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Entenda o Qualis Capes e seu papel na avaliação de periódicos científicos

Saiba o que é a classificação Qualis Capes, como consultar periódicos e por que ela deve ser usada com análise crítica na pesquisa acadêmica.

Por Stéfano Barcellos · Publicado em · 8 min de leitura
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O Qualis Capes é um sistema de classificação empregado para organizar e qualificar a produção científica publicada em periódicos no contexto da pós-graduação brasileira. Ele costuma aparecer em decisões sobre onde submeter um artigo, na análise de currículos e no acompanhamento de programas acadêmicos. Apesar de sua relevância, a consulta precisa ser feita com atenção: a classificação não substitui a avaliação da qualidade de cada pesquisa, nem define sozinha o valor de uma revista ou de um trabalho científico.

O que é o Qualis

O Qualis é uma referência construída no âmbito da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, a Capes. Sua função é apoiar a avaliação da produção bibliográfica vinculada aos programas de pós-graduação. Em vez de classificar um pesquisador individualmente, o sistema considera veículos de divulgação científica, especialmente periódicos nos quais artigos são publicados.

Na prática, a classificação ajuda a contextualizar a produção intelectual de docentes, estudantes e programas. Uma publicação pode ser analisada segundo critérios próprios de sua área de conhecimento, pois os padrões de circulação, impacto, indexação e revisão por pares variam muito entre campos científicos.

Essa distinção é importante. Uma revista reconhecida em uma área pode não ter o mesmo enquadramento em outra, sem que isso indique perda de qualidade editorial. As áreas adotam critérios, pesos e fontes de informação compatíveis com suas práticas de pesquisa e comunicação científica.

Qual é a finalidade na pós-graduação

A principal finalidade é oferecer um elemento para a avaliação de programas de pós-graduação. O resultado dessa avaliação pode orientar diagnósticos institucionais, planejamento acadêmico e acompanhamento da produção científica. O sistema também é usado como referência complementar em editais, processos seletivos e regras internas de universidades.

Para autores, o Qualis pode auxiliar na escolha de um periódico, mas não deve ser o único critério. O pesquisador precisa verificar se o escopo editorial da revista combina com a pergunta de pesquisa, o método empregado e o público que pode se beneficiar dos resultados. Um bom encaixe tem impacto direto na qualidade da submissão e na chance de o debate científico alcançar leitores interessados.

Também é necessário separar duas perguntas diferentes: se uma revista é adequada para um manuscrito e como aquele veículo é classificado em determinada área. A primeira exige leitura da política editorial, das chamadas e dos artigos publicados. A segunda depende da consulta à base oficial e do recorte avaliativo adotado.

Como funcionam os estratos de classificação

Os periódicos são organizados em estratos que costumam ir de A1, associado ao nível mais elevado da escala, até C, utilizado para posições de menor peso na classificação. Entre eles, podem existir faixas intermediárias, como A2, A3, A4, B1, B2, B3 e B4. A leitura correta não deve transformar essa escala em uma regra absoluta de prestígio para todos os contextos.

O enquadramento resulta de procedimentos e critérios estabelecidos pelas áreas de avaliação. Podem entrar na análise elementos como presença em bases bibliográficas, regularidade editorial, alcance da circulação, indicadores de citação quando pertinentes, padrões de revisão por pares e características do processo de editoração. A relevância de cada elemento muda conforme a área.

Além disso, uma classificação está associada a um ciclo de avaliação e às regras aplicáveis a ele. Por isso, usar uma consulta antiga para fundamentar uma decisão institucional pode gerar erro. Antes de registrar um estrato em currículo, edital ou relatório, convém conferir a fonte oficial indicada para o processo em questão.

O que os estratos não informam sozinhos

Um estrato não revela, por si só, se um artigo específico é metodologicamente sólido, original ou útil. Também não informa se a revista cobra taxa de publicação, qual é o tempo editorial, se aceita determinado tipo de estudo ou se suas diretrizes éticas são compatíveis com a pesquisa. Essas verificações exigem análise direta do periódico.

Da mesma forma, o estrato não substitui a leitura de trabalhos publicados. Para decidir se um veículo é apropriado, vale observar os temas recorrentes, os métodos aceitos, o perfil dos pareceres e as exigências para dados, autoria, conflitos de interesse e aprovação ética.

