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Abdominal remador: entenda o exercício e aprenda a executar com controle

Saiba como o abdominal remador trabalha o tronco, quais cuidados tomar e como adaptar o movimento ao seu condicionamento.

Por Stéfano Barcellos · Publicado em · 8 min de leitura
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O abdominal remador é um exercício de solo que combina a flexão do tronco com a aproximação das pernas em direção ao corpo. Também chamado de movimento em “V” em algumas rotinas, ele exige coordenação, equilíbrio e controle para recrutar a musculatura abdominal sem transformar o impulso em protagonista. Embora pareça simples, sua execução pede atenção à postura, à respiração e ao nível de preparo físico de cada pessoa.

O que é o abdominal remador

O movimento começa com o praticante deitado de costas, com braços e pernas estendidos ou levemente flexionados, conforme a variação escolhida. Durante a repetição, o tronco se eleva ao mesmo tempo que os joelhos ou as pernas se aproximam, formando uma posição semelhante à de quem realiza uma remada. Ao final, o corpo retorna de maneira controlada ao chão.

O objetivo não é simplesmente sentar-se ou alcançar os pés com as mãos. A qualidade do exercício depende de produzir a flexão com o abdômen, manter a região lombar sob controle e evitar balanços excessivos. Quando bem aplicado, pode integrar treinos de fortalecimento do core, circuitos de condicionamento e rotinas de exercícios com o peso corporal.

Por ser um movimento mais exigente que uma contração abdominal curta, ele costuma ser mais apropriado para quem já consegue realizar exercícios básicos de tronco com estabilidade. Isso não impede iniciantes de praticarem versões adaptadas, desde que respeitem a própria capacidade e avancem gradualmente.

Quais músculos participam do movimento

O principal grupo envolvido é o conjunto muscular conhecido como core, que contribui para a estabilidade do tronco e da pelve. O reto abdominal participa da flexão do tronco, enquanto os oblíquos ajudam no controle lateral e rotacional. A musculatura profunda do abdômen também atua para estabilizar a região central do corpo.

Os flexores do quadril participam especialmente quando as pernas são levantadas. Por isso, uma técnica cuidadosa é importante: se esses músculos assumirem a maior parte do esforço, a pessoa pode sentir desconforto na frente do quadril ou sobrecarga na lombar. Glúteos, músculos das coxas, ombros e braços também colaboram para organizar a posição do corpo, ainda que não sejam o foco principal.

Fortalecer o abdômen não equivale a reduzir gordura em uma região específica. A aparência corporal depende de múltiplos fatores, como alimentação, nível geral de atividade física, sono, composição corporal e características individuais. O valor desse exercício está principalmente no desenvolvimento de força, resistência e controle motor.

Como executar com técnica

Antes de começar, escolha uma superfície firme e confortável. Um colchonete pode reduzir a pressão sobre a coluna e o cóccix. Faça algumas mobilizações leves e verifique se há espaço para estender braços e pernas sem obstáculos.

  1. Deite-se de costas, com as pernas estendidas ou com os joelhos um pouco dobrados para facilitar o controle.
  2. Posicione os braços acima da cabeça ou à frente do corpo, sem tensionar o pescoço.
  3. Ative suavemente o abdômen, como se aproximasse as costelas da pelve, mantendo a respiração fluida.
  4. Eleve o tronco e aproxime os joelhos ou as pernas ao mesmo tempo, levando as mãos na direção das canelas ou dos pés.
  5. Faça uma breve pausa na posição mais alta sem arredondar os ombros de forma excessiva nem prender o ar.
  6. Desça devagar, mantendo o controle do percurso até voltar à posição inicial.

A amplitude deve ser compatível com a capacidade de manter a lombar organizada. Não é obrigatório tocar os pés nem chegar a uma posição muito fechada. Reduzir o trajeto e dobrar os joelhos pode tornar o exercício mais seguro e produtivo do que insistir em uma amplitude que cause compensações.

