura de Pinhalzinho/SP.

Resumo Final

O ensino de Arte no 5º ano à luz da BNCC representa uma oportunidade ímpar de formar alunos mais sensíveis, criativos e críticos. As atividades aqui apresentadas demonstram que é possível aliar o rigor das habilidades previstas com propostas lúdicas, diversificadas e contextualizadas. Desde a confecção de mandalas até a criação de instrumentos musicais reciclados, cada experiência artística contribui para o desenvolvimento integral dos estudantes, respeitando suas individualidades e promovendo a valorização da diversidade cultural brasileira.

É fundamental que o professor de Arte esteja atento às orientações da BNCC, mas também que exerça sua autonomia para adaptar as atividades à realidade de sua turma. A arte não pode ser engessada; ela vive da experimentação e da descoberta. Portanto, mais do que seguir um roteiro fixo, o educador deve criar um ambiente acolhedor em que o erro seja visto como parte do processo criativo e em que cada aluno se sinta protagonista de sua própria produção.

Para concluir, reforço que os materiais de apoio disponíveis em plataformas educacionais e em sites oficiais de secretarias de educação são ferramentas valiosas para o planejamento. No entanto, a chave do sucesso está no olhar atento do professor para as necessidades e potenciais de seus alunos. Que este artigo sirva como inspiração para práticas pedagógicas transformadoras, que façam da sala de arte um espaço de liberdade, expressão e aprendizado significativo.

Para Saber Mais

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu seu caminho num cruzamento pouco habitado: o que une tecnologia e linguagem. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de estrada, tornou-se referência na curadoria de conteúdo digital no Brasil — não por seguir fórmulas, mas por se recusar a tratar como coisas separadas o ato de programar sistemas e o ato de produzir sentido...

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