Como dominar a concordância verbal e nominal na escrita cotidiana
Entenda as regras centrais, os casos que exigem atenção e formas práticas de revisar frases com mais segurança.
A concordância verbal e nominal é um dos pontos mais importantes da gramática da língua portuguesa porque organiza as relações entre as palavras da frase. Quando verbos, substantivos, pronomes, adjetivos, artigos e numerais estão em harmonia, a leitura se torna mais clara e a mensagem transmite maior precisão. O assunto aparece em conversas, e-mails, formulários, trabalhos acadêmicos, provas, comunicações profissionais e textos publicados na internet.
Em termos simples, a concordância verbal trata da relação entre o verbo e seu sujeito. Já a concordância nominal envolve a combinação de gênero e número entre os nomes e seus determinantes ou caracterizadores. Embora muitas regras sejam intuitivas para falantes do português, construções mais longas, sujeitos compostos e certas palavras invariáveis podem gerar dúvidas. Conhecer os critérios ajuda a fazer escolhas conscientes durante a escrita e a revisão.
O que diferencia a concordância verbal da nominal
A concordância é um mecanismo que mostra quais termos estão ligados dentro de uma oração. Ela não serve apenas para atender a uma convenção gramatical: também evita ambiguidades. Em uma frase como “As decisões foram divulgadas”, as marcas de plural indicam que há mais de uma decisão e que a ação de divulgar se relaciona a esse conjunto.
Na concordância verbal, o verbo se ajusta principalmente ao número e à pessoa do sujeito. Em “Os estudantes pesquisam”, o verbo está no plural porque o sujeito também está no plural. Em “Eu pesquiso”, a forma verbal acompanha a primeira pessoa.
Na concordância nominal, palavras que acompanham ou qualificam o substantivo podem variar em gênero e número. Em “As respostas corretas”, o artigo, o substantivo e o adjetivo estão no feminino plural. Nem todas as palavras da frase variam, mas é necessário identificar quais exercem função de determinante, modificador ou predicativo para aplicar a regra adequada.
Regras fundamentais da concordância verbal
O primeiro passo é localizar o sujeito. Ele pode aparecer antes ou depois do verbo, pode ser um substantivo, um pronome, uma expressão nominal ou até mesmo estar implícito na desinência verbal. Depois, observa-se se o núcleo do sujeito está no singular ou no plural e qual pessoa ele representa.
Sujeito simples
Quando há apenas um núcleo no sujeito, o verbo concorda com ele. Isso vale mesmo quando há muitas palavras ao redor do núcleo. Na frase “A lista de tarefas permanece acessível”, o núcleo é “lista”, e não “tarefas”; por isso, o verbo fica no singular. Em “Os documentos do processo permanecem acessíveis”, o núcleo passa a ser “documentos”, exigindo o plural.
- “A equipe organizou os materiais.”
- “As equipes organizaram os materiais.”
- “Cada participante apresentou sua proposta.”
- “Muitos participantes apresentaram suas propostas.”
Expressões introduzidas por preposição merecem cuidado. Em “O grupo de visitantes chegou”, o núcleo é “grupo”. Já em “Os visitantes do grupo chegaram”, o núcleo é “visitantes”. A ordem das palavras não modifica esse princípio.
Sujeito composto
Se o sujeito tem dois ou mais núcleos ligados por uma ideia de adição, o verbo costuma ir para o plural: “A leitura e a prática fortalecem a escrita”. Quando o sujeito composto vem depois do verbo, o plural continua sendo a forma mais segura: “Fortalecem a escrita a leitura e a prática”.
Há situações em que os núcleos se apresentam como uma unidade de sentido, especialmente em expressões consagradas ou quando se quer destacar uma ação conjunta. Nesses casos, o singular pode aparecer, mas a escolha depende do contexto e do efeito de sentido. Na escrita formal, vale verificar se o singular não produz dúvida sobre quem realiza a ação.
Casos verbais que costumam causar dúvidas
Algumas construções exigem mais atenção porque o termo mais próximo do verbo nem sempre é o sujeito, ou porque determinadas palavras assumem comportamentos próprios. A análise da função sintática ajuda mais do que a tentativa de decidir apenas pelo som da frase.
Porcentagens, quantidades e expressões partitivas
Com expressões como “a maioria de”, “grande parte de”, “uma parcela de” e semelhantes, o verbo pode concordar com o núcleo da expressão ou com o termo especificado depois da preposição. Assim, são encontradas construções como “A maioria dos candidatos compareceu” e “A maioria dos candidatos compareceram”. O importante é manter a coerência no período e evitar alternâncias sem justificativa.
Em indicações percentuais, a concordância costuma considerar o número expresso e, quando houver, o substantivo que acompanha a quantidade. Em redação cuidadosa, uma boa saída é escrever a frase de modo que o núcleo fique claro, reduzindo margens para dupla interpretação.