Respiração e ritmo fazem diferença

Uma orientação prática é soltar o ar durante a fase de subida, quando há maior esforço, e inspirar durante a descida. Essa coordenação pode favorecer a ativação do tronco e ajuda a evitar que a pessoa prenda a respiração. Ainda assim, o ritmo deve ser natural: respirações forçadas ou curtas demais podem aumentar a tensão desnecessária.

Evite executar as repetições com pressa. Subir usando balanço e cair de volta no colchonete diminui o trabalho de controle muscular, eleva o impacto e pode aumentar o risco de desconforto. Um ritmo contínuo, com subida e descida conscientes, tende a ser mais útil do que buscar muitas repetições em sequência.

O sinal de uma boa repetição não é a velocidade, mas a capacidade de controlar tronco, pelve e pernas sem dor.

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Erros frequentes e como corrigir

Puxar a cabeça ou sobrecarregar o pescoço

Quando as mãos ficam atrás da cabeça, algumas pessoas puxam o pescoço para tentar vencer o movimento. Isso reduz a participação adequada do tronco e pode causar incômodo cervical. Prefira manter as mãos direcionadas aos pés, cruzadas sobre o peito ou ao lado do corpo, conforme a variação tolerada.

Usar impulso com braços e pernas

Braços lançados de forma brusca e pernas que sobem sem controle criam embalo. Para corrigir, diminua a velocidade, flexione os joelhos e encurte a amplitude. A repetição deve parecer estável, sem choques no fim da descida.

Perder o controle da lombar

Uma curvatura natural da coluna existe, mas dor aguda, pressão forte ou sensação de pinçamento não devem ser ignoradas. Quem percebe dificuldade em estabilizar a lombar pode começar com exercícios mais simples, como ponte de glúteos, prancha adaptada e elevação alternada de braços e pernas com as costas apoiadas.

Treinar até a técnica se desfazer

Fadiga é esperada em exercícios de fortalecimento, porém não justifica compensações repetidas. Ao notar que o pescoço começa a trabalhar demais, que a descida fica descontrolada ou que a respiração se perde, é preferível interromper a série, descansar e ajustar a dificuldade.

Variações para diferentes níveis

O mesmo padrão de movimento pode ser adaptado. A escolha deve considerar experiência prévia, mobilidade, força do tronco e possíveis limitações. A progressão não precisa seguir uma ordem rígida: o melhor ponto de partida é aquele que permite controle e ausência de dor.

VariaçãoComo é feitaIndicação geralPonto de atenção
Joelhos flexionadosTronco sobe enquanto os joelhos se aproximam do peito.Quem está aprendendo o padrão.Evitar puxar os joelhos com os braços.
Alcance curtoElevação parcial do tronco com pernas apoiadas ou pouco elevadas.Início de fortalecimento.Manter o pescoço relaxado.
Uma perna por vezO tronco se eleva com aproximação alternada das pernas.Treino de coordenação e controle.Evitar girar excessivamente a pelve.
Pernas estendidasBraços e pernas saem do chão, aproximando-se no alto.Pessoas com maior domínio corporal.Controlar a lombar na descida.
Pausa isométricaHá sustentação breve na posição de maior contração.Desenvolvimento de resistência.Continuar respirando durante a pausa.

A versão com joelhos dobrados geralmente reduz a alavanca das pernas e facilita o movimento. Já manter as pernas estendidas aumenta a demanda sobre abdômen e flexores do quadril. A pausa isométrica pode tornar uma variação simples mais desafiadora sem necessidade de acelerar o exercício.

Como incluir na rotina de exercícios

O abdominal remador pode ser usado depois de um aquecimento e integrado a uma sessão que inclua movimentos para diferentes grupos musculares. Para a maioria das pessoas, vale mais priorizar séries com boa execução do que estabelecer uma meta alta de repetições. O volume adequado varia conforme o condicionamento, a frequência de treino e os demais exercícios realizados.