Como consultar a classificação de um periódico

A consulta deve começar pelos canais oficiais da Capes e pelas ferramentas disponibilizadas para dados da pós-graduação. É recomendável pesquisar usando o ISSN, identificação internacional do periódico, porque nomes de revistas podem ter variações, traduções, abreviações ou títulos semelhantes. Quando houver versão impressa e eletrônica, é preciso confirmar qual identificador corresponde ao veículo analisado.

O resultado deve ser lido junto com a área de avaliação. Se a busca apresentar mais de um enquadramento, o usuário precisa identificar qual deles atende à finalidade da consulta. Um docente de um programa, por exemplo, deve considerar as regras e a área relacionadas ao programa, e não apenas uma classificação favorável encontrada em outro campo.

  1. Localize o título completo do periódico e seu ISSN.
  2. Consulte a base ou o relatório oficial disponibilizado pela Capes.
  3. Confirme a área de avaliação relevante para o programa ou procedimento.
  4. Verifique a identificação do periódico para evitar homônimos e versões diferentes.
  5. Registre a fonte consultada e o recorte da classificação quando a informação for usada em documento formal.

Se não houver resultado, não é correto concluir automaticamente que a revista é inadequada ou que não possui qualidade. Pode haver diferenças de indexação, mudança de título, inconsistência de cadastro, ausência no recorte consultado ou necessidade de análise pelas instâncias acadêmicas responsáveis.

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Critérios para escolher uma revista além do estrato

A publicação responsável exige uma avaliação mais ampla. Uma revista pode ter boa posição na escala e, ainda assim, não ser adequada ao tema ou ao formato do estudo. Por outro lado, periódicos especializados podem ser relevantes para comunidades científicas específicas, mesmo que tenham alcance mais restrito.

  • Escopo: confira se o tema e o tipo de manuscrito são aceitos.
  • Revisão por pares: observe se o processo é descrito de forma clara e coerente.
  • Corpo editorial: verifique se a equipe é identificável e ligada à área.
  • Indexação: confirme a presença em bases reconhecidas no campo de estudo.
  • Ética e transparência: procure políticas sobre plágio, autoria, conflitos de interesse e correções.
  • Custos e condições: leia as informações sobre taxas, direitos autorais e acesso ao texto.
  • Prazo editorial: avalie se a previsão informada atende às necessidades legítimas da pesquisa, sem assumir promessas de aceitação.

É prudente desconfiar de convites genéricos, promessas de publicação garantida, cobrança pouco transparente e ausência de informações editoriais básicas. Essas práticas podem sinalizar periódicos predatórios ou processos incompatíveis com a integridade científica.

Leitura comparativa das informações do periódico

A tabela abaixo reúne critérios que ajudam a interpretar dados de uma revista sem reduzir a decisão ao estrato informado. Eles servem tanto para autores quanto para equipes que analisam produção acadêmica.

CritérioO que verificarPor que importaFonte de conferência
IdentificaçãoTítulo, ISSN e editoraEvita confusão entre periódicos semelhantesExpediente e registros bibliográficos
EscopoTemas, público e tipos de manuscritoIndica compatibilidade com a pesquisaDiretrizes para autores
Processo editorialRevisão por pares, ética e correçõesMostra transparência e integridadePolíticas editoriais
IndexaçãoBases adequadas ao campo científicoAjuda a avaliar visibilidade e rastreabilidadeBase indexadora e periódico
ClassificaçãoEstrato e área de avaliação aplicávelContextualiza o uso institucional da produçãoCapes e documentos acadêmicos

Erros comuns ao usar essa classificação

Um erro frequente é tratar a classificação como ranking universal de revistas. O enquadramento é relacionado a procedimentos de avaliação e a áreas específicas; portanto, não deve ser transportado sem critério para todos os campos, instituições ou finalidades. Comparar diretamente periódicos de tradições científicas muito diferentes tende a produzir interpretações distorcidas.

Outro problema é usar apenas o nome da revista em buscas abertas e aceitar o primeiro resultado encontrado. Títulos parecidos, mudanças editoriais e páginas não oficiais podem induzir ao registro errado. O ISSN, o expediente e a consulta aos canais institucionais oferecem maior segurança.

Também é inadequado escolher uma revista exclusivamente por sua faixa classificatória. A pressão para publicar pode levar autores a enviar trabalhos fora do escopo ou a ignorar falhas éticas e editoriais. A publicação científica deve priorizar aderência temática, qualidade metodológica, transparência e contribuição para a área.