Pronomes de tratamento e coletivos
Pronomes de tratamento pedem verbo na terceira pessoa: “Vossa Senhoria poderá encaminhar a solicitação”. O pronome se dirige diretamente a alguém, mas a concordância segue a forma gramatical de terceira pessoa.
Os coletivos, como “equipe”, “multidão”, “grupo” e “comissão”, normalmente levam o verbo ao singular quando usados sozinhos: “A comissão analisou a proposta”. Se o coletivo vier acompanhado de complemento plural, podem ocorrer construções distintas conforme o foco recaia sobre o conjunto ou sobre os integrantes. A clareza deve orientar a decisão.
Verbos impessoais
Certos verbos não possuem sujeito e, por isso, ficam no singular. O verbo “haver”, no sentido de existir ou ocorrer, é um caso clássico: “Havia dúvidas sobre o procedimento” e “Houve mudanças no regulamento”. A presença de um complemento no plural não altera a forma verbal.
O verbo “fazer”, quando indica fenômeno climático ou ideia de tempo decorrido, também é impessoal: “Faz dias de calor” e “Fazia muito frio”. Já quando “fazer” tem um sujeito definido e o sentido de produzir ou realizar, ocorre a concordância regular: “As equipes fazem relatórios detalhados”.
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Cartão deste artigo
Regras essenciais da concordância nominal
A concordância nominal envolve substantivos e os termos que os acompanham. Artigos, pronomes, numerais e adjetivos geralmente se ajustam ao gênero e ao número do substantivo a que se referem. Essa relação pode ocorrer dentro de um grupo nominal ou por meio de um predicativo ligado ao sujeito ou ao objeto.
Em “A proposta foi considerada adequada”, “adequada” concorda com “proposta”. Em “Os relatórios foram considerados adequados”, tanto o particípio quanto o adjetivo assumem o masculino plural. A identificação do termo caracterizado é o ponto decisivo.
Um adjetivo para mais de um substantivo
Quando um adjetivo se refere a substantivos de gêneros diferentes, a forma masculina plural é a regra geral: “O documento e a declaração assinados”. Se os substantivos tiverem o mesmo gênero, o adjetivo acompanha esse gênero no plural: “A pasta e a planilha atualizadas”.
Se o adjetivo vier antes de dois substantivos, pode concordar com o mais próximo em determinadas construções: “Foi necessária atenção e paciência”. Ainda assim, a reorganização da frase frequentemente oferece uma solução mais nítida: “Atenção e paciência foram necessárias”.
Palavras que variam e palavras invariáveis
Nem todo termo com aparência de adjetivo sofre flexão. Palavras como “menos” e “alerta”, em usos específicos, são invariáveis: “menos dúvidas”, “pessoas alerta”. Já “meio” pode variar quando equivale a metade, como em “meia página”, mas permanece invariável quando funciona como advérbio de intensidade: “as portas ficaram meio abertas”.
Também é importante observar “bastante”. Quando indica quantidade e equivale a “muito”, pode variar: “bastantes motivos”. Quando intensifica um adjetivo, atua como advérbio e não varia: “motivos bastante relevantes”. O sentido da palavra determina sua classificação e, consequentemente, sua flexão.
Quadro prático para conferir construções frequentes
A tabela reúne estruturas que aparecem com frequência e apresenta um critério de revisão. Ela não substitui a análise do contexto, mas ajuda a reconhecer padrões antes de finalizar um texto.
| Construção | Critério principal | Exemplo recomendado | Ponto de atenção |
|---|---|---|---|
| Sujeito simples | O verbo acompanha o núcleo do sujeito. | “A relação de itens está completa.” | Não confundir o núcleo com o termo preposicionado. |
| Sujeito composto | O verbo tende a ficar no plural. | “A revisão e a leitura evitam falhas.” | Verificar se os núcleos expressam adição real. |
| Haver com sentido de existir | O verbo é impessoal e fica no singular. | “Havia alternativas disponíveis.” | O complemento plural não exige “haviam”. |
| Adjetivo com nomes de gêneros distintos | Usa-se, em regra, o masculino plural. | “O aviso e a norma atualizados.” | Confirmar a posição do adjetivo na frase. |
| Meio como intensidade | É invariável quando equivale a “um tanto”. | “As instruções ficaram meio confusas.” | Não confundir com “meia”, no sentido de metade. |
Concordância em expressões com “é bom”, “é proibido” e semelhantes
Estruturas formadas por “é bom”, “é necessário”, “é proibido” e expressões parecidas variam de acordo com a presença de determinantes. Quando o substantivo aparece de forma genérica, a expressão tende a permanecer no masculino singular: “É proibido entrada sem autorização” é uma construção possível em avisos resumidos, embora possa soar pouco natural em certos contextos.
Com artigo ou outro determinante, a concordância é esperada: “É proibida a entrada sem autorização”; “É necessária a identificação do visitante”; “São adequadas as providências indicadas”. Em comunicações formais, explicitar o determinante costuma tornar a frase mais clara e facilita a concordância.