Uma organização equilibrada inclui trabalho para a parte anterior, lateral e posterior do tronco. Assim, o fortalecimento não fica restrito à flexão abdominal. Pranchas adaptadas, exercícios de estabilidade, ponte de glúteos, movimentos de puxar, empurrar, agachar e caminhar podem compor uma rotina ampla, de acordo com as condições individuais.

  • Comece com uma variação que preserve o controle do corpo.
  • Faça pausas suficientes para recuperar a respiração e a técnica.
  • Aumente a dificuldade por etapas, seja pela amplitude, pelo controle ou pela resistência.
  • Intercale o trabalho abdominal com exercícios para costas, quadris e membros inferiores.
  • Respeite dias de recuperação quando houver fadiga muscular importante.

Não há necessidade de treinar abdômen de forma intensa em todas as sessões. A musculatura também precisa de recuperação, especialmente quando participa de exercícios compostos e atividades cotidianas. Consistência, progressão prudente e variedade costumam trazer resultados mais sustentáveis do que excessos pontuais.

Quem deve adaptar ou evitar o exercício

Pessoas com dor lombar persistente, lesões musculoesqueléticas, alterações importantes de mobilidade, problemas no quadril ou desconforto no pescoço devem ter cautela. O mesmo cuidado vale para quem passou por procedimentos médicos, está em fase de reabilitação ou recebeu orientação para limitar esforços abdominais. Nessas situações, a avaliação de um profissional de saúde ou de educação física é indicada antes de incluir o movimento na rotina.

Durante a gestação e em condições que alterem a parede abdominal ou o assoalho pélvico, a escolha dos exercícios deve ser individualizada. Dor, tontura, falta de ar incomum, formigamento, perda de força ou pressão intensa são sinais para interromper a prática e buscar avaliação adequada.

Mesmo sem diagnóstico conhecido, desconforto repetido não deve ser tratado como parte obrigatória do treino. A sensação de esforço nos músculos do abdômen é diferente de dor articular, pontadas ou irradiação para costas e pernas. Ajustar o exercício cedo ajuda a evitar a repetição de padrões inadequados.

Referencias

  • Ministério da Saúde — Guia de atividade física para a população brasileira.
  • Organização Mundial da Saúde — Diretrizes sobre atividade física e comportamento sedentário.
  • American College of Sports Medicine — Diretrizes para prescrição de exercícios.
  • Conselho Federal de Educação Física — Materiais de orientação profissional.
  • Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte — Publicações técnicas sobre exercício e saúde.

Perguntas frequentes sobre Saúde e Bem-Estar

O abdominal remador trabalha quais músculos?

Ele recruta principalmente músculos do abdômen e outras estruturas que estabilizam o tronco e a pelve. Flexores do quadril, coxas, braços e ombros também participam do movimento em diferentes graus.

Abdominal remador ajuda a perder barriga?

O exercício fortalece a musculatura abdominal, mas não promove redução localizada de gordura. Mudanças na composição corporal dependem de hábitos gerais, alimentação, atividade física regular e fatores individuais.

Iniciante pode fazer abdominal remador?

Pode, desde que utilize uma adaptação compatível com seu nível, como a versão com joelhos flexionados e menor amplitude. O mais importante é manter controle, respirar bem e não sentir dor.

É normal sentir a lombar no abdominal remador?

Uma sensação leve de trabalho muscular pode ocorrer, mas dor, pressão intensa ou pontadas na lombar não são esperadas. Reduza a dificuldade, revise a técnica e procure orientação se o desconforto persistir.

Quantas repetições de abdominal remador devo fazer?

A quantidade depende do condicionamento e da qualidade da execução. Escolha um volume que permita manter postura, respiração e controle do início ao fim, sem recorrer a impulso.

Publicado em 05/09/2026 · Revisão editorial de Stéfano Barcellos

Escrito por

Stéfano Barcellos

Editor responsável — Formado em Direito

Stéfano Barcellos é formado em Direito e escreve sobre crédito, contratos de consumo e serviços financeiros. No Cidesp, responde pela apuração, pela revisão jurídica dos textos e pela checagem das regras citadas em cada guia publicado.

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