Uma classificação é um instrumento de apoio à avaliação. A qualidade de uma pesquisa depende também da pergunta formulada, do método, da transparência dos dados, da análise e da contribuição produzida.

Impactos para estudantes, docentes e programas

Para estudantes, entender a classificação ajuda a planejar a divulgação de resultados de iniciação científica, mestrado, doutorado ou outras atividades acadêmicas. A orientação do docente responsável é importante para relacionar o periódico ao objetivo da pesquisa, às regras do programa e às exigências éticas envolvidas.

Para docentes, o cuidado central é não transformar a métrica em único parâmetro de desempenho. A avaliação de trajetórias acadêmicas deve considerar autoria, consistência da produção, formação de pessoas, colaboração, impacto social quando aplicável e adequação das publicações à linha de pesquisa.

Para programas, o uso transparente de critérios reduz dúvidas e conflitos. Regulamentos internos podem indicar quais fontes serão aceitas, qual recorte será adotado e como serão tratados periódicos sem classificação disponível. Essas definições precisam respeitar as normas institucionais e evitar decisões baseadas em informações incompletas.

Boas práticas para registrar e apresentar publicações

Ao informar uma publicação em currículo, relatório ou processo seletivo, apresente dados verificáveis: título do artigo, autores, periódico, ISSN quando solicitado, identificador digital do trabalho e demais elementos bibliográficos exigidos. Caso seja necessário mencionar a classificação, indique claramente a área considerada e a fonte institucional da consulta.

Evite afirmar que um artigo é melhor apenas porque saiu em determinado estrato. Uma apresentação acadêmica sólida descreve a contribuição do estudo, seu vínculo com a linha de pesquisa e os elementos que permitem localizar e verificar a publicação. Esse cuidado favorece avaliações mais justas e reduz o uso indevido de indicadores.

Por fim, mantenha uma rotina de conferência antes de submeter um manuscrito. Ler as instruções aos autores, revisar as políticas de ética e preservar documentos da comunicação editorial são atitudes simples que fortalecem a segurança do processo de publicação.

Referencias

  • Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior — documentos e sistemas de avaliação da pós-graduação.
  • Plataforma Sucupira — base de informações e consulta da pós-graduação brasileira.
  • Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico — orientações e materiais sobre pesquisa científica.
  • Committee on Publication Ethics — diretrizes de ética para publicação acadêmica.
  • International Standard Serial Number International Centre — materiais técnicos sobre identificação de periódicos.

Perguntas frequentes sobre Desenvolvimento Pessoal

O que significa Qualis Capes?

É uma classificação de periódicos usada como apoio na avaliação da produção científica ligada à pós-graduação brasileira. Ela organiza veículos de publicação em estratos e considera critérios definidos pelas áreas de avaliação.

Um periódico tem o mesmo Qualis em todas as áreas?

Não necessariamente. A classificação pode variar conforme a área de avaliação, pois cada campo possui práticas, critérios e formas de circulação científica próprias. A consulta deve considerar a área pertinente ao programa ou ao processo acadêmico.

Como descobrir o Qualis de uma revista?

A forma mais segura é consultar os canais e as bases oficiais da Capes, preferencialmente usando o ISSN do periódico. Também é importante confirmar a área de avaliação associada à informação encontrada.

A classificação Qualis garante que uma revista seja confiável?

Não. Ela é apenas um dos elementos de análise e não substitui a verificação do escopo, da revisão por pares, das políticas éticas e da transparência editorial. Antes de submeter um trabalho, é recomendável ler as diretrizes da revista.

É obrigatório publicar apenas em periódicos de estratos mais altos?

A resposta depende das regras do programa, do edital ou da instituição envolvida. Em termos acadêmicos, a escolha também deve considerar a adequação do periódico ao tema, ao método e ao público da pesquisa.

Publicado em 05/09/2026 · Revisão editorial de Stéfano Barcellos

Escrito por

Stéfano Barcellos

Editor responsável — Formado em Direito

Stéfano Barcellos é formado em Direito e escreve sobre crédito, contratos de consumo e serviços financeiros. No Cidesp, responde pela apuração, pela revisão jurídica dos textos e pela checagem das regras citadas em cada guia publicado.

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