Uma revisão eficiente começa pela pergunta: qual palavra é o núcleo e quais termos dependem dela? A resposta costuma resolver grande parte das dúvidas de concordância.
Como revisar a concordância com método
Uma leitura rápida pode não revelar problemas, sobretudo quando a frase é longa. A revisão melhora quando é feita por etapas. Primeiro, localize os verbos e pergunte quem pratica, sofre ou apresenta o estado indicado por cada um. Em seguida, verifique se o sujeito está explícito, posposto, oculto ou representado por uma oração.
- Separe períodos muito extensos em unidades menores durante a conferência.
- Marque o núcleo de cada sujeito e compare-o com a forma verbal.
- Localize artigos, pronomes, numerais e adjetivos ligados a cada substantivo.
- Observe palavras com comportamento especial, como “menos”, “meio”, “bastante” e “anexo”.
- Leia a frase em voz baixa, mas confirme a decisão pela função das palavras, não apenas pela sonoridade.
- Reescreva passagens ambíguas em vez de depender de exceções pouco claras.
Ferramentas de correção podem sinalizar possíveis erros, mas não compreendem todos os sentidos pretendidos. Elas podem sugerir alterações inadequadas em nomes próprios, termos técnicos, citações ou construções corretas mais complexas. A decisão final depende de leitura crítica e de domínio das regras básicas.
Erros recorrentes e maneiras de evitá-los
Um erro comum é fazer o verbo concordar com a palavra que está mais perto dele, em vez de observar o núcleo do sujeito. Em “A série de orientações foi publicada”, o verbo concorda com “série”. Outro deslize frequente é pluralizar “haver” no sentido de existir. A forma adequada preserva o singular, ainda que haja vários elementos depois do verbo.
Na concordância nominal, merecem atenção os adjetivos distantes do substantivo e expressões fixas. Antes de alterar uma palavra, convém perguntar se ela é adjetivo, advérbio, pronome ou substantivo em determinada frase. A mesma forma pode ter comportamentos diferentes conforme a função que exerce.
Também ajuda evitar frases excessivamente carregadas de intercalações. Quanto mais distante estiverem o sujeito e o verbo, maior a chance de perda de referência. Pontuar bem, preferir ordem direta quando possível e dividir informações são medidas que favorecem tanto a correção quanto a compreensão.
Quando consultar uma gramática ou orientação especializada
Nem toda dúvida se resolve com uma regra isolada. Textos jurídicos, acadêmicos, administrativos e técnicos podem usar terminologia específica, citações ou construções em que o contexto interfere na escolha. Nesses casos, gramáticas de referência, dicionários de uso e manuais de redação são fontes úteis para confirmar a solução mais adequada.
Em documentos com impacto profissional, institucional ou avaliativo, a revisão por alguém com formação em língua portuguesa pode ser recomendável. Isso é especialmente relevante quando há períodos complexos, grande volume de informações ou necessidade de seguir padrões editoriais definidos. A boa concordância não depende de decorar todas as exceções, mas de analisar a estrutura da frase e escrever com objetividade.
Referencias
- Academia Brasileira de Letras — Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.
- Academia Brasileira de Letras — gramáticas e publicações linguísticas.
- Biblioteca Nacional — acervo de obras de referência da língua portuguesa.
- Universidade de São Paulo — materiais acadêmicos de estudos linguísticos.
- Ministério da Educação — materiais educacionais de língua portuguesa.
Perguntas frequentes sobre Desenvolvimento Pessoal
Qual é a diferença entre concordância verbal e concordância nominal?
A concordância verbal relaciona o verbo ao sujeito da oração, considerando principalmente número e pessoa. A concordância nominal relaciona substantivos a artigos, pronomes, numerais, adjetivos e particípios que os determinam ou caracterizam.
O verbo haver vai para o plural quando significa existir?
Não. Quando “haver” tem o sentido de existir, ocorrer ou acontecer, ele é impessoal e permanece no singular. O termo que aparece depois do verbo funciona como complemento, mesmo que esteja no plural.
Como o verbo concorda com sujeito composto?
Em regra, o verbo fica no plural quando o sujeito apresenta mais de um núcleo. A análise do sentido é importante em casos que indiquem uma unidade de ideia, mas o plural costuma ser a escolha mais segura em textos formais.
Quando a palavra meio varia?
“Meio” varia quando tem sentido de metade e acompanha um substantivo, como em “meia hora” ou “meio documento”. Quando equivale a “um tanto” e intensifica um adjetivo, é advérbio e permanece invariável, como em “meio cansadas”.
Como identificar o núcleo do sujeito?
O núcleo é a palavra principal do grupo que exerce a função de sujeito, geralmente um substantivo ou pronome. Para encontrá-lo, retire informações acessórias e observe qual termo mantém a ideia central de quem pratica ou sofre a ação.
Publicado em 05/09/2026 · Revisão editorial de Stéfano Barcellos